Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers é o renascimento de uma série de beat ’em ups depois de 30 anos. O jogo chega com um visual moderno e proposta de deixar a jogabilidade mais elaborada do que nos títulos originais, mas o resultado é bem fraco.
Desenvolvimento: City Connection
Distribuição: Clear River Games
Jogadores: 1-2 (local)
Gênero: Ação
Classificação: 12 anos (violência, drogas lícitas)
Português: Não
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 3 horas
Renascimento de uma série esquecida

Rushing Beat foi uma trilogia de beat ’em ups lançados no começo dos anos 90 pela falecida Jaleco, nome que pode trazer flashbacks para quem jogava antigamente. Em inglês, os jogos ficaram conhecidos como Rival Turf!, Brawl Brothers e The Peace Keepers (esses dois últimos estão disponíveis no emulador de SNES no Switch). Agora, mais de 30 anos depois, a série recebe um novo título, continuando o enredo e trazendo personagens da trilogia clássica. A história, porém, não é nada muito interessante e há muito mais conversa do que se espera para um jogo do gênero. Felizmente, o próprio jogo possui um modo sem cutscenes.
Até aí tudo bem, mas o problema mesmo é que a jogabilidade é fraca. A intenção é até boa. Há os comandos básicos de atacar e pular, um botão para defesa e ataques especiais no geral (sim, um mesmo botão), um botão para o uso de armas, um para um ataque de desespero e um para usar itens de recuperação. É possível também agarrar inimigos ao se aproximar deles e fazer um dash. Se a barra de especial carregar até o final, você entra em um modo onde fica mais forte temporariamente. Não há nada inovador no gênero, mas até aí tudo bem, pois é possível construir ótimos jogos com esse arsenal. Porém, a gameplay de Rushing Beat X tem vários problemas que percebemos logo no começo e que seguem sem melhorias até o final das nove fases da campanha.
Jogabilidade tradicional, mas implementação duvidosa

O jogo é controlado como um beat ’em up clássico dos anos 90, com movimentação em duas dimensões e levas de inimigos vindo atrás de você, mas com alguns chefes ao longo das fases ao invés de apenas um (onde há um problema, que veremos mais pra frente). Escolhemos nosso personagem, inicialmente entre duas opções, mas chegando a 6 até o final da aventura, além de um extra.
Aí já temos um problema, pois os personagens variam relativamente pouco. A maior mudança é em atributos como a força e a velocidade, pois apesar dos combos deles serem diferentes, a funcionalidade de cada lutador acaba sendo bem semelhante. Isto é, por mais que os personagens tenham suas diferenças, o jogo não incentiva você a jogar de maneira diferente com cada um deles.
Tudo é estranho e truncado

Há alguns combos possíveis com cada personagem, apertando o botão de ataque e combinando com o botão de especial. Também há algumas possibilidades de combos aéreos. Mas tudo é um pouco truncado, pois as hitboxes são estranhas e a percepção de profundidade é complicada, principalmente com inimigos aéreos. O tutorial também é péssimo. Tudo é ensinado de uma vez nos primeiros dois ou três minutos do jogo, e você mal tem tempo de testar cada possibilidade.
As armas perdem durabilidade mesmo quando você não acerta ninguém, o que achei muito estranho. Há também um sistema de comida que é até bem-intencionado, mas acaba sendo inútil. Você pode comprar comida (e armas) entre as fases e em alguns pontos ao longo dos estágios. Se você tiver no seu inventário, por exemplo, batatas fritas, economize ao comprar um combo de batata frita, hambúrguer e bebida. Mas na prática, você não vai se importar com isso, pois há pouco dinheiro e dificilmente vai ficar guardando itens para montar os combos.
Nada leva a nada

Mas talvez o pior seja que nada no game tem muitas consequências. Morreu? É só reviver e voltar no mesmo lugar, podendo até trocar de personagem. Assim, o próprio sistema de comida também se torna inútil. Para que vou me preocupar em recuperar a vida se, caso morra, basta só reviver? O jogo não te incentiva a melhorar, testar novas estratégias ou explorar seus sistemas.
Além disso, há muita repetição de inimigos, incluindo de chefes. Ao longo das nove fases, você enfrenta os mesmos três chefes várias e várias vezes, o que vai tornando tudo massante, mesmo que existam algumas pequenas mudanças entre cada embate. Os inimigos passam muito tempo andando aleatoriamente para alguma direção que não é onde o seu personagem está, o que mostra uma IA bem limitada. Em suma, Rushing Beat X é um jogo bem pouco polido, onde parece que o esforço foi focado nos gráficos (que são bonitos e têm uma boa direção de arte) e no núcleo da jogabilidade, mas faltou muito e muito refinamento em todo o resto.
Valeu a tentativa, mas quem sabe na próxima
Rushing Beat X: Return of Brawl Brothers é o resgate de uma série há décadas esquecida, o que sempre acho válido. Mas o jogo, infelizmente, tem vários problemas, com uma boa intenção, mas com jogabilidade limitada. Espero que a franquia ainda tenha outra chance com mais capricho, pois esse retorno dos Brawl Brothers deixa muito a desejar.
Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




