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Review Atlas Fallen (Xbox Series X) – Admirável mundo morto

Quando um deus perverso é desafiado por outro de sua raça, uma grande batalha se desencadeia e traz grandes consequências para o mundo de Atlas. A humanidade pagou caro e sofreu com as consequências mesmo com o passar dos anos. Vidas e vidas são perdidas diariamente por criaturas que emergem das areias quentes dos desertos que se formaram. A premissa de Atlas Fallen é boa, mas muito mal executada e consequentemente, desperdiçada.

Desenvolvimento: Deck13 Interactive

Distribuição: Focus Entertainment

Jogadores: 1 (local) e 1-2 (online)

Gênero: Ação, Aventura

Classificação: 12 anos

Português: Interface e legendas

Plataforma: Xbox Series X|S, PC, PS5

Duração: 12 horas (campanha)

Use a manopla

Uma arma forjada por um deus

Atlas Fallen causa uma estranheza quando você começa. Ao iniciar, nos deparamos com uma breve história sobre o passado daquele mundo, no qual um deus que via o potencial dos humanos foi enfrentado e derrotado por outro que acreditava que a raça humana era nada mais do que seres inferiores e que serviam apenas para serem usados a favor de seus propósitos.

Nosso personagem é alguém comum que vive nas garras de um comandante autoritário. Em meio a isso, encontramos um artefato mágico e misterioso que os locais chamam apenas de “Manopla”. Uma vez que utilizamos ela, ganhamos a habilidade de utilizar armas poderosas e manipular a areia. É através dessa grande arma que podemos nos comunicar com o deus Nyaal, aquele que ficou ao lado dos humanos e os defendeu da tirania do deus Thelos na grande batalha que aconteceu dezenas de anos antes. 

Deslize sob o mundo novo

Explore as ruínas de um reino antigo

Os primeiros minutos do jogo são bem desanimadores, já que a movimentação esquisita combinada com um cenário mais estranho ainda podem causar um certo desconforto na maioria dos jogadores, assim como eu tive. Talvez tenha sido proposital para que tenhamos aquela sensação de que tudo está caótico ou sem perspectiva, mas o alívio mesmo veio só depois que finalmente nos deparamos com o mundo aberto totalmente explorável e com mais cor. Foi nesse momento que eu comecei a empolgar com o jogo. O grande mundo de Atlas se tornou um deserto por quase toda sua extensão, e sendo o detentor da Manopla, uma de nossas habilidades é “surfar” na areia, o que acaba sendo o nosso principal meio de se locomover por toda a região.

Nyaal é o criador da manopla e constantemente somos ensinados a como utilizá-la. Seus ensinamentos servem como um grande tutorial que de tempos em tempos é mostrado ao jogador. A cada nova habilidade que surge, ele explica como ela funciona e ainda dá dicas para melhorá-las. As criaturas que enfrentamos por todo o jogo são chamadas de Calibãs. Criadas por Thelos, elas servem apenas para dizimar os humanos e causar terror naqueles que ousam ser contra ele. Feitas totalmente de areia, cada um desses monstros possuem pontos fracos que parecem peças de uma armadura – essas peças são o que dão a sustentação desses monstros.

Como sobreviver?

Encontre inimigos de vários tipos e tamanhos

Como todo jogo de mundo aberto, damos aquela explorada e procuramos ter o que fazer. As missões secundárias são bem idiotas e comuns. Isso coloca em cheque a inteligência do jogador pois o que fazemos é ficar indo no fim do mapa, pegar um item e voltar para entregar pra algum NPC. Tudo bem que no caminho encontramos alguns inimigos, mas nada tão desafiador. As coisas ficam interessantes quando resolvemos eliminar as Torres presentes no mapa, que possuem uma guarnição pesada e dão um desafio merecido. Inimigos gigantes ou ágeis são extremamente perigosos e se não soubermos, podemos perder facilmente a luta. Problema é que essas torres são a parte menos explorada do jogo. São poucas em números, e dependendo do mapa, pode não ter nenhuma.

Uma coisa boa é a capacidade de melhorar sua manopla e sua armadura. Podemos inserir pedras que dão habilidades únicas para o jogador. Uma vasta combinação de bônus que são incrementadas podem dar um rumo  favorável durante os confrontos. Uma combinação perfeita elimina enormes criaturas em questão de segundos. Você pode criar até três “builds” diferentes com combinações diferentes e trocar quando quiser durante a luta sem precisar pausar o jogo para isso. Esse pequeno detalhe é muito interessante e faz uma grande diferença em certos momentos.

Areia, areia, mais areia

Cenários impressionantes, apesar do vazio

O mundo do jogo não é um grande mapa aberto. São regiões que vamos avançando na história, e essas regiões possuem sua própria exploração. O primeiro mapa é pequeno, porém intuitivo. Já o segundo, é uma área subterrânea sem muita empolgação. Quando iniciamos o terceiro e quarto mapa, aí sim temos aquela sensação de grandeza. Dá gosto de sair por aí deslizando e escalando lugares altos em busca de itens. Enfrentar os Calibãs é muito divertido, mas depois de um ponto, os duelos ficam fáceis. Você conhece todos os pontos fracos e sabe como derrotar cada um deles. Seus encontros não são mais um problema, a não ser que uma boa quantidade de inimigos seja colocada à sua frente. Nesse caso, o combate fica complicado para o jogador, pois o próprio jogo lhe sabota.

A mecânica de combate é simples, mas divertida. Espancar os monstros quebrando partes de seu corpo é satisfatório. O problema é que as mecânicas param de funcionar devidamente em determinados momentos. Às vezes, travar o alvo num inimigo ou uma parte específica dele se torna uma luta, pois o recurso erra a mira. Inúmeros bugs me atrapalharam durante minha jogatina. Não sei se um patch day one está previsto, mas creio que seja necessário. Ao jogar online com um amigo, as coisas pioraram muito. Os bugs aumentaram ao ponto de termos que fechar o jogo, pois para um de nós a tela ficava preta e não voltava mais. Um mundo vazio também pode ser um fator negativo, pois você tem a capacidade de explorar de muitas maneiras, mas sem realmente ter o que fazer. A graça mesmo está somente na ação, durante a pancadaria.

Conclusão

Temos aqui um jogo com potencial, mas que se perdeu muito em sua proposta. A parte da ação cumpre bem sua missão, mas ela deveria ter sido melhor aproveitada pelos desenvolvedores. O mundo vazio de Atlas deixa a desejar, embora ele apresente visuais bonitos em muitos momentos – mas isso não é o suficiente para sustentar um jogo. É o tipo de jogo que vale a pena passar o tempo e se divertir um pouco. Não é ruim, mas também não é bom.

O ponto positivo fica pela ação desenfreada em vários momentos e a possibilidade de jogar no modo cooperativo desde o início. A trilha sonora é insignificante, não tendo nenhum momento épico ou empolgante. Mesmo nas grandes batalhas contras chefes gigantes, as trilhas são apenas comuns. Eu acredito no potencial de Atlas Fallen, mas o estúdio precisa muito corrigir certas mecânicas e melhorar algumas partes dele para que uma possível continuação saia bem redondinha.

Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Atlas Fallen

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • Jogabilidade
  • Diversão
  • Co-op

Contras

  • Trilha Sonora
  • Missões
  • Mundo vazio
  • Historia