Capa de MindsEye

Review MindsEye (PC) – Ainda decepciona

Leslie Benzies pode não ser um dos nomes mais conhecidos, mas ele é certamente uma das figuras mais importantes da história dos videogames. O produtor marcou gerações comandando os rumos da franquia GTA, mas acabou rompendo com a Rockstar em termos pouquíssimos amigáveis em 2016 e fundando o seu próprio estúdio de desenvolvimento logo depois. A Build a Rocket Boy está na ativa há oito anos e lançou seu primeiro jogo MindsEye em junho de 2025. Só que o game chegou em um estado comicamente desastroso e, desde então, vem recebendo atualizações e melhorias, mas está longe de ser uma boa experiência.

Desenvolvimento: Build A Rocket Boy

Distribuição: IOI Partners A/S

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Ação, Tiro, Corrida

Classificação: 16 anos (violência, temas sensíveis, linguagem imprópria)

Português: Interface e legendas

Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S

Duração: 10 horas (campanha)/13 horas (100%)

Um futuro distópico

Mapa de MindsEye

Naturalmente, por conta do envolvimento de Benzies, MindsEye tenta emular o mesmo loop de gameplay da série GTA. Há um grande mundo aberto, carros e, claro, muito tiroteio entre o personagem principal e seus rivais. A trama é ambientada na cidade de Redrock, uma metrópole desértica, mas repleta de tecnologia, como robôs e inteligências artificiais que controlam tudo nesse pequeno mundo urbano.

MindsEye coloca o jogador no papel de Jacob Diaz, um soldado que recebe um implante neural misterioso e se comporta como uma folha em branco — e, não à toa, é um sujeito sem carisma algum, sendo um protagonista genérico e esquecível. Jacob precisará descobrir mais sobre o seu passado, ao mesmo tempo em que enfrenta uma conspiração envolvendo uma inteligência artificial fora de controle.

Jacob de MindsEye

É uma proposta intrigante, ainda mais porque o game tenta ser uma experiência bastante cinematográfica — há cutscenes constantes, com modelos detalhados, explosões e tudo mais, mas com animações robóticas e sem vida. O mesmo se aplica à cidade de Redrock, que é vazia e não parece uma grande metrópole em aspecto algum, apenas um local que serve como desculpa para a narrativa se desenrolar.

Um jogo chato

Tiroteio em MindsEye

Um dos vários problemas de MindsEye é que sua história não é interessante. O desenvolvimento dela é apressado, nenhum personagem tem carisma, toda a estética de ficção científica existe somente por estilo e sem profundidade, e o universo apresentado é desperdiçado com reviravoltas maçantes e uma gameplay entediante e mal polida. E, claro, as comparações com GTA são inevitáveis, porque o jogo não faz tanta questão de proporcionar uma experiência diferenciada e menos derivativa.

MindsEye, portanto, é mais limitado que os GTA da época do PlayStation 2, sendo essencialmente um cover shooter dos mais chatos, e não tem metade da graça ou atmosfera da franquia da Rockstar. As missões são básicas e genéricas, consistindo geralmente em dirigir de um ponto ao outro e atirar nos inimigos que vão aparecendo, que sequer reagem direito à presença de Jacob ou representam alguma ameaça ou desafio ao jogador.

Cinemática de MindsEye

A campanha não tem foco e nem tanta lógica, porque os desenvolvedores também perderam tempo que poderia ser utilizado na narrativa promovendo o sistema Arcadia — uma plataforma de design sem código que serve como uma ferramenta para criar conteúdo para o game, no mesmo estilo de jogos como Fortnite e Roblox.

Conteúdos gerados pelos jogadores

Tela inicial de MindsEye

Há diversos modos adicionais criados pelos desenvolvedores, como corridas e missões de (mais) tiroteio, expandindo o valor de replay de MindsEye, em tese, ao infinito. Essas missões podem ser acessadas tanto durante a campanha, interrompendo a narrativa, quanto através do menu principal, que tem uma interface que lembra serviços de streaming.

Só que o jogo fracassou demais em seu lançamento, contando com uma média diária de cerca de 40 jogadores simultâneos na Steam, então não há tanto conteúdo assim porque o jogo não tem uma comunidade — por conta da falta de interesse geral, há praticamente apenas experiências que foram criadas pela própria Build a Rocket Boy. As mecânicas de criação de missões até funcionam bem e são robustas, permitindo colocar muita coisa no mapa de Redrock, mas, ainda assim, elas não aparentam pertencer ao jogo, que tenta ser, simultaneamente, uma aventura bem cinematográfica.

QTE em MindsEye

Não dá para entender por que os desenvolvedores decidiram transformar um jogo de campanha numa experiência com esse escopo, porque esse é um jogo feito com um orçamento claramente menor do que uma obra grandiosa da Rockstar. É um game que precisava ter a atenção dos produtores focada nos aspectos mais básicos de um videogame — porque MindsEye falhou absurdamente nisso.

Será que dá pra reverter o fracasso?

Tiro em MindsEye

O MindsEye de fevereiro de 2025 não é o mesmo MindsEye que foi lançado em junho de 2025. O título chegou em um estado completamente pavoroso, repleto de bugs e problemas de performance no PC. Pelo menos, os desenvolvedores vêm se dedicando a consertar a experiência e resolver as falhas mais graves – desde então, já foram lançadas sete grandes atualizações, cada uma contendo melhorias vitais ao game.

É importante frisar que MindsEye não é um produto em acesso antecipado — pelo contrário, chegou fazendo barulho, com muito marketing, mas sem entregar nada. Depois de tanto tempo e de tantas mudanças, o título é mais estável e não é algo totalmente bugado, sendo jogável. Ainda há problemas, mais notavelmente no desempenho, que é excessivamente pesado para um mundo aberto situado num grande nada, e outros bugs visuais, como sombras e objetos que vão sumindo de repente, mas isso não chega a atrapalhar tanto quanto os modelos de personagens derretendo da versão de lançamento.

Drone de MindsEye

Mas, no fim das contas, MindsEye erra no principal. Os desenvolvedores podem continuar atualizando o game à vontade, mas o lançamento péssimo já tirou todo o interesse da comunidade no game — a Build a Rocket Boy tenta resolver essa questão investindo em marketing, mas as outras notícias sobre o jogo acabam chamando ainda mais atenção, porém de uma forma não tão positiva. As últimas informações, por exemplo, indicam que o CEO Leslie Benzies foi afastado do estúdio, ao mesmo tempo em que a empresa começou a espionar seus funcionários sob a acusação de que o lançamento bugado foi provocado por uma misteriosa “sabotagem”. De qualquer forma, MindsEye será lembrado como o que é: um desastre.

Tenta tudo ao mesmo tempo e acerta em nada

MindsEye oferece uma narrativa desinteressante, mecânicas mal polidas, um desempenho pífio pelo que acontece ao longo da jogatina e uma tentativa de ser uma plataforma infinita para conteúdo criado pelos jogadores que não têm conteúdo algum, justamente pela falta de jogadores. Talvez tenha faltado um pouco de humildade aos produtores, porque, se tivessem entregado uma experiência um pouco mais pé no chão, sem um escopo irreal e uma obsessão em tomar todo o tempo das pessoas, o título poderia ser algo digno de atenção — mesmo depois de tantos patches, o jogo passa longe de ser um bom passatempo.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

MindsEye

5

Nota Final

5.0/10

Prós

  • Proposta interessante
  • Está melhor do que no lançamento

Contras

  • Mal feito
  • Desempenho pesado
  • Sem foco