Um grande marco para Starfield é o lançamento de Vias Livres, sua maior atualização grátis que foca em melhorias na exploração e reformulações de sistemas centrais do jogo, juntamente com Terran Armada, sua nova DLC de história. Aqui, temos a promessa de Starfield deixar de ser um “simulador de menus” para tentar alcançar o status de obra-prima que lhe foi prometido no lançamento original – que era exclusivo de Xbox nos consoles, mas que agora também está disponível para PlayStation 5.
Desenvolvimento: Bethesda Game Studios
Distribuição: Bethesda Softworks
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 16 anos (violência extrema, drogas)
Português: interface, legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 8 horas (campanha)
A fronteira que enfim se abre

Desde que a Constelação nos convidou pela primeira vez a coletar artefatos, o sentimento geral era de uma vastidão um tanto… estéril. Starfield sempre foi um jogo de contrastes: uma beleza técnica estonteante interrompida por telas de carregamento incessantes. No entanto, a atualização Vias Livres mostra que a Bethesda finalmente ouviu o feedback sobre esse “atrito” no jogo.
Ao olharmos para o que o jogo é hoje e o que ele se torna com a atualização, percebemos um movimento de correção de curso similar ao que No Man’s Sky e Cyberpunk 2077 trilharam. A promessa não é apenas de mais conteúdo, mas de uma mudança na filosofia de como habitamos o espaço.
A mecânica de jogo de Starfield sempre foi sólida no “tiro, porrada e bomba”, mas pecava no que unia esses momentos. A grande falha de design era o sistema de transição obrigatória. Você não “viajava” para um planeta, só selecionava um destino em um mapa e assistia a uma cutscene. Com a chegada do Modo Cruzeiro na atualização Vias Livres, a Bethesda ataca o coração dessa crítica. A possibilidade de viajar entre planetas em tempo real dentro de um sistema solar muda tudo. Agora, a nave deixa de ser um hub estático para se tornar um veículo de descoberta. Comparado a Elite Dangerous, Starfield ainda é mais acessível, mas essa transição manual aproxima o jogador da escala real do universo. É o fim da sensação de estar em “instâncias” separadas e o início de uma exploração espacial contínua.

Somado a isso, a vastidão do espaço ficou um pouco mais ocupada com novos encontros que vão desde naves hostis ou abandonadas a outros eventos que trazem interações em potencial. Enquanto nos planetas temos novos biomas, mais tipos de encontros e muitos novos pontos de interesse para explorar com seu novo veículo Salto Lunar. Por fim, os entrepostos finalmente deixaram de ser pontos isolados na galáxia com a adição do baú compartilhado, um tipo de container capaz de ser acessado por outros lugares da galáxia. Chega de ficar indo e vindo de todos os outros planetas recolhendo materiais para construir ou personalizar seu entrepostos.
O peso do aço
Se o jogo base sofria com uma trama principal que demorava a engrenar e o conteúdo da expansão Shattered Space foi criticado por ser contido demais, a DLC Terran Armada parece trazer a urgência que faltava para Starfield. A introdução de uma nova facção autoritária de humanos que se vê como os “verdadeiros filhos da antiga Terra” é o diferencial narrativo que o jogo precisava para sair do otimismo limpo da Constelação e entrar em um território mais cinzento e militarista.

A inclusão de um companheiro robótico Terrano não é apenas um adendo cosmético, pois ele serve como uma lente para explorarmos as falhas da colonização humana e traz diálogos filosóficos sobre inteligência artificial e o custo da guerra, algo que dá mais maturidade narrativa ao universo. O tom aqui é mais sombrio, com uma estética militarista que contrasta com o visual limpo da Constelação.
Essa expansão foca no que a Bethesda faz de melhor: construção de mundo através de documentos, diálogos e ambientação. Comparado a jogos como Mass Effect, onde as decisões políticas têm peso imediato, Starfield sempre foi mais passivo, mas Terran Armada promete mudar isso com os “Eventos de Incursão”. Diferente dos encontros aleatórios comuns, as Incursões são batalhas de larga escala e vários níveis que lembram as melhores missões de Star Wars: Battlefront, em que você começa batalhando no espaço e termina invadindo a nave mãe inimiga e destruindo ela por dentro. Por fim, suas vitórias (ou derrotas) ditam a presença da Armada em certos sistemas.
As falhas que a tecnologia não apagou
Apesar do salto de qualidade, Starfield ainda carrega o DNA de sua criação. A inteligência artificial dos inimigos humanos, embora melhorada com os novos “Modificadores Lendários”, ainda pode ser explorada em ambientes fechados. O sistema de mapas das cidades, embora funcional, continua menos intuitivo do que o desejado em metrópoles como Neon.

Outro ponto é a repetição de modelos de interiores em estruturas procedurais. Embora o Modo Cruseiro adicione novos pontos de interesse no espaço, os POIs terrestres ainda sofrem com a sensação de “déjà vu” após muitas horas de exploração.
Em 2026, Starfield ocupa um espaço único. Ele não tem a liberdade de voo atmosférico de No Man’s Sky, mas oferece uma estabilidade e um loop de RPG muito mais recompensador, embora necessite de um grind excessivo da nova X-Tech (material adicionado para dar upgrades lendários em todos os tipos de itens) e muitos créditos. Comparado a Mass Effect, ele carece de um elenco tão icônico em todas as missões secundárias, mas compensa com uma liberdade de customização de naves e bases que nenhum outro jogo do gênero chega perto.
Merece o retorno?
Essa atualização marca o momento em que Starfield deixa de ser um projeto ambicioso com falhas de execução para se tornar um ecossistema de jogo completo. Vias Livres remove as barreiras artificiais que impediam a imersão, enquanto Terran Armada oferece o conflito e a profundidade que os fãs de RPG exigiam. Se você abandonou o jogo no lançamento por causa da monotonia ou das telas de carregamento, o “Starfield 2.0” é o convite definitivo para retornar. O universo finalmente parece estar vivo, perigoso e, acima de tudo, digno de ser explorado sem interrupções.
Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores
Revisão: Júlio Pinheiro




