Silent Hill Townfall capa

Review Silent Hill: Townfall (PS5) – Terror além de Silent Hill 

Silent Hill: Townfall chega aos jogadores como o mais novo capítulo da consagrada franquia de horror e, assim como em seu antecessor, Silent Hill f, mais uma vez estaremos fora da cidade de Silent Hill. Dessa vez, acompanharemos os passos do protagonista Simon Ordell pela cidade costeira de Santa Amélia, na Escócia, em sua busca por entender o que está acontecendo após acordar em um dos portos da cidade.

Desenvolvimento: Screen Burn Interactive
Distribuição: KONAMI
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Terror
Classificação: 18 anos (drogas lícitas, medo, temas sensíveis, violência)
Português: Legendas e Interface
Plataformas: PC, PS5
Duração: 13 horas (campanha)/25 horas (100%)

Quem somos?

Protagonista Simon Ordell.
Protagonista Simon Ordell.

Assim como o próprio Simon, a princípio, os jogadores não sabem o que está acontecendo. Na verdade, sabemos ainda menos, pois desconhecemos o passado do nosso protagonista, não sabemos quem ele é ou o que fazia da vida antes de chegarmos ali. Apenas acordamos dentro d’água, com um cateter em um dos braços e uma bolsa de soro com um líquido estranho, em uma cidade fria, escura, repleta de névoa e sem habitantes à vista. É nessa situação que devemos partir em busca de respostas e de qualquer pessoa que possa nos ajudar a compreender minimamente o que aconteceu.

Ambientação escocesa impecável

A praça central de Santa Amélia.
A praça central de Santa Amélia.

Embora alguns jogadores tenham criticado a decisão de os últimos jogos da franquia Silent Hill se passarem fora da cidade que dá nome à série, eu, ao menos, acho que foi uma decisão assertiva. Vejo a possibilidade de explorar novas localidades com bons olhos, como uma ótima chance criativa que permite aos desenvolvedores inovar e reinventar a franquia, trazendo um ar de novidade necessário para a saga após tantos títulos se passando em um mesmo local, algo que, querendo ou não, restringe a liberdade criativa.

E, quando se trata de ambientação, Silent Hill: Townfall dá um show à parte, tanto na sua parte gráfica quanto na construção das ruas, casas, garagens, quintais, hospitais, portos marítimos e muito mais. Isso acaba sendo ainda mais surpreendente por ter sido feito por um pequeno estúdio escocês que, por conhecer bem o local, pôde nos entregar uma ambientação extremamente imersiva.

Combater ou fugir?

Evitando ser avistado pelas criaturas.
Evitando ser avistado pelas criaturas.

Algo que fica bem claro após alguns minutos de jogo é que o nosso protagonista, Simon, definitivamente não é um combatente nato. Não só isso, como o combate meio travado e desengonçado, embora funcional, não seja um dos pontos fortes da obra. Na maior parte do tempo, é preferível evitar as criaturas que rondam a cidade para chegarmos ao nosso objetivo, pois, com poucos golpes dessas criaturas horrendas, nosso protagonista vai ao chão.

Não somos apenas pouco resistentes, morrendo até mesmo com um único ataque, dependendo do tipo de criatura que estamos enfrentando, como também os recursos para combatê-las são escassos e possuem baixa durabilidade. Os pedaços de paus, garrafas, tijolos e canos quebram com facilidade, e munição para armas de fogo não aparece com tanta frequência, fazendo com que cada bala conte e que errar um tiro possa ser o nosso último erro.

Embora, é claro, alguns jogadores mais pão-duros, eu incluso, acabem chegando à reta final do jogo com uma boa quantidade de munições e itens de cura, quebrando um pouco o ritmo de horror e desespero causado pela escassez de recursos.

CRTV

Utilizando a CRTV para descobrir um pouco mais sobre o enredo.
Utilizando a CRTV para descobrir um pouco mais sobre o enredo.

Para evitar que as criaturas nos surpreendam durante nossas explorações por Santa Amélia, o que nem sempre é possível, principalmente por descuido do jogador após baixar a guarda, Simon utiliza um pequeno dispositivo portátil com uma tela que nos permite visualizar onde estão os inimigos próximos.

Esse televisor portátil, chamado CRTV, acaba sendo uma ferramenta extremamente valiosa durante essa macabra jornada, pois, além de ser possível sintonizar o sinal para localizar os monstros humanóides e acompanhar seus movimentos, é por meio dele que assistimos a trechos de vídeos que podemos utilizar como dicas ou orientações sobre para onde devemos ir.

Explorando uma Santa Amélia silenciosa

Verificando o mapa da cidade de Santa Amélia.
Verificando o mapa da cidade de Santa Amélia.

A exploração em Silent Hill: Townfall acontece em um ritmo mais cauteloso nos primeiros capítulos da campanha, nos quais devemos evitar sermos avistados pelos monstros para poder atacá-los e pegá-los desprevenidos ou simplesmente avançar até o objetivo sem entrar em combate.

Esse é o ritmo do jogo durante boa parte da campanha, sendo bastante consistente em construir uma sensação de desespero e fragilidade. Embora seja possível enfrentar os inimigos, tentar entrar em combate com mais de um por vez é algo bastante difícil sem uma arma de fogo.

Algo que agrega positivamente à exploração, além da ambientação impecável que já destaquei anteriormente, é a belíssima trilha sonora, que funciona perfeitamente para construir momentos de tensão extremamente imersivos e desesperadores. Não só a trilha sonora, mas todo o trabalho de áudio feito por esse pequeno estúdio escocês está de parabéns, principalmente os barulhos grotescos emitidos pelas criaturas.

Outro ponto positivo com o qual nos deparamos enquanto jogamos são os quebra cabeças. Embora não sejam tão difíceis, costumam ser bem feitos e coerentes com a trama da obra, além de serem construídos de forma a recompensar aqueles que exploram os ambientes com cuidado.

Porém, em um trecho específico da reta final do jogo, esse ritmo cuidadoso de exploração e combate calculado que vai sendo construído é abruptamente quebrado ao colocar uma poderosa arma e muitas munições nas mãos dos jogadores, transformando quem deveria ser a caça no caçador. Essa mudança pode acabar desagradando aqueles que estavam aproveitando justamente a sensação de vulnerabilidade e horror presente durante boa parte da campanha.

Uma experiência sólida e satisfatória

Acredito ser coerente dizer que, embora possua alguns pontos que deixam a desejar, como problemas de desempenho, quedas de frames, uma quebra abrupta de ritmo e um combate um pouco desengonçado e travado, Silent Hill: Townfall consegue entregar aos jogadores uma experiência sólida, que respeita o legado da franquia. É satisfatório ser fã dos jogos da Konami atualmente e ver que a empresa tem dado às suas franquias clássicas o cuidado que elas merecem. A escolha de bons estúdios para carregar a tocha de suas franquias nos faz ficar otimistas com o futuro, não só da franquia Silent Hill, que já tem em desenvolvimento um remake do primeiro título pelas mãos da Bloober Team, mas também de outras séries, como Castlevania e Metal Gear.

Cópia de PS5 cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Silent Hill: Townfall

8

Nota final

8.0/10

Prós

  • Ambientação escocesa imersiva
  • Excelente trabalho de áudio e trilha sonora
  • A CRTV é uma mecânica criativa e funcional
  • Exploração e quebra-cabeças bem construídos
  • Respeito ao legado de Silent Hill

Contras

  • Combate travado e pouco refinado
  • Quedas de frames durante a campanha
  • Quebra abrupta do ritmo na reta final