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Review Total Chaos (Switch 2) – Vai ser difícil se entreter nesse caos

Total Chaos é um game de terror em primeira pessoa que te transporta para uma ilha misteriosa, na qual você deve sobreviver com o que tiver ao seu alcance, enfrentando monstros e cenários bizarros. Até bem intencionado, o game peca em diversos aspectos, sendo um pouco difícil se divertir.

Desenvolvimento: Trigger Happy Interactive
Distribuição: Atari
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação
Classificação: 18 anos (violência extrema, drogas lícitas, linguagem imprópria)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 11 horas (campanha)/17.5 horas (100%)

Bem-vindo a Fort Oasis

E contra certos monstros, a escuridão é sua aliada
Ambientes escuros são a norma

Total Chaos começa com você comandando um barco em um clima tempestuoso e acaba chegando em Fort Oasis. Você pode voltar para o barco, ir embora e os créditos sobem. Mas naturalmente, a aventura se desenrola ao explorar a ilha. A história é difícil de acompanhar, se é que dá pra dizer que existe uma. O personagem controlado é inexpressivo. Tem alguém que vai te falando frases perdidas pelo rádio em momentos aleatórios e você também encontra documentos e arquivos ainda mais difíceis de tirar algum sentido. Então, se história for um ponto importante para você ao escolher um game como esse, eu já diria que é pouco recomendado.

Controlamos o protagonista em câmera de primeira pessoa e devemos atravessar os cenários, onde encontramos monstros e puzzles. Podemos usar diversas armas, entre brancas e de fogo. Também há itens para outros fins, como recuperar seus atributos (vida, impulso, fome, sangramento) ou aquecer comidas. A gestão do inventário e crafting são também pontos importantes da jogabilidade, sendo presentes em todos os momentos da aventura.

Quebre e construa armas

Existem ações melhores para atacar em grupo
Em alguns momentos, os inimigos podem vir em grupo

O jogo não explica muito bem como ser jogado, então você vai ter que aprender boa parte das mecânicas mexendo. As armas brancas são, em geral, ferramentas e utensílios que usamos para espancar os inimigos, como martelos, picaretas ou canos. Elas têm durabilidade, o que faz com que estejamos sempre buscando novas pelo cenário, ou montando com o sistema de craft, após encontrarmos os projetos pelo caminho. Também podemos jogar as próprias armas ou itens específicos para isso, como pedras e garrafas.

As armas de fogo são mais raras e vão aparecendo posteriormente, onde cada bala deve ser bem pensada ao ser usada. De qualquer forma, como temos um limite de inventário em quantidade e peso de itens, é sempre necessário refletir quais armas carregamos e quais é melhor descartar. Essa limitação, inclusive, acaba se tornando um fardo em certos momentos, ao invés de aumentar a tensão.

Combate vai te deixar com sono ao invés de tirá-lo

Mas são poucos, com o foco sendo mais nos combates
Alguns puzzles são até que interessantes

Todo esse sistema de armas, por mais que possa ser interessante, perde o brilho uma vez que os monstros são muito sem graça. O combate é truncado e tudo se resolve em alguns poucos golpes, seja você vencendo ou morrendo. Não há sensação de impacto ou algum senso de desafio ou estratégia. As intenções são boas, há uma boa variedade de possibilidades, mas na hora do combate em si, a ação não gera nenhuma empolgação.

Outro problema do game é o level design, que é bem fraco. Não há mapas (exceto uma parte ou outra) e os layouts são confusos, fazendo com que frequentemente você se sinta perdendo tempo andando em círculos, buscando para onde deve ir ou tentando encontrar um lugar que esteve anteriormente. Graficamente, os cenários são bonitos e criam bem a atmosfera de medo, mas explorá-los não é divertido.

O sistema de craft é interessante, ainda que o limite de inventário faça com que você fique meio incomodado em alguns momentos. Você encontra uma quantidade até que generosa de itens espalhados pelos cenários e pode desenvolver melhores armas e itens de cura e suporte.

Vários problemas que vão se acumulando

É um pouco chato de mexer no inventário e o jogo não explica muito
Você passará um tempo considerável na tela de inventário

No geral, o jogo tem vários detalhes esquisitos e que vão incomodando. Você encontra bugs diversos ao longo da campanha, alguns que obrigam a reiniciar o jogo. Quando você sai do inventário, a câmera se mexe de acordo com o que você mexeu o mouse nesse tempo. A fonte do menu é de um gosto bem duvidoso. Na tela de craft, é mostrado o botão Y para mover o item, mas o certo é ZR. A tradução brasileira tem problemas (por exemplo, “stop playing”, em relação a uma fita de áudio, ficou como “parar de jogar”). Ao carregar o jogo, ele dá a opção de carregar o save manual mais recente ou o autosave mais recente, mas não diz qual deles foi feito por último.

Normalmente, eu comento aqui se os jogos de Switch 2 utilizam os recursos dos Joy-Con 2, e Total Chaos manda bem nesse quesito. É possível controlar a câmera e mira por mouse ou por movimento. O problema é que você é obrigado a escolher uma dessas opções: não é possível controlar da forma tradicional, com o analógico direito controlando a câmera. Achei isso bizarro, principalmente no modo portátil, onde então somos obrigados a usar o controle por movimento (se estiver com os Joy-Con 2 encaixados), que não funciona muito bem.

Boa intenção, mas conjunto confuso

Total Chaos tem boas ideias e bons sistemas, mas o conjunto não orna bem, com um combate fraco, layout de fases confuso e história nula. Se você busca uma atmosfera de medo, com puzzles e sistema de crafting, pode até gostar. Porém, se isso não for suficiente, dificilmente aproveitará algo.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Total Chaos

6

Nota final

6.0/10

Prós

  • Clima de terror
  • Sistema de crafting

Contras

  • Sistema de combate ruim
  • História inexistente
  • Pequenos problemas dos mais diversos