Capa de Aphelion

Review Aphelion (PC) – Isolados no desconhecido

Desenvolvido pela Don’t Nod, Aphelion tenta ser um prato cheio para os fãs de ficção científica. Esse é um jogo cinematográfico que coloca dois personagens que trabalham na Agência Espacial Europeia em uma situação extrema, entregando uma aventura que tem uma temática interessante, mas prejudicada por problemas de polimento na gameplay e por um escopo limitado.

Desenvolvimento: Don’t Nod

Distribuição: Don’t Nod

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Aventura

Classificação: 14 anos (linguagem imprópria, violência)

Português: Interface e legendas

Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S

Duração: 7 horas (campanha)

Perdidos com extraterrestres

Gameplay de Aphelion

Aphelion é situado em 2062, em uma versão da Terra quase inabitável, com o pretexto narrativo de uma expedição que visa analisar se a humanidade pode viver em Persephone, um planeta desconhecido. Naturalmente, tudo acaba dando errado, e Ariane Montclair, uma astrobióloga francesa, se vê isolada nos destroços de uma expedição precisando encontrar Thomas Cross, seu parceiro, que está sozinho em um canto diferente do planeta — sendo uma missão desesperadora em busca de um reencontro. É uma boa proposta, principalmente pela forma como ela é desenvolvida no decorrer da campanha. Aphelion vai alternando entre os dois protagonistas, sempre com um gancho forte e com uma jogabilidade distinta entre eles.

Com Ariane, Aphelion é praticamente um jogo de plataforma. É preciso explorar os níveis subindo em objetos, escalando locais íngremes com um arpéu e se equilibrando em barras, com QTEs ao longo da jogabilidade. Isso muda com Thomas, porque ele está machucado e não pode fazer as mesmas escaladas ao estilo Lara Croft que Ariane casualmente faz. Ele, por sua vez, precisa explorar um local habitado por supostos extraterrestres em busca de recursos como oxigênio para continuar sua jornada rumo à sua própria salvação.

Escalada com arpeu em Aphelion

Porém, no geral, Aphelion não chega a ser um jogo difícil, e sua jogabilidade não é tão profunda a ponto de fazer com que a campanha seja engajante do começo ao fim. É sempre fácil escalar, até mesmo os locais mais perigosos, e os salvamentos automáticos são quase constantes. Algumas interações com os objetivos são confusas e mal feitas, e várias áreas que aparentam ser exploráveis contam com paredes invisíveis, sendo um game limitado em relação ao desenvolvimento visual de seu universo.

Problemas técnicos atrapalham gameplay

Cutscene de Aphelion

Desenvolvido com a Unreal Engine, Aphelion recebeu uma boa versão para PC, sem travamentos, mas também sem suporte nativo ao formato ultrawide — justamente o tipo de recurso que complementaria a imersão no jogo, já que parte dos gráficos são excelentes. No entanto, é possível perceber a ausência de uma técnica de iluminação mais avançada, pois há muitas estruturas com reflexos repletos de artefatos típicos de técnicas tradicionais, sendo que o ray tracing poderia ter sido empregado nessas situações.

Além disso, a renderização do mapa não é tão boa, uma vez que vários elementos dos mapas possuem uma distância de exibição bem curta e vão surgindo na tela do nada enquanto se explora Persephone. Embora as cutscenes sejam boas, as animações da jogabilidade não são. Não há tanto polimento nelas, e a suavidade entre ações distintas é quase inexistente, sendo perceptível principalmente durante as escaladas, que passam a sensação de não serem tão responsivas por conta disso.

Mapa de Aphelion

Alguns desses problemas são falhas menores, típicas de uma produção de menor escala. Não chegam a atrapalhar a experiência proposta pela Don’t Nod, mas evidenciam o quão difícil é criar uma aventura cinematográfica para estúdios com uma estrutura mais reduzida em comparação aos grandes nomes desse gênero. O game acerta bastante em sua narrativa, mas todo o resto parece aquém do potencial que poderia atingir para resultar em um jogo completo em todos os sentidos.

Um jogo não é feito só de cutscenes

Aphelion traz uma proposta fascinante e única dentro do âmbito de jogos cinematográficos, mas não entrega uma gameplay das mais interessantes — os momentos de escalada são ocasionalmente interrompidos por seções em que os protagonistas precisam se esconder dos alienígenas, mas não há tensão alguma no game, que incorporou elementos de terror em sua fórmula sem sucesso algum. A dinâmica entre os personagens principais é o ápice da experiência, junto com as belíssimas paisagens dos cenários de Persephone, mas esses dois aspectos não fazem com que o título deixe de ser maçante e pouco envolvente.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

Aphelion

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • Proposta intrigante
  • Universo belíssimo

Contras

  • Jogabilidade desinteressante
  • Escopo limitado