the crew motorfest capa

Review The Crew Motorfest (Switch 2) – Quebrando tudo no Havaí

Quando The Crew Motorfest foi anunciado, fiquei bastante animado. A Ubisoft tem um histórico sólido com mundos abertos e, neste título, nos coloca para correr, voar e navegar pelas ilhas paradisíacas do Havaí. Contudo, levar toda essa experiência para um portátil é um grande desafio. Será que a versão para Switch 2 consegue entregar o mesmo nível de qualidade da versão de PC e dos outros consoles?

Desenvolvimento: Ubisoft Ivory Tower

Distribuição: Ubisoft 

Jogadores: 1 (local) e 1-32 (online)

Gênero: Corrida

Classificação: 12 anos (linguagem imprópria)

Português: Interface e legendas

Plataformas: PS4, PS5, Switch 2, Xbox One, Xbox Series X|S, PC

Duração: 32 horas (campanha)/43 horas (100%)

Ilhas havaianas

The Crew Motorfest cena norturna com raios no céu
Esses raios durante as tempestades me pegaram desprevinido

Em poucas palavras: sim, o game entrega o que promete. Obviamente, não podemos comparar a versão do Switch 2 com as de plataformas mais potentes, mas, dentro do que se propõe, The Crew Motorfest é visualmente impressionante. Destruir muros e cercas é extremamente satisfatório, sem falar nos efeitos de iluminação noturnos (como nos shows de drones) ou ao atravessar trechos escuros nas montanhas, onde dependemos totalmente dos faróis de milha para enxergar o caminho.

Meu único porém é que, sob a luz do dia, especialmente nas florestas, é perceptível o aparecimento repentino de elementos no cenário (o famoso pop-in). No entanto, se ignorarmos esse detalhe, o Switch 2 lida muito bem com os gráficos do jogo. A taxa de quadros é extremamente sólida, mesmo quando há diversos elementos na tela. Em momento nenhum percebi um engasgo ou coisa do tipo, mesmo quando participei de corridas online.  

Carro na praia com um aloha gigante em forma de estátua
As praias são muito bem feitas

Falando nas ilhas havaianas, a princípio imaginei que o mapa seria pequeno, mas ele é gigantesco. Há uma variedade enorme de cenários para explorar, como cidades, montanhas, praias, florestas e o mar — todos muito bem executados. Por vezes, me peguei imaginando como seria um Ghost Recon com esses cenários e quão divertido isso seria. Vale a pena dedicar um bom tempo apenas passeando e admirando a paisagem.

Além disso, há diversos colecionáveis espalhados, como estátuas de estrelas e bombas de combustível antigas. O mapa começa a piscar e um sinal sonoro é emitido à medida que nos aproximamos de um item, permitindo esquecer os objetivos principais só para caçar esses objetos.

E vamos de playlists

Um cenário japonês no jogo
Os cenários são variados e bem feitos

Antes de detalhar as playlists, vale destacar a imensa variedade de veículos disponíveis: esportivos, clássicos vintage, japoneses, muscle cars, motos, aviões e barcos. As playlists consistem em conjuntos de atividades temáticas, incluindo corridas de rua, circuitos fechados, trajetos de ponto a ponto, desafios fotográficos, missões de reconhecimento guiadas por fotos e muito mais. Além disso, as ruas contam com diversos desafios secundários, como radares de velocidade, eventos de slalom e missões de fuga.

Como as playlists são temáticas, para focar em muscle cars ou carros vintage, por exemplo, é necessário progredir na lista correspondente. Ao concluir cada uma, geralmente somos recompensados com um veículo e peças de personalização — e há uma quantidade impressionante de ajustes disponíveis, um prato cheio para os entusiastas. Minha única ressalva em relação às playlists é a ausência de dublagem em português. Em várias corridas, os NPCs contam histórias e curiosidades interessantes sobre o Havaí, mas, como é preciso manter o foco na pilotagem e na pista, muitas informações acabam se perdendo.

O jogo também conta com eventos temporários que incentivam o jogador a retornar com frequência. Embora seja possível utilizar veículos emprestados na maioria dos eventos, alguns exigem modelos específicos que podem ser adquiridos com a moeda do próprio jogo ou por meio de microtransações, com dinheiro real.

Por fim, um ponto de atenção é o funcionamento limitado do crossplay, restrito a modalidades específicas como Grand Race, Demolition Royale e os placares do Summit Contest. Isso significa que não é possível criar uma sessão livre para passear pelo mapa com amigos de outras plataformas. Durante a exploração, vemos apenas “fantasmas” de outros condutores pelas ruas — embora seja difícil saber se são jogadores reais ou IA. Em diversos momentos, achei que colidiria de frente com outro veículo, mas ele simplesmente atravessou o meu.

Dentro do cockpit

corrida de barco
A foto não faz juz ao visto no jogo

Agora que abordei a maioria dos aspectos, resta falar sobre o ponto principal: a jogabilidade. E posso resumi-la em uma palavra: excelente. The Crew Motorfest atende perfeitamente tanto quem busca o desafio de um simulador acessível quanto quem deseja apenas uma experiência arcade divertida. A curva de aprendizado dos comandos é muito bem-cadenciada e, caso o jogador enfrente dificuldades ou vença com muita facilidade, o game sugere ajustes para manter o jogador entretido.

Com uma garagem que supera 700 modelos de diversas categorias, cada veículo apresenta um comportamento dinâmico e peso distintos na pilotagem. Os modelos vintage parecem mais pesados e cadenciados, enquanto os esportivos japoneses exigem uma maior precisão para não perder o controle ao entrar na lama ou sair do traçado da pista, e com isso ir parar em um riacho ou bater na mureta, como aconteceu comigo diversas vezes. 

Entre as categorias, os muscle cars foram alguns dos meus favoritos. O jogo homenageia com maestria modelos de variadas décadas, algo que se estende a todo o acervo disponível. As disputas em circuitos fechados e as corridas de rua são extremamente divertidas e, em alguns casos, bastante extensas — mantendo a tradição e o charme da franquia The Crew.

Aloha!

Respondendo à pergunta lá da introdução: sim, The Crew Motorfest consegue entregar o mesmo nível de qualidade. O game celebra a cultura automotiva com excelência, transformando o arquipélago do Havaí em um playground gigantesco e repleto de paisagens deslumbrantes a serem exploradas. Apesar do suporte a crossplay ser limitado e dos pop-ins visíveis, esta versão para Switch 2 impressiona pela qualidade visual e desempenho. A jogabilidade é precisa, com uma física e cara própria para cada veículo. Por fim, só me resta recomendar esse título para os entusiastas de jogos de corrida.

Cópia cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

The Crew Motorfest

8.5

Nota final

8.5/10

Prós

  • Grande quantidade de carros disponíveis
  • Os carros são bem diferentes e tem jeitos característicos de se dirigir
  • Cenário belíssimo
  • Muito conteúdo

Contras

  • Falta de dublagem em português
  • Crossplay capenga