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Brasil Game Show 2026: os principais destaques do evento

Realizada pela segunda vez no Distrito Anhembi, na zona norte da capital de São Paulo, a Brasil Game Show chegou à sua 17ª edição com a participação de três grandes desenvolvedoras, marcas parceiras e eventos especiais. Com duração de quatro dias, de 9 a 12 de outubro de 2026, a convenção teve a nossa presença no dia de abertura. Tudo começou com a BGS Conference, que abriu a edição deste ano com novidades e trailers de jogos (e até de filmes) — não foi uma apresentação com tanta coisa a ser mostrada, já que os apresentadores até repetiram alguns dos anúncios para quem chegava depois do começo da conferência. E, após o fim dela, o evento foi de fato aberto, com ativações de várias marcas, brindes, sorteios e, claro, bastante jogos.

Nintendo presente em peso

A Nintendo foi a única dona de plataforma que teve um estande na escala que um evento como a BGS exige – a Sony contou apenas com uma loja de produtos, sem nada exposto pela própria empresa apesar do PS5 marcar presença em vários estandes e em campeonatos (qual a lógica de realizar um campeonato de Marvel Tokon: Fighting Souls e não permitir que os visitantes possam testar o jogo também?). Mas já há um bom tempo, a Nintendo vem trabalhando pesado para restabelecer sua marca no Brasil e, nesse ano, trouxe vários games para a BGS, indo desde jogos que já estão disponíveis no catálogo do Switch 2 (como Donkey Kong Bananza) a títulos recentes, como o novo Star Fox, e até lançamentos futuros – contando ainda com a presença de Charles Martinet, lendário dublador que hoje é considerado o embaixador do Mario, no evento.

Call of Duty: Modern Warfare 4 é um destaque inesperado. O título marca de vez a chegada da franquia ao Switch 2, que foi anunciada três anos atrás de forma pouco ortodoxa, quando a Microsoft revelou um acordo com a Nintendo e a Sony para garantir a série em todas as plataformas possíveis. Como agora a empresa japonesa tem um console capaz de rodar o jogo, a palavra da dona do Xbox finalmente está sendo cumprida. O game é o mesmo em todas as suas versões e roda bem no Switch 2, com uma jogabilidade responsiva, sem quedas abaixo dos 60 quadros por segundo. O shooter da Activision foi o patrocinador master da BGS e esteve presente em muitas partes do evento e, no estande da Nintendo, foi possível jogar uma partida multiplayer no estilo LAN com 10 pessoas, com direito até a chat de voz. O Pro Controller do console surpreende para esse tipo específico de jogo e entrega controles confortáveis, mas, graficamente, a versão para Switch 2 não é a melhor possível. A resolução é tão baixa a ponto de comprometer a visibilidade das partidas por conta dos visuais pixelados e/ou embaçados causados pela necessidade de manter a taxa de quadros lá em cima. Competitivamente, não é uma boa versão de Call of Duty, mas ainda é uma alternativa bem aceitável para prestigiar o game.

Muitos dizem que a cultura se move em ciclos, porque as tendências do passado sempre acabam ressurgindo de certa forma. Talvez esse seja o caso de Nintendo Switch Sports Resort, a sequência da retomada da franquia “Sports”, que fez história no Wii levando a plataforma a uma popularidade universal e voltou em 2022 para o primeiro Switch. Com bastante tempo de jogo (e uma equipe muito disposta a ajudar), foi possível testar quatro esportes diferentes, sempre na companhia de outro jogador: arco e flecha, boliche, corrida de jet ski e briga de polegares. A experiência foi legal, com uma gameplay responsiva que incentiva movimentos corporais, mas, para quem nunca jogou nada assim, nem mesmo na época do Wii, pegar o jeito de controlar os Joy-Cons é um pouco difícil — então, talvez eu tenha passado certa vergonha ao simplesmente não saber como usar esses controles, mas, ainda assim, valeu um brinde: um boné viseira com a logo do jogo. Acima de tudo, jogos como esse mostram o grande diferencial da Nintendo, porque esse é um tipo de experiência que não está disponível em nenhuma outra plataforma.

SEGA com várias novidades 

Entre as grandes distribuidoras de jogos, a SEGA em especial vem marcando uma presença respeitável não só na BGS, mas também em outros eventos recentes, como o Anime Friends. Nesse ano, um dos principais destaques foi Stranger Than Heaven.

A novíssima superprodução do RGG Studio é uma ambiciosa prequela da franquia Yakuza, mas com uma estética bastante distinta da série, mostrando a ascensão do clã Tojo em cinco cidades e cinco diferentes eras do Japão moderno. A demo, para Xbox, focou principalmente nas mecânicas de combate, sem nada da história e da exploração, com três desafios distintos. Quem está acostumado com o combate da franquia Yakuza ou até mesmo da saga Judgment vai se surpreender, porque Stranger Than Heaven vai para uma abordagem mais realista, com comandos pesados e ataques nos botões traseiros do controle, além de um foco em esquivas que chega a lembrar os soulslikes. Com apenas dez minutos de gameplay, é difícil pegar o ritmo, mas é interessante ver como o estúdio está disposto a mudar em vez de só fazer sempre os mesmos jogos.

