Dragon’s Dogma 2 chega ao Switch 2 junto ao lançamento da expansão Dark Arisen, lançada também nas demais plataformas. É um port que tem alguns problemas e concessões, mas ainda assim segue sendo um ótimo jogo, agora com ainda mais conteúdo.
Desenvolvimento: Capcom
Distribuição: Capcom
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, RPG
Classificação: 16 anos (violência, conteúdo sexual, drogas lícitas)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 32 horas (campanha)/94 horas (100%)
Prove-se ser o Nascen

Dragon’s Dogma 2 é a continuação de um dos jogos mais únicos lançados pela Capcom na década passada, sendo bastante aguardado e que muita gente achou que nunca veria a luz do dia. Sua história não tem relação com o anterior, mas a ambientação é a mesma, algo semelhante à idade média europeia com elementos de fantasia.
Controlamos o Nascen (Arisen, no inglês), uma pessoa que possui o dom de comandar e controlar guerreiros (chamados de peões) e a capacidade de matar o Dragão — que é quem determina quem é o Nascen. Porém, só pode haver um Nascen por vez, sendo comum a existência de farsantes se declarando ser o escolhido. Nesse contexto, um desses farsantes está prestes a ser reconhecido oficialmente pelo reino como o Nascen, e temos como objetivo então coibir esse golpista. Mas devemos agir na clandestinidade, pois nosso protagonista seria tratado como farsante e eliminado. Assim, com a ajuda de Brant, capitão do palácio, cumprimos diversas missões para conquistar a confiança do povo e sermos reconhecidos como o legítimo matador de dragões.
Um típico mundo medieval de fantasia

Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é um jogo de ação e aventura em mundo aberto, no que eu diria que é algo como um misto de The Witcher 3 e Skyrim. O mundo é aberto e devemos ir de lá para cá cumprindo missões principais e paralelas, enfrentando monstros fracos e poderosos, coletando armas e equipamentos e demais atividades de RPGs de ação em mundo aberto. Começamos em uma cidade pequena e logo chegamos na capital do reino, Vernworth, que serve como nosso hub. Os desenvolvedores alegam que o mundo tem quatro vezes o tamanho do jogo anterior, e realmente há bastante coisa para se fazer e explorar. Não raro, você está apenas andando por aí e alguém te aborda com uma nova missão.
Como dito, o protagonista tem a capacidade de invocar e controlar peões, que são personagens controlados pelo jogo e que te auxiliam no combate e na exploração. Temos um peão principal que criamos no começo da história, junto com nosso personagem, e que nos acompanha durante toda a jornada. Além disso, podemos contratar mais dois peões, que, se estiver jogando online, são os peões criados por outros jogadores — assim como o nosso fica disponível para todos. É um sistema bem bacana, pois nos permite formar um time com lutadores variados e assim melhor abordar o combate, além de habilidades de exploração como indicar onde há recursos para serem coletados ou o caminho para cumprir missões.
Combate bom e diversificado

Falando no combate, ele é outra parte boa do jogo. Os personagens possuem classes, geralmente arquétipos típicos de jogos assim, como guerreiro, arqueiro e mago. Cada classe tem acesso a diferentes ataques e habilidades e a jogabilidade varia bem entre elas, possibilitando que cada jogador encontre a forma (ou formas) de jogar que mais lhe agrade. Não diria que combate seja algo excepcional, mas diverte e cumpre bem sua função, principalmente ao enfrentar os inimigos grandes e mais fortes.
Há uma boa progressão e a melhoria de nosso personagens e sua classe e habilidades empolga para seguirmos adiante. É muito irritante, porém, que não seja possível fixar a câmera nos inimigos. Mas o pior aspecto definitivamente é o gerenciamento de itens, pois há uma enormidade de coisas que podem ser coletadas e carregadas, e nosso personagem tem um limite muito baixo de peso que consegue levar sem ficar pesado e lento. Às vezes, passamos muito tempo apenas organizando o inventário, ao invés de explorar o mundo.
Ainda mais o que se explorar

A expansão Dark Arisen (que é o mesmo nome da expansão do primeiro jogo, por algum motivo) chega aumentando ainda mais o conteúdo. Há uma nova área para se explorar, as terras geladas de Norgan. Apesar de ser acessível lá por meados da história principal, os inimigos dessa região são muito mais fortes, sendo indicado ir para lá quando estiver mais avançado. Além disso, são adicionados novos conteúdos também no mapa original, como missões, equipamentos e novos cosméticos. Não é um conteúdo que mude muito a experiência, mas é bacana por adicionar mais o que se fazer e explorar mais os bons sistemas de luta e exploração.
Quanto à versão de Switch 2, os sentimentos são mais mistos. É sabido que Dragon’s Dogma 2 não tem um desempenho excepcional em nenhuma plataforma. Meio que, junto com Monster Hunter Wilds, mostrou que a RE Engine não parece ainda estar pronta para jogos de mundo aberto. Há problemas como texturas visivelmente carregando, 30 quadros por segundo como meta, alguns personagens e cenários feios. Dadas essas concessões, o jogo no geral roda bem e estável, com diversos cenários muito bonitos e também ótimos efeitos de luz.
Em resumo, não é a forma ideal de experienciar o jogo, mas é um port competente e plenamente possível de se desfrutar essa boa jornada. Porém, há uma coisa absurda que quero acreditar que será consertada em breve em uma atualização: o game frequentemente trava ao colocar o console no modo repouso. Ao voltar, a tela fica congelada e precisamos reiniciar o jogo. Nunca vi isso em tantos anos de Switch 1 e 2 e precisa ser consertado urgentemente.
Vamos aproveitar já que existe
Dragon’s Dogma 2: Dark Arisen é um jogo que por muito tempo achou-se impossível. Felizmente, a Capcom ouviu os fãs e produziu mais essa boa aventura, mantendo a essência do primeiro com melhorias e mudanças pontuais.
Revisão: Julio Pinheiro
Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores




