Blue Prince é um jogo que mistura puzzle, exploração, mistério e investigação em um formato roguelike, tudo em primeira pessoa, em uma experiência única. O game chega agora ao Switch 2 com bons controles por mouse, mas com um desempenho que deixa a desejar.
Desenvolvimento: Dogubomb
Distribuição: Raw Fury
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Aventura
Classificação: Livre
Português: Não
Plataformas: PC, Switch 2, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 18 horas (campanha)/100 horas (100%)
Prove que merece ser herdeiro

A premissa de Blue Prince é um pouco inusitada, mas interessante. O sr. Herbert Sinclair acaba de morrer e, em seu testamento, ele deixa a sua mansão para você, Simon, seu sobrinho-neto. Mas não é de mão beijada: para receber a mansão e tudo mais que tiver direito, você deve provar que merece encontrando a sala 46, na propriedade de… 45 salas. A pegadinha é que você só pode dar um determinado número de passos na mansão a cada dia e a disposição das 45 salas muda todo dia. E com isso, está instalado o ambiente que você passará algumas ou várias horas até se mostrar merecedor da bolada.
Esse contexto é a base para a gameplay de Blue Prince. Jogamos em primeira pessoa, começando pelo hall de entrada da mansão, e vamos aos poucos liberando diferentes salas, dentre algumas opções aleatórias a cada porta. O formato roguelike consiste em que a disposição das salas é sempre diferente e, ao ficarmos sem opção de novas portas para abrir ou acabar o nosso número de passos (um é gasto ao entrar em cada sala), temos que encerrar o dia e começar do zero.
A busca pela sala secreta

Aos poucos avançamos na busca pela sala 46, resolvendo puzzles espalhados pelas salas que vão nos dando mais detalhes sobre a história, sobre como atingir certos objetivos e resolver mistérios. É um jogo que exige um comprometimento maior que o normal, pois você com certeza precisará fazer anotações, seja num caderno ou, se estiver com preguiça, tirando prints da tela para consultar depois (mas posso afirmar que esse modo não é tão eficiente). Para quem gosta de um jogo que é preciso sentar para pensar e tem um grande nível de recompensa para o seu raciocínio, Blue Prince é uma escolha excelente.
Também temos recursos para gerenciar, como gemas, chaves, dinheiro e os já citados passos. Sendo um roguelike, temos elementos que melhoramos permanentemente, como salas específicas, mais passos ou dinheiro. Porém, o que mais acaba importando é o seu conhecimento vindo das partidas anteriores e puzzles já resolvidos. Assim, você pode chegar ao final em 10 dias, 30 ou várias dezenas, mas o que importa é a jornada. E mesmo após encontrar a sala 46, ainda há mistérios a se descobrir.
Idealmente, é bom experimentar antes de comprar

Dito tudo isso, acho importante ressaltar que Blue Prince não é para todos. Não por ser necessariamente difícil, mas por questão de gostar mesmo. É necessário paciência, certa dedicação e que o jogo realmente “clique” com você, o que pode ser um pouco difícil de explicar. Não raramente você terá rodadas que não rendem em nenhum tipo de avanço e também podem ser necessárias várias rodadas para resolver um único determinado elemento.
Mas o que mais me incomodou é que há um alto fator de aleatoriedade em todo o jogo, o que pode fazer que a sua partida termine em nada, por mais que você tome as melhores decisões ao seu alcance. Você pode estar cheio de recursos, mas é obrigado a desistir da run porque as opções de salas que apareceram te conduziram a um caminho sem saída. Em suma, por melhor que o jogo seja, ele pode não ser para você, e está tudo bem.
Nada de príncipe azul

Além disso, é praticamente mandatório o domínio do inglês: não só para entender a história, mas para resolver os puzzles e avançar na jornada. E não é questão do jogo apenas ser traduzido para português. O problema é mais fundo, pois vários puzzles são baseados em textos originais no idioma, com o próprio desenvolvedor dizendo que localizar o game é inviável (o próprio nome Blue Prince é um trocadilho com blueprint, palavra que pode se referir à planta de uma casa). Por fim, daltônicos podem ter problemas para resolver os quebra-cabeças que dependem de cores.
A versão do Switch 2 implementa o uso do mouse na mão direita para navegar, o que funciona bem e virou meu método de controle preferido, ainda que eu também gostaria que houvesse a opção de controle por movimento. Mas, infelizmente, o desempenho do jogo não é dos melhores, rodando a 30 quadros por segundo. Não é um desastre para um jogo como esse, mas fica constantemente a sensação de que poderia tudo ser mais fluido.
Pode ser seu novo jogo favorito, ou não, e tudo certo
Blue Prince é um jogo peculiar e com poucos paralelos no mercado. Se você gostar da proposta e estiver disposto a quebrar a cabeça para resolver todos os mistérios da mansão do barão Herbert Sinclair, encontrará um prato cheio para dezenas de horas de diversão. Mas se não gostar, tudo bem, pois nem tudo precisa ser para todo mundo. Mas certamente vale experimentar.
Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




