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Review Warhammer 40.000: Boltgun II (Xbox Series X) – A ira do imperador continua

O universo sombrio e implacável de Warhammer 40.000 encontrou um lar perfeito nos chamados boomer shooters. Era óbvio que após o estrondoso sucesso do primeiro título, a Auroch Digital retornou com uma sequência ainda mais ambiciosa e frenética. Warhammer 40,000: Boltgun 2 chegou prometendo saciar a sede de sangue dos fãs por carnificina pixelada. Será que este novo capítulo consegue superar o original ou tropeça em suas próprias ambições? 

Desenvolvimento: Auroch Digital
Distribuição: Devolver Digital
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Tiro
Classificação: 16 anos (violência)
Português: Interface e legendas
Plataformas: Xbox Series X|S, PC, PS5
Duração: 7 horas (campanha)

Pólvora, fé e devoção

Nyra Veyrath acompanha Maelum nessa aventura

Em primeiro lugar, Boltgun 2 retoma os eventos frenéticos de onde o jogo anterior parou. Dessa vez, a campanha ganha um peso dramático e estratégico inédito graças à introdução de um segundo personagem jogável. Enquanto o indomável Space Marine Malum Caedo retorna com toda a sua fúria, os jogadores também podem assumir o controle de Nyra Veyrath, uma experiente Irmã de Batalha da Ordem de Nossa Senhora Mártir.

Além disso, a inclusão de uma campanha ramificada representa um avanço monumental para a franquia. Consequentemente, as escolhas de rotas oferecem fases únicas que expandem a rica tradição do universo de Warhammer. Apesar da história servir primariamente como pretexto para uma chacina divina, o lore é respeitado com maestria, agradando tanto veteranos quanto novatos.

Correndo, atirando e despedaçando

Maelum Caedo retorna para terminar o que começou

No que diz respeito à jogabilidade, a essência do combate em ritmo acelerado permanece intacta, mas profundamente refinada. Por um lado, a movimentação ágil do personagem permite deslizar, saltar e esquivar-se de ataques mortais em arenas dinâmicas. Por outro lado, o arsenal foi generosamente expandido com armamentos devastadores, incluindo uma escopeta visceral e lança-chamas implacáveis.

Ademais, a diversidade de inimigos das facções do Caos exige adaptação constante do jogador. Enquanto demônios velozes como Bloodletters avançam ferozmente, unidades de tiro à distância pressionam o posicionamento estratégico. Assim, cada confronto se transforma em um quebra-cabeça tático resolvido na base da pólvora e do banho de sangue.

Em termos de manuseio, os controles respondem com precisão cirúrgica, o que é vital em um jogo de tiro frenético. Graças à excelente otimização, alternar entre armas pesadas e o combate corpo a corpo flui de maneira natural. Além disso, o jogo transmite o peso de cada disparo da bolter com um realismo impressionante. Em suma, a interface de controle não cria barreiras entre a intenção do jogador e a execução da carnificina.

Nostalgia visual em alta definição

Aliados te ajudarão a enfrentar as hordas do caos

Visualmente, o jogo aprimora a estética retrô-moderna do antecessor, misturando sprites em pixel art detalhados com ambientes tridimensionais robustos. Por exemplo, os biomas variam desde colossais cidades-colmeias até pântanos sufocantes de selvas alienígenas. Contudo, alguns jogadores podem achar a paleta de cores excessivamente repetitiva em fases avançadas. Apesar disso, a direção de arte brilha ao capturar a opressiva e gloriosa atmosfera gótica do 40º milênio.

No aspecto sonoro, a experiência atinge patamares memoráveis. Enquanto os efeitos de tiro, explosões e gritos demoníacos ecoam com brutalidade realista, o grande destaque reside na trilha sonora. Particularmente, a inclusão de uma faixa composta por Mick Gordon para a batalha contra o chefe final eleva a adrenalina ao ápice absoluto. Portanto, ouvir aqueles acordes estridentes enquanto retalha hereges é uma recompensa indescritível para qualquer fã de metal e jogos de tiro.

Entre hordas e pixeis

Entre os grandes diferenciais, a dualidade de protagonistas e a estrutura de campanha não linear elevam consideravelmente o fator replay. Em contrapartida, o título sofre com algumas decisões de game design questionáveis. Por exemplo, alguns labirintos internos podem causar frustração devido à complexidade excessiva do level design, gerando momentos de desorientação. Ademais, a falta de um modo multijogador cooperativo continua sendo uma oportunidade desperdiçada, considerando o apelo cooperativo do universo Warhammer.

Quando comparado a expoentes do gênero como Ultrakill ou Amid Evil, Boltgun 2 aposta menos na velocidade hipercinética e mais no peso físico do combate. Enquanto Ultrakill prioriza combos aéreos complexos, a obra da Auroch Digital foca na brutalidade pura e simples do armamento pesado. Por conseguinte, ele se posiciona como um herdeiro legítimo de Doom (1993), mas com uma identidade profundamente enraizada na rica mitologia da Games Workshop.

Uma sinfonia de destruição

Warhammer 40,000: Boltgun 2 cumpre com louvor a promessa de entregar uma experiência de tiro nostálgica, sangrenta e extremamente divertida. Apesar de pequenos tropeços no design de fases, o saldo geral é amplamente positivo.

Cópia cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Warhammer 40.000: Boltgun II

8.5

Nota Final

8.5/10

Prós

  • Dois protagonistas com estilos de combate distintos
  • Campanha ramificada que aumenta consideravelmente o fator replay
  • Trilha sonora espetacular

Contras

  • Level design em algumas fases pode causar desorientação e frustração pontual
  • Ausência completa de um modo multijogador cooperativo online ou local
  • Curva de dificuldade acentuada sem aviso prévio em chefes intermediários