Lançado e operado pela publisher indie.io, o Indie Pass é um serviço que tenta ser uma alternativa ao Xbox Game Pass focado em oferecer um catálogo repleto de jogos independentes. O problema é que os games disponibilizados pela plataforma não chegam a ser tão chamativos, somado ao preço da assinatura mensal, que também não é tão convidativo em comparação às opções já existentes.
Jogos de uma única empresa

A assinatura do Indie Pass é disponibilizada em dois planos: mensal, por R$ 29,99, e anual, por R$ 239,99 – um desconto de 33% em relação aos pagamentos mensais ao longo do mesmo período. O serviço é inegavelmente uma empreitada exclusiva da publisher indie.io, tanto que praticamente não há produções de outras empresas na plataforma. Por isso, o catálogo oferecido pela assinatura é pequeno, trazendo uma seleção bastante limitada de títulos da empresa – que era anteriormente conhecida como Freedom Games.
Os títulos mais interessantes presentes na assinatura são: Coromon (um clone de Pokémon), LunarLux (RPG), Crypterion (visual novel), Kriophobia (survival horror com câmera fixa) e City of Beats (roguelike). Grande parte dos jogos desse catálogo, no entanto, pode ser comprada na Steam e em outras lojas de PC por preços mais acessíveis do que a própria assinatura mensal do serviço, que possui poucos atrativos, mas ao menos oferece uma plataforma funcional para baixar os games livres de travas antipirataria.
Sem grandes nomes

De acordo com a empresa responsável pelo serviço, a ideia da plataforma é servir como uma ferramenta para ajudar na descoberta de novos lançamentos independentes, que podem acabar se perdendo em meio à quantidade altíssima de games lançados nas lojas digitais. Nem chegamos à metade de 2026, mas exatamente 9505 títulos distintos já saíram na Steam no decorrer do ano – uma média aproximada de 65 novos jogos por dia na plataforma. É de fato impossível prestar atenção em tudo que chega a uma loja gigantesca como a Steam, mas o problema é que o Indie Pass não conta com nenhum grande chamariz.
O conceito do que seria um jogo independente evoluiu há tempos, especialmente após a mudança na principal forma de consumo de videogames, que passou das cópias físicas tradicionais para a distribuição digital como um padrão de mercado, reduzindo consideravelmente as barreiras para lançar qualquer projeto. Inicialmente, os jogos independentes eram feitos por estúdios pequenos e sem o apoio de grandes editoras, mas esse nicho se expandiu e se tornou tão relevante a ponto de títulos como Clair Obscur: Expedition 33 (produzido por um estúdio pequeno e distribuído por uma cooperativa de desenvolvedoras) disputarem espaço e relevância em igualdade com produções feitas por estúdios consagrados.

Com isso, cria-se uma distinção dentro do próprio cenário independente, quase como diferentes escalões de produção, com jogos de escopos extremamente variados sendo desenvolvidos tanto com orçamentos milionários quanto por literalmente uma única pessoa. Ainda assim, a principal característica em comum entre eles continua sendo o fato de não terem sido produzidos sob o comando de publishers tradicionais, como Sony, Microsoft, Take-Two e muitas outras. Existem jogos independentes reconhecidos mundialmente e que venderam milhões de cópias, como Hollow Knight, Hades, No Man’s Sky, Palworld, Lethal Company e Balatro, mas nenhum deles está presente no catálogo oferecido pelo Indie Pass.
Não há nomes conhecidos no catálogo do Indie Pass, e isso naturalmente levanta dúvidas sobre o potencial de longevidade da plataforma. Muitas pessoas não se importam tanto com a diferença entre jogos indie e AAA, priorizando mais o interesse pelos games propriamente ditos do que tudo. Por isso, é difícil acreditar que uma plataforma focada apenas na ideia de descobrir jogos independentes, sem proporcionar nada além disso, consiga se destacar. O serviço é exclusivo para PC e possui seu próprio launcher, então sequer traz algo verdadeiramente novo, como versões desses jogos para consoles, por exemplo.
Com o passar dos anos, os jogos independentes mais chamativos, por ironia, tornaram-se grandes atrações das assinaturas da Sony, Microsoft e até dos games distribuídos gratuitamente pela Epic – todas as empresas gigantes do setor. Dessa forma, sobra pouco espaço para um serviço como o Indie Pass, embora a ideia em si não seja ruim – afinal, não é porque os jogos são desconhecidos que eles são ruins, muito pelo contrário.
Não vale a pena
O serviço não agrada justamente por ser limitado ao conteúdo de uma publisher específica, quando deveria contar também com produções de maior renome para atrair mais atenção. Para quem deseja conhecer games de estúdios menores simplesmente pelo interesse em jogos independentes e nada além disso, a recomendação é acompanhar o catálogo do Amazon Luna, que oferece uma assinatura mais barata vinculada aos demais benefícios do Prime, além da possibilidade de integrar os jogos a plataformas mais relevantes no ecossistema do PC e que, em tese, possuem um futuro mais seguro do que um serviço como esse.
Cópia de PC cedido pelos produtores
Revisão: Ailton Bueno




