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Review Assassin’s Creed Black Flag Resynced (Xbox Series X) – O retorno à Era de Ouro

Desde o seu lançamento original em 2013, poucos jogos capturaram a imaginação do público com tanta força quanto Assassin’s Creed IV: Black Flag. Em uma época em que a tradicional fórmula de assassinos encapuzados da Ubisoft começava a apresentar sinais de cansaço, a ousada decisão de içar as velas e mergulhar de cabeça na brutalidade e no romantismo da Era de Ouro da Pirataria transformou o título em um clássico instantâneo. Agora, treze anos após esse marco histórico, retornamos ao mar do Caribe para reviver essa aventura em Assassin’s Creed Black Flag Resynced.

Desenvolvimento: Ubisoft
Distribuição: Ubisoft
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 18 anos (drogas lícitas, conteúdo sexual, violência)
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataformas: Xbox Series X|S, PC, PS5
Duração: 24 horas (campanha)/46 horas (100%)

Pirata e assassino

Edward Kenway pode não ter sido o mais forte mas com certeza é um dos mais famosos da franquia.

Quando Assassin’s Creed IV: Black Flag foi lançado em 2013, ele representou um respiro de liberdade para uma franquia que começava a dar sinais de cansaço. Trocar os telhados das cidades europeias pela vastidão azul do mar do Caribe foi uma decisão certeira. Agora, treze anos depois, a Ubisoft nos entrega Assassin’s Creed Black Flag Resynced, que não é uma simples remasterização, mas sim um remake completo, construído do zero.

O jogo nos coloca novamente sob o chapéu de Edward Kenway, um pirata motivado por ouro, arrastado para a guerra entre Assassinos e Templários. Nessa nova versão, não temos o gameplay no tempo atual, dentro da Abstergo. Em vez disso, temos as fendas introduzidas em Assassin’s Creed Shadows, que funcionam como trechos de realidades alternativas, o clássico “e se…” que nos mostram diferentes versões de personagens que conhecemos ao longo da jornada de Kenway.

Dança de espadas e pólvora 

O combate foi totalmente reestruturado.

A navegação e o combate naval moldaram a identidade do jogo original e aqui recebem o seu merecido polimento. O Gralha responde de maneira bastante realista, ele não flutua sobre as ondas. O vento afeta a manobrabilidade de forma incisiva. Para apimentar os embates, novas opções táticas foram adicionadas, modos de fogo secundários, barris de estilhaços que dilaceram velas, e canhões direcionados, para explorar perfurações na blindagem inimiga. Uma nova mecânica de abalroamento adiciona um impulso formidável para manobras agressivas. O gerenciamento ganhou profundidade com oficiais recrutáveis para a frota. Além de concederem vantagens diretas na gameplay, esses companheiros estrelam novas linhas narrativas secundárias que enriquecem o universo sem parecerem intrometidas, trazendo muito mais vida ao convés do navio. 

Se o mar era o grande ponto alto, a terra firme revelava a idade do material original. Felizmente, as mecânicas de confronto e furtividade passaram por uma reforma completa. A desenvolvedora substituiu o antigo sistema passivo de “esperar e contra-atacar” por um combate moderno baseado em ritmo e aparar golpes. Indicadores azuis sinalizam ataques que podem ser bloqueados no momento exato, rendendo abates letais lindamente animados. A inclusão de combos rápidos de pistola intercalados com espadadas confere a Edward a agressividade que sempre esteve presente em sua imagem. Na furtividade, os produtores implementaram o que os fãs sempre pediram, pois agora você pode se agachar livremente em qualquer lugar. Livres da ditadura de se esconder apenas em arbustos, as rotas de infiltração nas fortalezas militares tornaram-se completamente orgânicas. 

O mar como você nunca viu 

A engine Anvil faz um serviço impecável no que se trata de gráficos e jogabilidade

O salto tecnológico em Resynced é imediato no segundo em que as velas são desenroladas. A Ubisoft utilizou a tecnologia da sua engine, a Anvil, para entregar um dos mundos mais formidáveis da atual geração. O uso de iluminação global e reflexos ultrarrealistas dá as selvas de uma densidade palpável. No entanto, o verdadeiro espetáculo está nas águas. O oceano possui volume, peso e um sistema dinâmico de clima que reage de forma assustadora às tempestades tropicais. O brilho do sol batendo nas ondas formam cenas dignas de uma pintura. Porém, mais importante que a beleza é a fluidez técnica. Graças a atual geração de consoles, a barreira invisível entre a terra e o mar acabou. A exploração removeu todas as telas de carregamento. O mundo não é mais segmentado, você pode bombardear uma escuna e pular do mastro direto para o píer de Havana sem qualquer tela de carregamento.  

A sonoplastia dessa aventura é simplesmente sensacional. Mantendo essa qualidade está o retorno da dublagem Acácio de Oliveira para novas cenas, que continua com o tom perfeito de malandro e amargurado de Edward Kenway. No som ambiente, jogar com fones de ouvido mostra o meticuloso trabalho nos ruídos do navio. Você consegue ouvir o estalar das madeiras, a vibração do convés após o impacto de uma bala de canhão e, claro, os lendários cânticos navais (Sea Shanties). Há adições de novas canções para o coro da tripulação, garantindo o clima inigualável de camaradagem e imersão pirata. 

O ápice da franquia

Assassin’s Creed Black Flag Resynced não apaga os escorregões herdados há treze anos, mas com a reconstrução dos sistemas de combate, de parkour, e do impressionante motor gráfico redime facilmente as falhas residuais. O refinamento contundente feito pela Ubisoft solidifica, sem a menor sombra de dúvidas, que a odisseia de Edward Kenway ainda é o absoluto ápice temático desta franquia. As águas do Caribe são traiçoeiras e a Abstergo continua testando a paciência do jogador moderno, mas com os ventos soprando forte e seus homens cantando uma canção ao mar aberto, poucos jogos nessa indústria dos videogames criam uma sensação de bravura e imersão tão cativante. 

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores.
Revisão:
Júlio Pinheiro

Assassin’s Creed Black Flag Resynced

9

Nota Final

9.0/10

Prós

  • Transição perfeita e gráficos de ponta
  • Combate e furtividade modernizados
  • Progressão orgânica e respeitosa

Contras

  • Missões de perseguição datadas
  • Economia naval desbalanceada
  • Maldição dos coletáveis inúteis