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Revisitando Resident Evil Code: Veronica X (PS4) – Uma joia rara do survival horror raiz

Lançado originalmente para o Dreamcast, Resident Evil Code: Veronica foi o primeiro jogo da série a utilizar gráficos totalmente em 3D, deixando de lado os cenários pré-renderizados da trilogia original de PS1. Para quem viveu aquela época, o salto gráfico impressionava de verdade. Após chegar ao último console da Sega, o título ganhou versões em outras plataformas com o subtítulo “X” e novas cenas incorporadas à campanha.

Desenvolvimento: Capcom 

Distribuição: Capcom 

Jogadores: 1 (local) 

Gênero: Terror, Tiro 

Classificação: 18 anos (violência extrema, linguagem imprópria, conteúdo sexual) 

Plataformas: GameCube, PS2, PS3, PS4, Xbox 360

Duração: 12.5 horas (campanha)/17.5 horas (100%)

Saindo de Raccoon City 

Agora é numa ilha cheia de soldados zumbis
Agora é numa ilha cheia de soldados zumbis

Resident Evil Code: Veronica X continua a saga de Claire Redfield em busca de seu irmão Chris, que ela descobriu no segundo jogo ter seguido para a Europa para desmascarar a Umbrella Corporation. Claire acaba capturada na ilha Rockfort, localizada no Pacífico Sul e pertencente à própria Umbrella.

Após fugir dos militares, ela se vê cercada novamente por zumbis, agora criados por uma nova mutação do vírus, o T-Veronica, que se espalhou pela ilha e infectou praticamente todos os habitantes. No meio do caos, Claire aceita a companhia do controverso Steve Burnside e passa a ser perseguida por um vilão com ares de grandeza — sem contar outra figura antiga da série que também busca algo na ilha e, obviamente, não está do lado dela.

Uma sensação agridoce 

Algumas coisas pareciam melhores na época
Algumas coisas pareciam melhores na época

Rejogar Resident Evil Code: Veronica X em pleno 2026 traz um misto de sentimentos, mas sensações boas em sua maioria, pois considero esse o segundo melhor jogo da série (perdendo apenas para o remake do primeiro Resident Evil). É um jogo raiz que, mesmo com cenários em 3D e uma câmera que segue seus personagens, ainda mantém a mesma jogabilidade tanque dos jogos anteriores.  

Falando em jogabilidade, faz falta uma melhoria nos controles. A versão lançada para PlayStation 4 basicamente roda a mesma edição de PlayStation 2 como uma simples emulação. Não há opção de controles modernos, como vimos nos remasters do remake do primeiro jogo e de Resident Evil 0. Usar o analógico, aqui, piora a situação. Estranhei também o mapeamento padrão japonês, que coloca o botão bola para correr. Felizmente, consegui ajustar para correr com o quadrado, como prefiro.

O clima aterrorizante permanece
O clima aterrorizante permanece

Outros ruídos não passam despercebidos. Algumas decisões soam como retrocesso, como a obrigação de apertar o botão de ação para subir uma simples escada — algo que Resident Evil 3: Nemesis já havia resolvido. Soma-se a isso o excesso de backtracking, que é revisitar áreas antigas para abrir novos caminhos e pegar novos itens. Isso faz parte da identidade da série, mas Code: Veronica exagera em certos momentos, a ponto de a campanha parecer estagnada, como se estivéssemos andando em círculos.. 

Curiosamente, o jogo usa tanto esse recurso que, na metade da campanha, reaproveita os mesmos cenários por rotas completamente diferentes. O efeito não tem meio-termo: ou você admira o aproveitamento inteligente dos espaços, ou simplesmente se cansa de revisitar tudo outra vez — ainda mais por ser um jogo relativamente longo, comparado aos outros clássicos. 

Um jogo único

As história inacabadas se reencontram aqui
As história inacabadas se reencontram aqui

Code: Veronica X busca um equilíbrio: o game introduz elementos novos sem tentar reinventar a roda. A trama é ambiciosa e mais elaborada do que a média da série. Alguns aspectos não envelheceram tão bem, principalmente na abordagem de certos temas, mas ainda encontramos um enredo ousado, com ritmo consistente e uma das trilhas sonoras mais marcantes da franquia, inclusive. 

Os zumbis continuam ali, assim como os cães infectados e outras criaturas mutantes. Ainda assim, este capítulo carrega um refinamento diferente, uma personalidade própria. O título entrega uma cena de abertura eletrizante, uma Claire mais desenvolvida e um vilão tão caricato que chega a flertar com o cômico. E a atmosfera gótica bebe da fonte de clássicos como Psicose. Isso é Resident Evil Code: Veronica X.

Hoje as rugas estão à amostra

Se antes essa cena era romântica, hoje é problemática
Se antes essa cena era romântica, hoje é problemática

Com o olhar atual, alguns problemas ficam evidentes. O jogo aborda temas sensíveis de maneira questionável, especialmente na forma como retrata a família Ashford, além de tropeçar na construção de Steve em determinados momentos.

A dublagem também denuncia a época. Ela mantém o mesmo tom amador da trilogia original, o que causa estranhamento agora que os modelos são totalmente em 3D e as expressões ficam mais evidentes.

Zumbis no gelo
Zumbis no gelo

Outro ponto negativo é que o jogo não oferece níveis de dificuldade adicionais após a primeira campanha, liberando apenas o modo Battle, que até diverte por um tempo ao incentivar ranks melhores e eliminação rápida de inimigos, apesar de parecer uma versão menos inspirada do modo Mercenários apresentado em Resident Evil 3: Nemesis.

E não o menos importante: como a Capcom disponibilizou essa versão no PS4 ao invés da remasterização que foi lançada para PS3 e Xbox 360 em 2011? Um erro crasso que soa como má vontade. Se prepare para não ter nenhuma modernização de controle, nenhuma melhoria gráfica e jogar com a tela quadrada, sem preencher toda a televisão.

Um jogo para quem curte um Resident Evil à moda antiga 

Resident Evil Code:Veronica X entrega personalidade desde a cena inicial. A ilha Rockfort poderia receber desenvolvimento mais aprofundado, mas permanece viva o suficiente para que seus cenários fiquem na memória dias depois. Ainda assim, recomendo o jogo principalmente para quem viveu seu lançamento original ou para quem curte a fase clássica da franquia. Quem prefere o estilo de câmera sobre o ombro, popularizado a partir de Resident Evil 4, talvez prefira aguardar por um possível remake.

Cópia de PS4 adquirida pelo autor

Revisão: Julio Pinheiro

RESIDENT EVIL CODE: VERONICA X

8.5

NOTA FINAL

8.5/10

Prós

  • Trilha sonora
  • Personagens marcantes
  • Gráficos acima da média para a época
  • Campanha cheia de reviravoltas

Contras

  • Versão emulada de PS2
  • Excesso de backtracking
  • Algumas mecânicas retrocederam