Crisol: Theater of Idols

Review Crisol: Theater of Idols (PC) – Um survival horror espanhol

A Blumhouse, renomada produtora de filmes de terror, decidiu expandir para os games há um tempo e, desde então, vem investindo em jogos desse mesmo gênero. Agora, a empresa está publicando Crisol: Theater of Idols, um survival horror desenvolvido pela equipe madrilenha da Vermila Studios que traz uma jogabilidade que lembra bastante Resident Evil Village, sob uma proposta interessante e diferenciada.

Desenvolvimento: Vermila Studios

Distribuição: Blumhouse Games

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Terror, Tiro, Ação

Classificação: 18 anos (violência extrema, conteúdo sexual, linguagem imprópria)

Português: Não

Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S

Duração: 12 horas (campanha)

Matando com o próprio sangue

Gameplay de Crisol

Com uma narrativa ambientada em Hispânia, uma versão alternativa e completamente sinistra da Espanha, Crisol: Theater of Idols coloca o jogador na pele do capitão Gabriel Escudero, um soldado que, após ser revivido, precisa embarcar em uma jornada aterrorizante para cumprir uma missão divina vinda diretamente do Deus Sol.

Gabriel é praticamente um vampiro e depende do sangue alheio para viver, seja de animais ou de pessoas. Para poder se defender das ameaças, o protagonista precisa recarregar suas armas com o próprio sangue, sendo esse o grande diferencial do jogo. O combate, ao estilo dos FPS mais cadenciados, é agradável, com mecânicas de mira responsivas e até a possibilidade de dar um parry nos inimigos com a faca utilizada pelo personagem principal.

Mapa de Crisol

Afinal, os games de survival horror sempre foram focados no gerenciamento de recursos, e Crisol: Theater of Idols coloca essa característica no ponto central da gameplay, uma vez que, se o jogador errar tiros demais e recarregar muitas vezes, vai acabar simplesmente morrendo. Claro que essa mecânica é bem ajustada pelos desenvolvedores, então, dependendo da dificuldade escolhida, a quantidade de vida necessária para completar um cartucho da arma em questão é sutilmente reduzida, evitando frustrações desnecessárias.

Um Resident Evil Village-like

Cena em Crisol

Crisol: Theater of Idols traz uma estrutura muito semelhante à franquia Resident Evil, mais especificamente Village, o oitavo título principal da série da Capcom, por conta da tentativa de combinar terror e ação com uma câmera em primeira pessoa. Há mercadores e moedas que podem ser encontrados pelo mapa ou ao derrotar inimigos, usados para melhorar os equipamentos usados por Gabriel.

O game emula Resident Evil tanto em seus piores quanto em seus melhores lados, mas com uma profundidade notavelmente reduzida em termos de gameplay, sentida principalmente nos puzzles, que não chegam perto de ser tão engenhosos quanto os da franquia usada como inspiração.

Cutscene de Crisol

Crisol: Theater of Idols é, no geral, uma experiência repleta de eventos de ação rápida (QTEs) para várias ações e interações, ao mesmo tempo em que proporciona uma campanha com muita linearidade em diversos momentos, além de um design de mundo que peca por sua obviedade e pela falta de espaço para a exploração. E, como os inimigos não chegam a ser particularmente assustadores, o game acaba sendo uma experiência de terror na qual o medo, que deveria ser o principal aspecto do gênero, passa facilmente despercebido — há apenas tensão ao longo da jogatina e bem pouca.

Um pouco óbvio demais

Correntes pintadas de amarelo em Crisol

Crisol: Theater of Idols erra por ter um design de mundo pouco sutil, ao mesmo tempo em que traz uma das ambientações mais interessantes já vistas em um game, justamente porque a ideia de ter uma versão sinistra de um lugar como a Espanha como palco de um jogo de terror ainda é pouco explorada por muitos desenvolvedores.

Há uma presença excessiva de indicadores que servem para fazer com que a jogabilidade flua com mais facilidade, como madeiras e até correntes pintadas de amarelo, mas que, em compensação, tiram um pouco da imersão no universo apresentado por Crisol. O jogo, a propósito, é melhor apreciado com a opção de voz em espanhol, que contribui muito para reforçar a atmosfera da jornada de Gabriel e na região de Tormentosa, o hub onde boa parte da campanha é situada, também no estilo de Resident Evil Village.

Combate em Crisol

A apresentação do jogo, que foi feito na Unreal Engine, é excelente, com bons visuais, mas sofre com um desempenho excessivamente pesado e com a falta de técnicas de upscaling para amenizar esse problema. Além da ausência de funcionalidades para aumentar o campo de visão, a versão de PC de Crisol: Theater of Idols também não conta com suporte completo ao formato de tela ultrawide — somente o menu principal é exibido sem barras laterais, enquanto a gameplay propriamente dita não é, algo difícil de entender.

É uma boa experiência

Crisol: Theater of Idols é naturalmente um título mais limitado do que um Resident Evil, e a inspiração em Village deixa isso claro, já que até os stalkers se comportam de forma mais simplista do que nos games da Capcom — que não são lá tão assustadores por si sós. Porém, os pontos positivos acabam se sobressaindo em relação aos negativos, pois a história e seus personagens são intrigantes, e a jogabilidade diferenciada funciona bem. Essa é uma boa experiência para os fãs de survival horror, ainda mais por ser um game barato, ao menos na Steam — o jogo foi lançado por cerca de R$ 55 e dura mais de 10 horas na primeira vez, valendo a pena, sem dúvidas.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

Crisol: Theater of Idols

8

Nota Final

8.0/10

Prós

  • Proposta interessante
  • Universo único
  • Jogabilidade agradável

Contras

  • QTEs demais
  • Muitos indicadores óbvios no mapa
  • Pouco terror