Mirage 7 é um jogo de ação e aventura que mistura exploração, combate e puzzles leves, com um sistema de inventário que permite coletar e combinar itens para progredir. A proposta tenta seguir uma linha mais clássica de design, com progressão baseada em interação com o ambiente.
Desenvolvimento: Drakkar Dev
Distribuição: Blowfish Studios
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 12 anos
Português: Sim
Plataformas: PC, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 6 horas (campanha)/10 horas (100%)
Uma ambientação que tenta segurar a experiência

Mirage 7 aposta em ambientação nas arábias e uma narrativa misteriosa para conduzir o jogador, enquanto distribui objetivos e itens ao longo dos cenários para coletar. A ideia é criar uma experiência guiada por descoberta e resolução de pequenas situações, criando sensação de progresso constante.
No geral, o game tem um bom cuidado com ambientação, e você se sente quase que num Prince of Persia. Cenários e trilha sonora ajudam a criar um clima interessante durante a exploração. Visualmente, ele é ok. Não impressiona, mas cumpre seu papel e consegue sustentar a proposta estética e atende ao esperado de um indie de baixo orçamento.
O inventário permite armazenar itens e utilizá-los posteriormente, o que já adiciona uma camada de interação interessante e mais mecânicas. A possibilidade de combinar itens para criar novos resultados é um ponto positivo. Isso traz um leve elemento de puzzle dentro da progressão.
Design travado e decisões ultrapassadas

O maior problema está no design engessado e burocrático. Mirage 7 impede a interação com itens importantes até que uma sequência específica de ações seja completada. Mesmo que ele esteja ali na sua frente, pode esquecer: não poderá pegá-lo.
Isso gera situações absurdas e ridículas. Você vê claramente o item necessário, mas não consegue interagir com ele por conta de regras invisíveis e mal explicadas. É como se o objeto simplesmente não existisse, e isso cria até confusão porque acaba pensando que ele não é necessário no geral.
Narrativa, jogabilidade e sistemas problemáticos

A gameplay, no geral, é inconsistente. O combate é lento, estranho e pouco responsivo, tornando os encontros mais frustrantes do que desafiadores. E o mais triste é que podemos combater de longe e de perto, com armas diferentes.
Exploração e plataforma também sofrem. Os movimentos não são precisos e o level design não ajuda, criando uma experiência cansativa. Existe uma opção de correr que funciona bem mal e mais irrita do que ajuda em momentos de salto entre buracos.
A história tenta ser envolvente, mas falha na execução. O roteiro é fraco e os diálogos são excessivamente forçados. A dublagem piora a situação. As cutscenes acabam sendo mais constrangedoras do que interessantes, quebrando qualquer imersão.

Mesmo com um sistema de inventário interessante no papel, a navegação é ruim. A interface é pouco intuitiva e dificulta o uso dos itens. Isso impacta diretamente a experiência. Você perde tempo tentando entender o menu em vez de focar no que precisa.
Por fim, os puzzles até tentam salvar o game. Porém, com tantos problemas visíveis e sentidos constantemente, fica difícil se atentar ao que é bom sem focar em todo o resto defeituoso.
Um jogo preso ao passado, sem os acertos dele
Mirage 7 tenta resgatar ideias clássicas, mas falha em adaptá-las para os padrões atuais. A ambientação e o sistema de inventário mostram algum potencial. No entanto, decisões de design ultrapassadas, gameplay incrivelmente fraco e narrativa mal executada comprometem completamente a experiência. O resultado é um produto frustrante e bem difícil de recomendar.
Cópia de Xbox cedida pelos produtores




