Tokyo Xtreme Racer traz as corridas para as auto-estradas de Tóquio com um gostinho dos anos 90. A franquia, que foi praticamente esquecida, está de volta, com foco em estética japonesa, personalização e duelos alucinantes.
Desenvolvimento: Genki Co.
Distribuição: Genki Co.
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Corrida
Classificação: Livre
Português: Não
Plataforma: PC, PS5
Duração: 20 horas (campanha)/27 horas (100%)
O instinto da corrida desperta

A primeira coisa que se percebe aqui é que a apresentação traz uma certa nostalgia de animes, como Initial D, e vídeos antigos. A metrópole, somada a seleção de veículos japoneses clássicos dos anos 90, que podem ser totalmente modificáveis, desde a sua placa e cores até transformações externas como body kit e neon juntos a uma trilha sonora cheia de Eurobeat consegue fechar todos os aspectos de corridas de rua associadas com o Japão e deixa o título com um charme próprio.
Ainda é possível enxergar o orçamento limitado de uma empresa que passou anos fora do gênero, mas também é aparente quais foram os focos do time e eles são muito bem implementados. As ruas da capital japonesa são mostradas numa escala que, se não for a real, parece muito próxima, para o bem e para o mal. Apesar de admirar o esforço, em alguns momentos eu me vi dirigindo bastante entre os pontos para encontrar o meu objetivo. O ambiente também é clássico para quem já experienciou outras entradas do gênero como Gran Turismo. Esse charme e dedicação em focar em um único local traz também um defeito: há a sensação de que é tudo muito parecido, por mais que partes diferentes da estrada tenham elementos diferentes, ainda fica uma sensação de mesmice.
Seja a nova lenda de Tóquio

A exploração começa com apenas um único ponto: uma rampa de partida, mas quanto mais o jogador explora, é possível encontrar outros pontos de entrada. Isso não acontece em um mundo aberto de verdade, mas o jogador fica livre na via expressa de Tóquio para seguir desafiando mais pessoas enquanto seus pneus não se desgastam de vez, com a possibilidade de trocar pneus em estacionamentos espalhados pela cidade. O único motivo para voltar a garagem é fazer upgrades, trocar de carro ou só um modo mais conveniente de ir para outra parte do mapa sem ter que dirigir até lá.

Aqui, há um único formato de embate: duelos para acabar com os pontos de espírito do seu adversário. Os combates se iniciam quando você joga um farol alto para o possível rival a sua frente que prontamente aceita e o confronto pode começar. É possível desafiar literalmente qualquer carro na pista, desde os seus oponentes de gangues rivais a veículos de passeio, táxis e até pequenos caminhões. Para acabar com a barra de espírito do seu desafiante, é preciso se manter 30 metros ou mais à frente, ou fazer com que ele colida com a parede ou outros obstáculos.
É hora do duelo

Esse formato inicialmente me deixou questionando se só seria possível ganhar com um carro mais rápido, já que o jogo oferece um circuito que tem poucas curvas e muitas faixas, deixando pouco espaço para ultrapassagens de forma clássica, mas as possibilidades de estratégia, tanto para ataque quanto para defesa foram bem diversas. Defender sua posição, seja bloqueando ou dificultando seu inimigo pegar um vácuo ou você mesmo pegar para conseguir chegar no carro a frente são boas táticas e os inimigos tem artimanhas próprias que foram sendo introduzidas aos poucos. É uma progressão bem legal nesse sentido e que fica ainda mais interessante com os upgrades no caminho, como o nitro, que traz mais uma camada de estratégia.

Uma curiosidade aqui também é a falta de um modo multiplayer, não há a possibilidade nem local, nem online. Por tudo o que eu notei, parece ter sido uma decisão consciente de pelo menos não ser incluído inicialmente, já que os duelos funcionam bem melhor contra adversários com estratégias específicas e em um cenário competitivo com humanos, ficariam ainda mais evidentes os problemas citados anteriormente. Não seria ruim se fosse adicionado depois, mas sinceramente não senti falta durante a jornada.
Repetitivo, mas divertido
No fim das contas, a experiência de Tokyo Xtreme Racer me fisgou por completo. É verdade que o foco exclusivo na Shuto Expressway e o único formato de duelos para acabar com os pontos de espírito podem gerar uma sensação de monotonia, mas as sessões rápidas e objetivos claros me fizeram continuar mesmo assim. As táticas nos confrontos, o nitro que adiciona uma camada extra de estratégia e a evolução do carro me mantiveram focado e engajado o tempo todo. Para quem adora a cultura de corrida de rua japonesa dos anos 90, este não é apenas um jogo de corrida – é um passeio viciante e cheio de charme próprio por uma Tóquio noturna e cheia de velocidade.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Júlio Pinheiro




