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Review Tormented Souls 2 (Switch 2) – Terror como nos velhos tempos

Assim como seu antecessor, Tormented Souls 2 é uma homenagem aos clássicos do survival horror, sem disfarçar a inspiração nos clássicos que fundaram o gênero. Caroline Walker retorna para mais uma aventura repleta de segredos, medo e horrores, com ótimos puzzles, mas um combate que pode não agradar.

Desenvolvimento: Dual Effect
Distribuição: PQube
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Aventura, Terror
Classificação: 16 anos (violência, drogas lícitas, linguagem imprópria)
Português:  Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 13 horas (campanha)/20.5 horas (100%)

Sem tempo para a tranquilidade

Porém, essa estranheza não é perceptível durante a gameplay
Gráficos dos personagens durante as cenas são estranhos

Tormented Souls 2 é protagonizado por Caroline Walker, assim como no jogo anterior. Apesar de ter tentado buscar uma vida normal, Caroline está a caminho de uma clínica no Chile para buscar tratamento para sua irmã Anna, que vem tendo alucinações com cenas de violência. Ao chegar lá, porém, logo percebe-se que é um ambiente macabro. As supostas trabalhadoras do local sequestram Anna e mostram que algo de muito bizarro acontece nesta clínica e em todo o vilarejo que exploraremos. Como esperado de um bom jogo do gênero, a história repleta de mistérios e reviravoltas é bastante envolvente, com aprofundamento do contexto dado por meio de escritos encontrados pelos cenários.

Como mencionei na introdução, Tormented Souls 2 (assim como o primeiro) é abertamente influenciado pelos clássicos do gênero. Eu diria até que os jogos foram pensados justamente para atender a demanda que certamente existe para quem quer experienciar mais games como os três primeiros Resident Evil, uma vez que a Capcom não voltou atrás nessa fórmula. Com isso, eu digo a estrutura básica do jogo: controlamos uma personagem com controles tank, em telas com câmera fixa (mas modeladas em 3D, ao invés de pré-renderizados). Caroline deve resolver puzzles e enfrentar monstrengos bizarros, gerenciando recursos escassos.

Como nos velhos tempos

Caroline pode sempre andar com o isqueiro para iluminar o ambiente
Sinto falta de jogos em que vamos apertando botão nas coisas e vemos os pensamentos do personagem

Dessa forma, Tormented Souls 2 é uma versão moderna daqueles jogos, com influências também de outros clássicos como Silent Hill e Alone in the Dark. E eu acho que a fidelidade a uma determinada fórmula traz coisas boas e ruins, pois algumas ideias podem ter sido abandonadas ao longo do tempo por bons motivos.

Caroline explora o ambiente e coleta itens, entre armas, munições, itens de cura e itens para resolver puzzles e liberar mais áreas, avançando na história. Sendo um jogo focado na sobrevivência, munições e itens de cura são escassos. Porém, um diferencial é que não há limite de inventário, sem a necessidade de gerenciar o que carregamos. Um sistema interessante é como usamos itens em puzzles, interagindo diretamente com as estruturas ou o cenário. É basicamente assim que vamos avançando, pegando um item aqui, usando ali, liberando uma porta acolá, enfrentando um chefe em seguida.

Bons puzzles, combate nem tanto

Ao menos em algumas batalhas de chefe há mais espaço para se mover, sendo mais fácil sobreviver
Batalhas contra chefes também não são muito legais

Nesse avanço há diversos puzzles que devem ser resolvidos, que são algumas das melhores partes do jogo. Não são impossíveis de resolver mas precisam algumas boas pensadas. Falando em se mover, além dos controles tank com o direcional, também é possível controlar a personagem com o controle analógico. Mas isso é um pouco estranho, pois a direção muda ao mudar a tela e, consequentemente, o ângulo da câmera. É possível manter a direção, assim como nos primeiros jogos de Onimusha no PS2, mas é fácil se atrapalhar, principalmente se estiver em combate naquele momento. Só me incomoda que por vezes devemos ir de um lado para o outro para resolver algum quebra-cabeça e temos inimigos incomodando, mas faz parte do gênero.

Isso me leva ao aspecto que achei o mais fraco do jogo, que é o combate. O comportamento dos inimigos é difícil de se prever, baseado nas suas animações inconsistentes. Em geral, mantemos distância e ficamos apenas atirando e esperando o inimigo cair. Enfrentar os inimigos não é necessariamente difícil, mas não é divertido ou empolgante. Além disso, Caroline morre com poucos ataques. Desviar também é pouco consistente, podendo escapar sem problemas ou custar vários minutos de jogo. Há um movimento de esquiva, mas é bastante lento. 

Salvar com itens, em 2026

Também podemos mexer nos próprios itens ao observá-los e podemos desvendar segredos ali mesmo
Usamos itens de forma mais interessante do que nos jogos inspiradores

Outra coisa que me incomoda e que acho que deveria ficar no passado é a necessidade de usar itens descartáveis para salvar. Eu entendo o objetivo da mecânica e tudo mais, mas a essas alturas da vida, eu não quero que algo do jogo possa atrapalhar a vida real. Às vezes, eu preciso desligar a máquina, fechar o jogo, a luz cai, ou o que quer que seja, e me sinto limitado por isso. No mínimo, acho que deveria ser dada a opção de salvar sem limites, com alguma “penalidade”, como não poder destravar conquistas ou coisa do gênero.

O visual do jogo é interessante, com cenários bem bonitos e excelente uso de efeitos de sombra e iluminação para gerar tensão e medo. Mas durante as cenas, as coisas não são tão agradáveis, ao menos nessa versão de Switch 2, com os personagens sendo um tanto feios, incluindo a própria Caroline.

Mata a sede de quem está nessa busca

Tormented Souls 2 não é um jogo excepcional, mas tem suas qualidades e certamente serve como um boa saída para quem tem sede de jogar um novo Resident Evil 2, mas com requintes modernos. Se você se adaptar ou relevar o sistema de combate, certamente aproveitará um bom jogo que traz lembranças de tempos mais simples e amedrontadores.

Revisão: Julio Pinheiro

Cópia cedida pelos produtores

Tormented Souls 2

7

Nota final

7.0/10

Prós

  • Ótimos puzzles
  • Cenários bonitos e bem iluminados
  • História envolvente

Contras

  • Uso de itens para salvar
  • Combate limitado