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Review Cthulhu: The Cosmic Abyss (Xbox Series X) – O chamado das profundezas

Mergulhamos nas profundezas abissais de Cthulhu: The Cosmic Abyss, o mais novo projeto da Big Bad Wolf em parceria com a NACON. Conhecidos por redefinir o RPG narrativo com The Council e Vampire: The Masquerade – Swansong, o estúdio francês agora transporta o horror cósmico de H.P. Lovecraft para um cenário futurista e claustrofóbico. 

Desenvolvimento: Big Bad Wolf
Distribuição: NACON
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 18 anos (violência extrema, conteúdo sexual, drogas)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 10 horas (campanha)

Uma nova face para o horror

Noah é nosso protagonista.

“Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn.”

Esqueça as bibliotecas empoeiradas e os detetives de sobretudo dos anos 1920. Cthulhu: The Cosmic Abyss nos leva a 2053, em um mundo onde os recursos terrestres secaram e a humanidade estendeu seus tentáculos gananciosos para o fundo do Oceano Pacífico. Assumimos o papel de Noah, um agente da Ancile, uma organização secreta especializada em fenômenos ocultos.

A premissa é instigante: uma estação de mineração subaquática ultra-avançada silenciou-se repentinamente. O que começa como uma investigação corporativa padrão rapidamente se transforma em uma jornada surreal em direção à cidade submersa de R’lyeh. A Big Bad Wolf acertou em cheio ao misturar uma estética mais futurista funcional com o horror orgânico e indescritível de Cthulhu. É uma abordagem fresca que evita os clichês do gênero enquanto mantém a essência do “medo do desconhecido”.

A busca de Noah pela verdade o leva à lugares indescritíveis, sendo perseguido por criaturas inomináveis e cabe a ele (você) escolher o melhor caminho para sobreviver a esse pesadelo.

O palácio mental no fundo do mar

O Acervo é o Palácio Mental de The Cosmic Abyss.

A jogabilidade de The Cosmic Abyss abandona completamente o combate. Aqui, seu cérebro é sua única arma. Seguindo a linhagem dos jogos anteriores do estúdio, a mecânica central gira em torno do Acervo que funciona como o “Palácio Mental” da série Sherlock Holmes da Frogwares. É um espaço onde Noah organiza pistas, documentos e evidências. Conectar os pontos certos desbloqueia novas deduções que podem alterar o rumo da história.

Você não está sozinho na escuridão. KEY é uma inteligência artificial integrada a você que oferece ferramentas essenciais, como o sonar que permite escanear a composição química de objetos e revelar rastros ocultos, adicionando uma camada tecnológica interessante às investigações ocultas.

Essa ausência de combate pode afastar jogadores que buscam ação, mas para os fãs de SOMA ou Call of Cthulhu (2018), a tensão gerada pela vulnerabilidade é palpável. O perigo não vem de um monstro que você pode atirar, mas de uma verdade que você não consegue desver.

 O espetáculo da Unreal Engine 5

O fundo do oceano já era assustador antes...

Graficamente, o jogo é um deslumbre, e um pesadelo visual. O uso de iluminação volumétrica cria cenários submarinos onde a luz mal consegue penetrar. A Big Bad Wolf utilizou a Unreal Engine 5 para criar ambientes não-euclidianos que realmente desafiam a percepção espacial.

As texturas das rochas cobertas de cracas, o metal oxidado da estação e as arquiteturas ciclópicas de R’lyeh são detalhadas ao extremo. No entanto, o destaque absoluto vai para as animações faciais. Como o jogo depende fortemente de diálogos e confrontos sociais, a expressividade dos personagens é crucial para identificar mentiras ou sinais de loucura incipiente.

A trilha sonora é minimalista, optando por um design de som opressor. Você ouvirá o ranger constante do metal sob a pressão abissal, o borbulhar distante e sussurros que parecem vir de dentro do seu próprio fone de ouvido. O trabalho de dublagem (em inglês, com excelentes legendas em português brasileiro) é de alto nível, transmitindo a exaustão e o terror crescente de Noah de forma convincente.

As falhas no abismo

Encontre e desvende mistérios.

Nem tudo são flores (ou algas) nas profundezas. O jogo sofre com um problema crônico de backtracking. Em certos momentos, você será forçado a atravessar grandes seções da base subaquática apenas para clicar em um console, descobrir uma pista e voltar, o que quebra o ritmo da narrativa.

Outro ponto negativo são as pistas de “reconhecimento padrão”. Você investiga tanta coisa no jogo que enquanto algumas pistas são brilhantes e integradas ao cenário da investigação, outras parecem saídas de um jogo de investigação genérico, servindo apenas para estender a duração do capítulo dando coisa demais para ler. Em alguns momentos, os quebra cabeças de The Cosmic Abyss carecem de uma lógica interna coesa, dependendo mais de tentativa e erro do que de dedução real.

Outro ponto digno de nota é o fato de Noah a todo tempo conversar com sua IA, mas poucas são as vezes em que o jogo nos dá a opção de escolher o que de fato vamos responder. Quando essas opções surgem, o momento para escolha passa tão rápido e com uma janela tão reduzida que você pode facilmente deixar passar a chance de uma interação enquanto vislumbra a cena ou o cenário em que acontece.

O abismo é mesmo profundo?

Cthulhu: The Cosmic Abyss é, sem dúvida, o trabalho mais ambicioso da Big Bad Wolf até hoje. É uma experiência densa, intelectualmente estimulante e visualmente arrebatadora que respeita a inteligência do jogador e a obra de Lovecraft. Apesar das falhas no ritmo e de algumas decisões de interface frustrantes, a força da sua narrativa e a inovação no sistema de sanidade superam os problemas técnicos. Se você busca um jogo para maratonar em um fim de semana chuvoso, mergulhando de cabeça em uma trama onde suas escolhas realmente pesam, este é um título obrigatório para 2026.

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores.
Revisão: Júlio Pinheiro

Cthulhu: The Cosmic Abyss

8.5

Nota Final

8.5/10

Prós

  • Narrativa ramificada com consequências reais e pesadas
  • Visual deslumbrante na Unreal Engine 5
  • Ambientação futurista de Lovecraft é original e bem executada.

Contras

  • Backtracking excessivo em certas partes do mapa.
  • Timers de diálogo excessivamente curtos e ícones pequenos
  • Pistas e informações em excesso podem te tirar do foco da investigação