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Review SiN Reloaded (Xbox Series X) – O coronel John R. Blade está de volta

SiN Reloaded é nada mais, nada menos, que mais um, dos que esperamos que sejam muitos, capítulos do ótimo trabalho que vem sendo feito pelo time de desenvolvedores da Nightdive Studios em modernizar diversos jogos que são considerados clássicos cult. Porém, será que apenas um bom trabalho de modernização é suficiente para trazer a franquia SiN de volta ao mercado em grande estilo? É isso que vamos tentar responder ao longo desta análise.

Desenvolvimento: Nightdive Studios
Distribuição: Atari, Nightdive Studios
Jogadores: 1-8 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 18 anos (violência extrema, conteúdo sexual, drogas lícitas, drogas)
Português: Legendas e Interface
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 12 horas (campanha)

Um produto de seu tempo

JC aproveitando a oportunidade para fazer mais uma piadinha com o coronel Blade.
JC aproveitando a oportunidade para fazer mais uma piadinha com o coronel Blade.

É importante reforçar que SiN Reloaded foi o meu primeiro contato com a franquia SiN, que eu sequer conhecia. A primeira coisa que me veio à cabeça ao começar a campanha principal e conhecer um pouco do protagonista brutamontes, que atira primeiro e pergunta depois, foi a clássica franquia Duke Nukem e outros jogos de tiro dessa época.

Porém, aqui controlamos o coronel Blade, que atende a um chamado de assalto a banco que vai se desenrolar em uma grande conspiração, na qual a empresa maligna SinTEK Industries, liderada pela perversa doutora Elexis Sinclaire, está utilizando uma droga chamada U4 para transformar os habitantes de Porto Livre em verdadeiras aberrações monstruosas. É claro que, como bom samaritano e protetor dos inocentes, vamos investigar isso até a sua fonte e cortar o mal pela raiz. Tudo isso enquanto somos auxiliados por JC, nosso parceiro hacker, que nos acompanha de longe com muitos comentários, pertinentes ou não, para a missão.

Uma boa jogabilidade, mas com ressalvas

Acabando com uma das criaturas criadas com a droga U4.
Acabando com uma das criaturas criadas pela droga U4.

Como já era de se esperar, pelo menos para quem já jogou alguma das várias modernizações que a Nightdive Studios lançou ao longo dos últimos anos, a jogabilidade em SiN Reloaded funciona de maneira satisfatória. Desde os combates, nos quais utilizamos diversos tipos de armas ao longo da campanha, como pistolas, metralhadoras, rifles, escopetas, minas, lança-granadas e muito mais, até os momentos de exploração, nos quais muitas vezes precisamos pular entre obstáculos, escalar, nos agachar para passar por dutos estreitos ou então mergulhar em locais pouco seguros.

Tudo funciona da maneira que deveria, exceto os veículos. Vale frisar que são poucos os momentos nos quais vamos precisar pilotar ou dirigir algum veículo, como tratores ou quadriciclos, por exemplo, mas, em todas as vezes, eles funcionam de maneira bastante desengonçada. Isso faz com que a simples tarefa de derrubar uma parede com um trator se transforme em um verdadeiro desafio. Em alguns dos momentos, eu até mesmo consegui prender o trator no cenário, sendo necessário voltar o save para poder prosseguir com o jogo.

Entre esgotos e laboratórios

Explorando laboratório da SinTEK Industries.
Explorando o laboratório da SinTEK Industries.

O que começa como um assalto a banco acaba nos fazendo explorar os mais diferentes tipos de ambientes, desde vielas e esgotos até selvas, laboratórios, plataformas petrolíferas e bases secretas da corporação por trás do U4. A boa variedade de cenários e ambientes funciona a favor do jogo, diminuindo a chance de enjoarmos ao passar sempre pelos mesmos locais.

Porém, algo que me incomodou durante minhas jogatinas foi a falta de um minimapa ou de alguma outra forma de se localizar durante as missões. Embora o jogo seja linear, um mapa para ajudar durante as explorações seria sempre muito bem-vindo. Em alguns trechos, acabei indo e vindo mais do que deveria por não ter uma forma de me localizar no ambiente.

Outro ponto que me incomodou, assim como no remaster do System Shock 2, foi a ausência de uma lanterna durante a campanha principal, pois alguns, embora poucos, trechos do jogo são realmente bem escuros, dificultando que o jogador saiba para onde está indo em meio à escuridão. Até podemos encontrar alguns bastões luminosos ao explorarmos as fases com mais cautela, mas, caso contrário, teremos que enfrentar a escuridão sem nenhum recurso.

Modernizando além da campanha principal

Palavras embaralhadas após tradução do texto para português.
Palavras embaralhadas após a tradução do texto para o português.

Não satisfeitos em modernizar e trazer ao público o primeiro título da franquia SiN, os desenvolvedores da Nightdive Studios trazem aos jogadores não só a campanha principal, mas também sua expansão, Wages of SiN, adicionando à experiência diversas novas missões, armas e inimigos, além de enriquecer a trama após os acontecimentos da campanha principal.

E, claro, toda essa modernização conta com tradução para o português brasileiro, algo sempre muito bem-vindo, independentemente do gênero ou da idade da obra. Porém, a tradução acabou gerando alguns pequenos problemas que impactam a jogatina. Muitas palavras ficaram grandes demais ao serem traduzidas para o nosso idioma e não foram redimensionadas, fazendo com que alguns textos se embaralhem ou não caibam onde deveriam.

Outro ponto que presenciei foi ao utilizar um computador dentro do jogo. Para voltar ao menu que precisava acessar, era necessário digitar a palavra “sair”, algo que o próprio jogo deixava bem claro. Porém, o comando só funcionava ao digitar “exit”, em inglês, o que acaba sendo um pequeno problema de localização que poderia ter sido evitado.

Modernizar é o suficiente?

Acho que, ao longo desta análise, fica perceptível o meu apreço pelo trabalho de modernização e conservação que a Nightdive Studios tem feito ao longo de sua existência. Porém, será que modernizar uma obra é o suficiente para que ela se mantenha relevante? Eu diria que depende. SiN: Reloaded entrega, mesmo com algumas ressalvas, bastante conteúdo, com uma boa variedade de armas, cenários e inimigos, mas talvez o fator nostalgia pese bastante nessa experiência. Não fui conquistado pela trama, por seus personagens caricatos e suas piadinhas de época, nem pela figura da femme fatale como vilã. Ainda assim, isso não impede que o título ofereça uma experiência divertida; apenas não o destacaria como algo marcante ou acima da média.

Cópia cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

SiN Reloaded

7

Nota final

7.0/10

Prós

  • Boa jogabilidade
  • Expansão inclusa
  • Tradução para pt-BR
  • Variedade de cenários
  • Boa variedade de armas

Contras

  • Ausência de minimapa
  • Veículos desengonçados
  • Textos mal dimensionados
  • Ausência de lanterna na campanha principal