John Carpenter's Toxic Commando

Review John Carpenter’s Toxic Commando (PC) – Matando zumbis e dirigindo

John Carpenter’s Toxic Commando reúne as mecânicas de lançamentos anteriores da Saber Interactive como World War Z e SnowRunner em uma experiência com o DNA de filmes B das obras do diretor que leva o nome do jogo. O game apresenta uma aventura sanguinolenta e divertida que merece atenção, apesar de sua campanha ser um tanto curta.

Desenvolvimento: Saber Interactive

Distribuição: Focus Entertainment

Jogadores: 1-4 (online)

Gênero: Tiro, Terror

Classificação: 16 anos (violência extrema, linguagem imprópria, conteúdo sexual, compras em jogo, conversa em jogo, interatividade online)

Português: Interface e legendas

Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S

Duração: 8 horas (campanha)

O mesmo jogo de zumbis, mas agora com veículos

Gameplay de Toxic Commando

Left 4 Dead, em 2008, ditou o tom de todos os jogos de matar hordas de zumbis que vieram depois dele: quatro jogadores precisam trabalhar em equipe para eliminar tudo que veem pela frente enquanto cumprem objetivos para abrir caminho em direção à sobrevivência. Essa é a proposta básica de Toxic Commando, mas com algumas mudanças naturais, tanto para que o título não seja uma mera cópia quanto para que ele seja o que é esperado de um game lançado em 2026, após 18 anos.

Afinal, se World War Z perguntou “e se Left 4 Dead fosse um musou de zumbis?” lá em 2019, Toxic Commando expande esse questionamento, indo além e querendo saber o que aconteceria se Left 4 Dead fosse um musou e tivesse as mecânicas de simuladores como SnowRunner e MudRunner. O resultado é uma combinação doida, mas funcional, com uma jogabilidade que envolve matar hordas gigantescas de zumbis em um mapa enorme, cheio de pistas com uma dirigibilidade desafiadora e insalubre.

Missão em Toxic Commando

Essa proposta maluca foi executada com sucesso por Toxic Commando, que tem como pretexto narrativo um desastre que precisa ser coibido por uma equipe de mercenários, que tem essa missão de salvar o mundo e evitar que o pior aconteça. É uma narrativa com o clima de um filme de John Carpenter — que, segundo ele mesmo, deixou colocarem seu nome no jogo simplesmente e unicamente por dinheiro. O lendário diretor, no entanto, contribuiu principalmente na produção da trilha sonora, além da história em si, que é bastante cativante no fim das contas, apesar de não ser o foco exato do game.

Gameplay com novidades

Dirigindo em Toxic Commando

Toxic Commando adota uma câmera em primeira pessoa e é um jogo de tiro focado em cooperação comum, sem grandes novidades nisso. Cada mercenário do time pode pertencer a quatro classes diferentes, entre médico, atacante, operador e defensor. Cada classe tem suas habilidades, incluindo uma ultimate que é carregada ao longo das partidas. Elas são úteis para eliminar os zumbis e chefes nos momentos mais caóticos da jogatina, e não só podem como devem ser usadas em conjunto para ter um efeito ainda mais devastador nos adversários.

Portanto, há toda uma progressão baseada em desbloquear mais melhorias e habilidades para cada classe, além de um sistema de armamentos bem robusto que permite a criação de builds para os personagens. Esse sistema só é meio chato de lidar porque cada arma tem seu nível distinto para liberar aprimoramentos, em vez de existir um único nível global. Isso acaba incentivando mais a seguir com uma única opção para melhorá-la de vez do que explorar todos os equipamentos fornecidos pelo game, apesar de existir a possibilidade de pegar armas aleatórias no mapa, o que também conta para a progressão do nível delas.

Tiroteio sem fim em Toxic Commando

Ainda assim, essas funcionalidades colocam o jogo um pouco além de completar apenas as missões da campanha, que é dividida em três atos distintos, em diferentes níveis de dificuldade. O game, em si, é curto, já que essas missões não duram mais que 30 minutos cada, e são nove delas no total. Porém, Toxic Commando é altamente rejogável por ser um shooter com foco em multiplayer cooperativo, embora haja a opção de jogar com bots preenchendo o papel da equipe. Os desenvolvedores prometem lançar atualizações por um bom tempo, entregando patches gratuitos com melhorias e novos conteúdos, além de DLCs cosméticas pagas — então, haverá muito conteúdo além do que foi lançado, restando somente esperar.

Tecnicamente impressionante

Horda em Toxic Commando

Baseado na Swarm Engine, proprietária da Saber Interactive, Toxic Commando exibe a todo instante hordas de zumbis massivas, com um desempenho praticamente perfeito, sem quedas constantes na performance independentemente do que acontece nas partidas. É realmente impressionante como os desenvolvedores conseguiram mais uma vez entregar uma experiência nesse nível de primor técnico e, dessa vez, sem problemas de conexão para os jogadores brasileiros. Os servidores estão regionalizados e o matchmaking é rapidíssimo, com suporte ao crossplay entre todas as plataformas nas quais o título foi disponibilizado.

Graficamente, John Carpenter’s Toxic Commando traz duas estéticas diferentes que podem ser alternadas conforme a vontade do jogador. Uma opção tem um tom mais sóbrio e realista, enquanto a outra apresenta uma imagem com filtros de correção de cores — essa última combina mais com o conceito do game, entregando visuais mais distintivos e vibrantes.

Carro em Toxic Commando

Um outro detalhe é que, embora tenha as mecânicas de SnowRunner e MudRunner dentro do jogo, Toxic Commando não tem os mesmos terrenos ultradetalhados desses jogos automobilísticos, provavelmente por uma questão de desempenho aliada ao funcionalismo da própria jogabilidade. Fora isso, os visuais são ótimos, mas somente durante a gameplay. As animações das cutscenes não são tão boas e esse é o principal aspecto que mostra que essa é uma produção AA, de menor orçamento, mas isso, claro, não atrapalha a jogabilidade de forma alguma.

Muito legal

John Carpenter’s Toxic Commando é mais um acerto da Saber Interactive, que está entregando um jogo caótico, insano e de altíssima qualidade, apesar de ter algumas limitações no seu escopo, por não ser uma superprodução. O estúdio já havia lançado um ótimo título de zumbis no passado, mas essa experiência é totalmente diferente, ainda que faça parte do mesmo gênero, justamente pela adição bem-sucedida de novas ideias na jogabilidade. O shooter é com certeza uma ótima alternativa para todos os órfãos da franquia Left 4 Dead, precisando só de um pouquinho mais de conteúdo além da campanha.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Ailton Bueno

John Carpenter’s Toxic Commando

8.5

Nota Final

8.5/10

Prós

  • Combinação inusitada funciona
  • Performance ótima no PC

Contras

  • Cutscenes com animações feias
  • Não funciona offline
  • Pouco conteúdo