Quando vi Star Overdrive pela primeira vez, a proposta me surpreendeu, com um visual interessante mostrando um herói que usa uma keytar para lutar e um bom conceito de navegação num mundo aberto. Infelizmente, o que acabou ficando é um jogo com várias ideias incompletas e um certo potencial desperdiçado.
Desenvolvimento: Caracal Games
Distribuição: Dear Villagers
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, RPG, Aventura
Classificação: 10 anos (violência, conteúdo sugestivo)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, Switch, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 12 horas (campanha)
Um mundo inteiro para explorar

Star Overdrive é um título claramente inspirado por The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Isso pode ser visto primeiro no seu visual, mas também em sua estrutura: uma área aberta que tem biomas diferentes e dungeons em instâncias diferentes. A grande mudança fica na movimentação. Aqui, o seu principal veículo é uma prancha de surf flutuante que se movimenta em alta velocidade.
Para manter a velocidade, é preciso usar as dunas desse planeta desértico para pular e fazer manobras. Esse sistema funciona muito bem depois que se pega o jeito e é bem utilizado nas corridas presentes no ambiente, que fazem parte do progresso. Se movimentar pelo cenário em alta velocidade e tentar bater os tempos nas corridas é uma das melhores partes de toda a experiência.
A narrativa e exploração

Na história, BIOS, um explorador espacial, precisa ir até um planeta desconhecido para salvar sua namorada, que partiu por conta de motivos misteriosos. Como o design do personagem principal aponta, os momentos em que pistas e mensagens da sua amada são encontradas são pontuados por uma ótima trilha sonora e é um dos pontos altos da aventura.
Uma referência clássica de jogos desse tipo que está presente é a torre para revelar os objetivos ao redor, que começou em Assassin’s Creed. Aqui, vários quebra-cabeças estão presentes para ativar as torres, como achar itens escondidos pelo mapa e seguir cabos para encontrar mecanismos de ativação. Essas mecânicas podem até ser interessantes, mas elas são muito repetidas pelos mapas.
Habilidades e impacto

Assim como suas inspirações (e aspirações), a aventura é pontuada por dungeons que podem ser encontrados. Inicialmente, elas são usadas para conferir novos poderes secundários ao herói que ajudam tanto no combate quanto na movimentação. Essas habilidades não me impressionaram, no entanto, sendo ou muito genéricas ou só ruins de usar.
Por exemplo, a primeira é uma habilidade de telecinese bem básica para jogar itens ou inimigos para longe. Ela, pelo menos, é divertida e acabou sendo minha principal arma nos combates, já que o dano é muito maior que o ataque básico. Já outra que irritou bastante foi a forma que os desenvolvedores encontraram para fazer o pulo duplo: você cria uma área no chão que lança você pra cima e que permite mais um pulo. Além de complicada de usar, essa habilidade não é nada divertida e deixa a exploração um pouco mais chata.
O design dos desafios também não impressionou por dois motivos. Primeiro que eles usam conceitos únicos que não parecem encaixar com o resto do jogo e que não são bem explicados, e segundo que alguns desses desafios precisam de um polimento maior, apresentando partes pouco intuitivas ou com alguns bugs.
Algumas pedras no caminho

O combate, para mim, é uma das partes que precisam de mais trabalho aqui. Golpes sem impacto e habilidades pouco divertidas transformam Star Overdrive numa experiência um pouco vazia. Dito isso, os chefes são mais interessantes, já que usam mecânicas mais únicas e uma estrutura quase como um quebra-cabeça a ser descoberto.
Outro ponto que incomoda é o uso da tela de game over. Toda vez que você falha em algum ponto, aparece uma tela preta de game over que faz o jogador pensar que vai voltar uma grande parte do progresso carregando um save point. Na verdade, essa tela é usada somente para voltar exatamente a parte anterior ao seu erro. Isso ficou um pouco confuso, e é mais um aspecto que poderia ser melhor trabalhado.
Boas e más impressões
A sensação que tive jogando foi de que Star Overdrive tem muitas ideias legais e originais que foram bem desenvolvidas, como a movimentação com a prancha que é divertida. A história, apesar de ser simples, é bem executada e conquista os momentos que acontecem. Já o controle fora da prancha não é dos melhores, a navegação em algumas partes do mundo é muito prejudicada pelo seu design e as habilidades secundárias não engrandecem a experiência. Mais iterações ou cortes poderiam entregar um ótimo jogo. Talvez esse indie tenha sido vítima da sua própria ambição.
Cópia de PS5 cedida pelos produtores.
Revisão: Júlio Pinheiro