Octopath Traveler é um RPG que combina uma apresentação visual espetacular, uma trilha sonora marcante e oito protagonistas com histórias próprias. A mistura de elementos clássicos de Final Fantasy com uma estética que lembra Ragnarok dá muita personalidade à aventura, enquanto os sistemas acessíveis facilitam a progressão. Dessa vez, o game chega ao Switch 2 com uma performance lisa e gráficos de cair o queixo.
Desenvolvimento: ACQUIRE Corp.
Distribuição: SQUARE ENIX
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 12 anos (violência fantasiosa, temas sugestivos, álcool)
Português: Não
Plataformas: Switch, Switch 2
Duração: 60 horas (campanha)
Uma identidade visual e sonora marcante

A direção de arte HD-2D é um dos maiores destaques, combinando pixel art clássica com cenários tridimensionais, iluminação e efeitos modernos. O resultado lembra uma mistura de Final Fantasy da era 16-bit com Ragnarok, criando um mundo que parece nostálgico e moderno ao mesmo tempo. É um estilo que combina perfeitamente com a proposta de um RPG tradicional sem deixar a apresentação visual ultrapassada.
A trilha sonora é igualmente fantástica e acompanha muito bem a atmosfera da aventura. As composições ajudam a dar personalidade às diferentes regiões e situações, reforçando tanto os momentos de exploração quanto os confrontos. É o tipo de trilha que não serve apenas como acompanhamento, mas ela, sim contribui diretamente para tornar esse universo mais envolvente.
Oito protagonistas, oito jornadas
A possibilidade de escolher entre vários protagonistas dá bastante variedade à experiência, já que cada personagem tem sua própria história e motivação. Essas narrativas se cruzam durante a aventura, e você acaba encontrando outros personagens jogáveis pelo caminho, podendo convidá-los para integrar seu grupo. Em alguns momentos, eles chegam a se encontrar durante suas jornadas, criando conexões interessantes entre histórias que inicialmente parecem independentes. O resultado? Mais de 60 horas de jogo para seu backlog.
As habilidades dos personagens também ajudam a diferenciar a experiência. A Dançarina, por exemplo, consegue convidar temporariamente NPCs para ajudar nos confrontos, acrescentando mais opções estratégicas aos combates. Com tantas histórias e personagens disponíveis, existe sempre algo novo para descobrir, e a variedade do elenco e diferentes habilidades são alguns dos principais motivos para continuar explorando o mundo.
Sistemas acessíveis e progressão prática

Gerenciar equipamentos é simples e intuitivo. Em vez de precisar comparar e equipar cada peça manualmente, você consegue otimizar todo o conjunto com apenas um comando, agilizando uma tarefa que costuma se tornar repetitiva em RPGs mais extensos. É uma solução prática que deixa você dedicar mais tempo à aventura e menos tempo organizando menus.
O aprendizado de habilidades segue a mesma filosofia: você acumula pontos de habilidade e escolhe quais técnicas deseja desbloquear. Não há complicações desnecessárias, e a progressão é fácil de entender mesmo para quem não está acostumado com RPGs tradicionais. O salvamento automático ao entrar em cada área também é muito bem-vindo, reduzindo o risco de perder progresso e tornando as sessões de jogo mais tranquilas.
Combates que interrompem a exploração

O maior problema está nos encontros aleatórios. Os inimigos aparecem enquanto você explora, sem que seja possível simplesmente observá-los no mapa e decidir se vale a pena lutar. É uma mecânica tradicional dos RPGs antigos, mas prefiro games atuais que deixam você enxergar os adversários e escolher quando enfrentá-los, principalmente quando seu objetivo é chegar a determinado lugar ou continuar uma missão.
A situação piora pela ausência de uma opção para acelerar as batalhas. No começo, os confrontos fazem parte do ritmo natural da aventura, mas, conforme você avança, a frequência dos encontros torna a exploração mais fragmentada. No mais, o combate acaba sendo divertido e variando entre múltiplas armas equipadas e habilidades aprendidas (que consomem SP). Também é possível ter vantagem com a mecânica Boost, uma vez por turno quando você é atacado, através da qual seus ataques são potencializados.
Um RPG fantástico com seus percalços
Octopath Traveler acerta em cheio na direção de arte, na trilha sonora, nas histórias e nos sistemas acessíveis. É uma aventura envolvente que demonstra como a fórmula clássica de RPG ainda funciona muito bem, mas os encontros aleatórios e a falta de aceleração das batalhas prejudicam o ritmo de uma experiência que merecia ser mais flexível — apesar do combate eficaz e divertido. No mais, é uma pena que não haja um pacote de upgrade para donos da versão de Switch 1, ou mesmo uma forma de migrar o save.
Cópia cedida pelos produtores
Octopath Traveler
Prós
- Direção de arte HD-2D espetacular
- Trilha sonora fantástica
- Oito protagonistas para escolher
- Narrativas que se cruzam
- Habilidades e equipamento fácil de gerenciar
Contras
- Sem opção de acelerar batalhas
- Encontros aleatórios excessivos
- Sem pacote de upgrade
- Versão Switch 2 não dá acesso à de Switch 2
- Sem PTBR