Crazy Taxi: World Tour, além de ter uma demonstração jogável no evento, ganhou um trailer inédito revelando que o jogo receberá um mapa situado no Brasil, enquanto Kenji Kanno, criador da franquia, até veio ao país para participar de um meet and greet com a comunidade. Além disso, a Creative Assembly marcou forte presença, com demos de Total War: Warhammer 40,000 e do intrigante Alien Isolation 2, a ATLUS veio com Persona 4 Revival, e o fascinante Sonic Pico Park representou o ouriço mais famoso dos games no evento. O Brasil sempre teve uma relação especial com a SEGA, e é sensacional que a empresa esteja presente na BGS com muitas novidades excelentes.

Square Enix decepcionou 

Poster distribuído pela Square Enix após jogar Final Fantasy VII Revelation na BGS 2026
Pôster distribuído pela Square Enix após jogar Final Fantasy VII Revelation no evento — não era permitido tirar fotos dentro do estande da empresa

Infelizmente, o estande da Square Enix não foi um dos melhores. Apesar da empresa ter um jogo do calibre de Kingdom Hearts IV em seu line-up de lançamentos futuros, a publisher focou apenas na franquia Final Fantasy, com demos jogáveis de Final Fantasy VII Revelation, a parte final da trilogia de remakes, e Final Fantasy Resonance, o novo título HD-2D que será lançado daqui a algumas semanas. 

O espaço, no geral, não foi tão bem dimensionado, com vários consoles disponíveis para Resonance, que tem uma demo pública e, por isso, pouco interesse dos visitantes, e somente dois PlayStation 5 rodando o badalado Revelation. Com isso, a fila foi surreal e demorou para andar, e ainda com pouco tempo de jogo – não era permitido tirar fotos dentro do estande, mas, pelo menos, os visitantes podiam ganhar um pôster e posar para uma foto segurando uma réplica da famosa Buster Sword usada por Cloud.

Com previsão de lançamento para abril de 2027, Revelation promete encerrar a trilogia de remakes de Final Fantasy VII com a introdução de novos personagens jogáveis e regiões inéditas, além do que já vimos no primeiro remake e em Rebirth. É um projeto massivo, com uma demo que começa em uma dungeon aleatória, em um ponto desconhecido da história, no qual Cloud, Cid e Vincent estão juntos em uma party — é a mesma versão para PS5 apresentada na Tokyo Game Show, há um mês. Vincent, que usa uma arma, e Cid, equipado com uma lança, adicionam boa profundidade à jogabilidade, que terá um novo sistema de jobs chamado FITS. Não deu para ver muito com apenas cinco minutos de jogatina, ainda mais porque a demo conta com várias e várias cinemáticas, mas deu para sentir um pouco das novidades que os desenvolvedores estão preparando para este último título da saga.

Além das grandes desenvolvedoras

Tradicionalmente, a BGS também abre espaço para jogos independentes – e muitos feitos por estúdios brasileiros, com os próprios desenvolvedores apresentando seus títulos. Um título no mínimo curioso que esteve disponível para testes no evento foi Bloodfang, um RPG no estilo dos soulslikes em que o jogador controla um coelho, disponível para salvar na lista de desejos da Steam. Não é um game tão diferente do soulslike médio em termos de gameplay, tendo só mesmo uma estética bem singular que chama atenção — para recuperar vida, o protagonista precisa comer cenouras enquanto se esquiva dos inimigos.

Outras empresas que não são necessariamente envolvidas com a produção de jogos também estiveram presentes na BGS — a ThunderX3, uma fabricante de cadeiras gamer, montou um estande em parceria com a Warner, promovendo o portfólio de produtos da empresa com gameplays, brindes e sorteios relacionados à franquia Mortal Kombat.

O canal de TV Band, aleatoriamente, marcou presença no evento com a Arena Band, que trouxe jogos em realidade virtual, enquanto o SBT patrocinou as sessões de meet and greet deste ano. A plataforma de e-sports GamersBrawl disponibilizou computadores para os visitantes duelarem no League of Legends, e a loja online SmileOne representou a NetEase Games com força, permitindo que o público jogasse títulos online como Once Human, Marvel Rivals e Where Winds Meet.

É um evento legal

No fim das contas, a Brasil Game Show de 2026 foi bem convencional, sem nada memorável e fora do comum (como uma visita de Hideo Kojima), mas com o destaque de ter tido um recorde de jogos pré-lançamentos disponíveis para jogar — com a condição de aguentar muito, mas muito tempo de fila. A falta de mais estandes de grandes desenvolvedoras e de outras plataformas, como o PlayStation e o Xbox, foi sentida, mas a excelente presença da SEGA e da Nintendo somada às outras atrações do evento conseguiu solidificar a edição desse ano como um passeio interessante e divertido.

Revisão: Ailton Bueno