Call of Duty: Modern Warfare 4 é o quarto título da encarnação rebootada da principal subfranquia do shooter da Activision. Dessa vez, fora do catálogo do Game Pass em seu lançamento, o jogo chega trazendo uma excelente combinação de conteúdo single player e multiplayer, levando os jogadores para a Coreia em uma missão global, numa campanha eletrizante.
Desenvolvimento: Infinity Ward, Beenox, Digital Legends, Activision Shanghai, Raven Software, Treyarch, Sledgehammer Games, High Moon Studios
Distribuição: Activision
Jogadores: 1 (local) e 1-60 (online)
Gênero: Tiro
Classificação: 18 anos (drogas lícitas, linguagem imprópria, violência extrema, compras no jogo, usuários interagem)
Português: Interface, dublagem e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S, Switch 2
Duração: 8 horas (campanha)
Guerra global

A campanha de Modern Warfare 4 vai para um conflito totalmente fictício, sem figuras reais, mas com um drama digno de um grande thriller cinematográfico. Usando como pretexto a tensão histórica entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte, a trama é situada em um universo alternativo no qual o lado norte tem um novo líder supremo, que força uma invasão sem precedentes ao lado sul e desencadeia uma onda de ataques pelo mundo.
A história tem uma cronologia não linear que atiça a curiosidade de saber o que realmente está acontecendo, e é interessante como o game coloca os jogadores no controle de pessoas com atitudes altamente questionáveis, como o próprio líder da Coreia do Norte, por exemplo. O conflito é bem desenvolvido, ao mesmo tempo em que o jogo expande o arco narrativo dos personagens que fazem as campanhas da saga Modern Warfare serem o que são, com reviravoltas inesperadas.

A campanha, de modo geral, é linear e não permite tantas abordagens diferentes para um mesmo objetivo. Os checkpoints são constantes, então não é preciso retroceder muito caso o jogador falhe em alguma missão ou morra durante os confrontos. Pelo menos em termos de gameplay, as missões não se resumem a atirar em tudo que aparece pela frente, variando sempre a forma de jogar com segmentos de porradaria, lutas de faca e até direção de veículos em meio ao tiroteio, claro.
Multiplayer de sempre, com novidades

A experiência online da série Call of Duty continua excelente em Modern Warfare 4. É um arroz com feijão bem-feito, com suporte a crossplay entre todas as plataformas. É o formato de jogo que todos conhecem: uma máquina de dopamina que recompensa as killstreaks, com uma progressão personalizável para montar builds de armas, mas ainda com a tradicional exigência de sofrer com equipamentos ruins até desbloquear todas as melhorias. Uma mudança feita nesse jogo é que os tokens que concedem o dobro de pontos de XP agora só contam ao longo do tempo efetivo de gameplay, e não em tempo real, o que os torna realmente úteis para todos os jogadores.
Há alguns modos novos, além de outros clássicos obrigatórios, como o mata-mata em equipe, o gun game (em que o equipamento melhora conforme a pontuação) e a baixa confirmada (em que a pontuação só sobe quando um jogador pega a dog tag do rival depois de eliminá-lo). A principal novidade deste ano é o modo Colateral, uma nova experiência claramente inspirada em Counter-Strike, na qual as equipes se alternam entre defender e atacar locais de bomba, sem regeneração de vida nem respawn, mas com um sistema de economia. Apesar de não ser nada original, é uma adição surpreendente e que funciona bem, com rodadas mais curtas que acrescentam um pouco de tática para a jogabilidade ágil da franquia.

Mas o principal foco da Infinity Ward não é nem o multiplayer normal, e sim o DMZ, a versão Call of Duty dos famosos jogos de extração. Esses jogos se tornaram uma evolução real do formato dos battle royales e Modern Warfare 4 traz algo nesse estilo, com um foco em risco e recompensa em um grande mapa aberto que mistura combate PvP e PvE de forma simultânea. O DMZ tem sua própria campanha, com uma história que faz com que as partidas sejam centradas no cumprimento de missões ligadas a um arco narrativo, não sendo uma experiência tão hardcore quanto outros games do gênero.
Ótimos gráficos, mesmo sem ray tracing

Tecnicamente, Modern Warfare 4 recebeu uma boa versão para computadores, ainda que a experiência de usuário seja terrível: o game não é um aplicativo separado, e sim parte do launcher global da franquia Call of Duty, que também reúne Warzone e Black Ops 7 em um só lugar. Como novidade, o jogo suporta o ray tracing em todos os modos, mas o desempenho é desanimador. O traçado de raios nunca foi uma funcionalidade leve, mas em Modern Warfare 4 é praticamente impossível jogar com o recurso ativado em uma RX 9060 XT de 16 GB, que costuma lidar bem com a tecnologia em outros títulos compatíveis.
A função não é exatamente modular porque não é compatível com ferramentas de upscaling como o FSR e nem permite ativar o traçado de raios para apenas algumas partes dos gráficos em vez de tudo de uma vez. No entanto, com o ray tracing desligado, há compatibilidade com as tecnologias de upscaling, além de geração de quadros e até funções anti-lag, garantindo uma boa performance com os visuais normais, que já são bonitos o bastante, apesar de alguns mapas da campanha e do DMZ apresentarem um pop-in óbvio e constante.

Um detalhe, porém, é que a campanha mescla cenas pré-renderizadas com cutscenes feitas ao vivo, então a qualidade visual desse modo é inconsistente. As cenas pré-renderizadas, apesar do escopo impressionante, com uma estética que beira o fotorrealismo graças a uma iluminação com uma fidelidade técnica surreal, são tão comprimidas que parte desses detalhes desaparece, enquanto as cenas renderizadas em tempo real têm mais clareza, ainda que limitadas às configurações gráficas escolhidas pelo jogador.
Em termos de gameplay, é importante destacar como Modern Warfare 4 é responsivo e agradável tanto no mouse e teclado quanto no controle, embora alguns comandos padrão não sejam tão bons e precisem ser alterados para que a jogatina flua melhor. Em qualquer modo, a movimentação dos personagens é ágil e rápida, e o tempo para matar (time to kill, o famoso TTK) é bem balanceado, abrindo espaço para reações sem comprometer a experiência arcade pela qual a série Call of Duty é conhecida até no modo Colateral.
Um bom lançamento da franquia
Modern Warfare 4 é um ótimo Call of Duty, acertando em tudo o que se propõe a fazer, apesar do lado técnico não ser tão bom quanto poderia. Depois de um Black Ops 7 que não foi lá tão bem recebido e de um segundo Modern Warfare 3 que também foi criticado, a sensação é de que os desenvolvedores da Infinity Ward (e dos vários estúdios de apoio que se esforçam para entregar um grande lançamento todos os anos, sem falta) estão recolocando a franquia nos trilhos, com mudanças excelentes para agradar a quem já é fã da série e cativar novamente quem deixou de gostar no decorrer dos anos.
Cópia cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong




