Timberborn é um simulador de gerenciamento de cidades estrelado por castores. Sua proposta, embora pareça simples, revela grande personalidade e mecânicas bem adaptadas ao cenário pós-apocalíptico.
Desenvolvimento: Mechanistry
Distribuição: Mechanistry
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Estratégia, Simulação
Classificação: 10 (violência)
Português: Interface
Plataforma: PC
Duração: 23 horas (campanha)/50 horas (100%)
Árvores abaixo

Os protagonistas roedores são notavelmente cativantes. Embora o título não exiba gráficos super detalhados (como esperado de um game de estratégia), as animações são bem legais e as construções possuem um charme particular. A variedade de edifícios singulares e as opções de customização me surpreenderam inicialmente. O menu inicial pode ser intimidador devido à vasta seleção de recursos, que estão bloqueados no começo do game, mas com persistência e muita leitura, eu me acostumei com esse mundo.

Um dos principais elementos de distinção é a capacidade de empilhar estruturas, o que torna a verticalidade um aspecto crucial na organização do seu assentamento. É possível criar um condomínio de casas empilhadas, algo que poucos jogos do tipo podem proporcionar. Além disso, pensar no espaço entre rotas, escadas e plataformas exige uma nova mentalidade de planejamento. O sistema de geração e transporte de energia elétrica também apresenta peculiaridades: são necessários elos que ocupam uma unidade de espaço para a transmissão, o que exige atenção redobrada ao dimensionar a rede de distribuição e uma dificuldade de integração com a cidade.
Fluidodinâmica é a alma do negócio

O destaque principal, contudo, reside na simulação de águas e correntes, extremamente bem executada e vital para o desenvolvimento do assentamento. A presença de rios e lagos é essencial para o crescimento de novas árvores e plantações. Como os castores constroem barragens na vida real para esse controle, essa se torna uma mecânica fundamental no jogo.
O simulador não apresenta combate, facções inimigas ou exércitos. O verdadeiro adversário é o próprio ambiente pós-apocalíptico, com seus fenômenos naturais que podem ser superados de maneiras variadas. A maioria dessas soluções envolve construir uma barragem, claro. Secas são constantes e fazem com que não haja mais água para as lavouras ou para beber; a melhor estratégia para lidar com isso é bloquear a água e criar um lago artificial próximo da sua cidade. Isso evolui de forma natural ao longo dos ciclos, e logo eu estava planejando correntes específicas de águas sujas por todo o mapa para não afetar as lavouras. O controle dos fluxos de rios é uma parte fundamental e é extremamente bem colocada, com diferentes tipos de bloqueios, portas e automações para que isso aconteça.
De cabanas a robôs

As automações, que surgem depois de algumas horas, funcionam como um subsistema complexo. Os variados sensores e robôs disponíveis no ponto mais avançado no game permitem combinações para múltiplos propósitos, desde um simples controle hídrico a controles de imigração entre diferentes partes da sua cidade, alguns vídeos mais avançados mostram telas que exibem informações apenas com esses recursos.

Adicionalmente, há um segundo fator que aumenta ainda mais o tempo de jogo: uma segunda facção de castores que funciona completamente diferente, os Dentes de Ferro. Eles se reproduzem a partir de incubadoras artificiais e têm construções diferentes, focadas em processar metal mais do que madeira. É um adicional fenomenal para aqueles que querem uma desculpa para só mais uma cidade.
O ápice das cidades de castores
Em conclusão, Timberborn oferece uma experiência com um toque de inovação, sem abandonar a essência da construção de cidades. A satisfação de planejar a manipulação do terreno com as ferramentas oferecidas e conseguir executar é recompensadora. Muitas horas de diversão são garantidas, com muitas barragens a serem construídas no caminho.
Revisão: Júlio Pinheiro
Cópia de PC cedida pelos produtores.




