Depois de apenas 2 anos como exclusivo da plataforma PlayStation, o Standalone do aclamado Spider-Man da Insomniac acaba de chegar aos PCs, impressionando com uma história curta mas competente, dando espaço para conhecermos melhor o novo amigo da Vizinhança: Miles Morales. E a responsável pela conversão é novamente a Nixxes que, ao que parece, estava empenhada em entregar a melhor experiência de um Homem-Aranha.
Desenvolvimento: Insomniac Games, Nixxes
Distribuição: Playstation Studios
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação
Classificação: 12 anos
Português: Dublagem, interface e legendas
Plataformas: PS4, PS5 e PC
Duração: 7 horas (campanha)/18 horas (100%)
Em busca da própria identidade

Nos consoles Playstation, Miles Morales dividiu opiniões devido às incertezas daquela época, sobre como seriam os preços, se seria apenas de PS5 ou se teria um port para PS4 também. Sem contar o tamanho do jogo, seria esse o tamanho ideal para um Standalone, um DLC que ficou grande demais pra ser apenas um extra, mas pequeno demais para ser considerado um jogo novo? Todas essas dúvidas não existem mais em pleno 2022 – o que acabou ajudando a calibrar nossas expectativas.
Para ter a experiência ideal, jogar o primeiro game é de grande valia para compreender melhor os fatos, já que a trama começa com o pé no acelerador em uma perseguição implacável pela cidade de Nova York, não se preocupando em ter que explicar quem são aqueles personagens que estão na tela nem suas relações – mas você tem um breve resumo da história do Miles no jogo anterior em vídeo no próprio menu do game. Outra surpresa também é ver a cidade com neve, por se tratar de uma data próxima às festividades de fim de ano, dando um novo frescor para a ambientação que usa exatamente o mesmo mapa do primeiro jogo.
Boas tiradas com alguns tropeços

Lendo esses pequenos detalhes, se espera que a Insomniac tenha acertado em tudo para não cair em repetição, correto? Nem tanto. Logo depois da primeira missão o roteiro cria uma mini-férias para Peter Parker, que precisará ficar longe da cidade e deixa tudo nas mãos do seu aprendiz, Miles Morales – que na teoria funciona bem melhor que na prática. E é aí que o jogador de imediato precisa abrir uma concessão e aceitar a mudança abrupta em prol de um suposto desenvolvimento melhor do novo Homem-Aranha.
De fato, essa foi a escolha mais assertiva para contar a história do Miles. A trama pisa forte no freio para mostrar mais sobre a vida do jovem inexperiente, como vive seu luto, como é a relação com sua mãe, com seu melhor amigo, e com sua melhor amiga. Aí é o que diferencia da história do Peter Parker: temos mais profundidade, nos sentimos mais próximos desse do que o cabeça de teia que todo mundo já conhece.

Nota-se que foi pensado bastante na construção em torno do personagem, desde o bairro Harlem, seus vizinhos com realidades diferentes dos personagens do primeiro game, músicas, e até diálogos em libras realçando as diversidades que cercam a realidade do jovem. Tudo com o intuito de criar uma identidade própria e não ficar à sombra do que foi apresentado no game anterior.
Contudo, a campanha vai se alinhando a algo bem mais básico que aparentava no começo e revela um antagonismo que não consegue vender sua seriedade. Quando um tio, irmão do seu pai, surge na história é o ponto no qual o enredo perde um pouco de força caindo em um trama familiar e flertando, no estilo dramalhão mexicano, com encontros, desencontros, e mal entendidos. Aqui, também podemos nos frustrar por não ser um game que vai entregar nenhum grande vilão da série, até porque eles são rivais do Parker e não do Miles. Mas o grande problema que deixaram passar é o próprio protagonista: ele age e faz piadas da mesma forma que seu mentor. Grande bola fora – ou seria teia?
Jogabilidade familiar, mas diferente

Já ficou subentendido que tudo está em escala menor aqui, certo? O mesmo vale para os equipamentos que Miles usa, e a diversidade para um combate são menores do que as do Peter, mas o Punho Venon certamente fará você se divertir batendo nos inimigos e, dessa vez, é possível usar também a invisibilidade que ajuda bastante despistando seus oponentes por alguns segundos. Por último, mas não menos importante, existem seus hologramas para lutarem juntos. Outra coisa que senti é que Miles é mais leve e consegue se movimentar entre prédios mais rapidamente, ou apenas fugir temporariamente com maior facilidade.
A sua árvore de habilidade é mais enxuta e até parece mais intuitiva aqui. O número de uniformes disponíveis também diminuiu para até 20, mas todos fazem sentido sem apelar para uma exagerada quantidade. E um que você consegue usar tem como acessório um gatinho e é muito divertido devido ele interagir em algumas finalizações. Certamente este fará você querer usar o modo foto para pegar o momento fofinho. Aliás, para ganhar essa roupa, é necessário fazer uma missão secundária.

De resto, a gameplay se assemelha bastante ao seu jogo de origem, dando a escolha de seguir a campanha principal ou intercalar ela com missões secundárias – que não são muitas – e desafios extras. Falando nesses desafios, você agora terá um App indicando onde é a ocorrência para resolver alguma bagunça que os criminosos da cidade estão fazendo, sempre orientado pelo melhor amigo do Miles, não deixando este falando sozinho como várias vezes nos deparamos com Peter no Remastered.
Tecnicamente impecável

Spider-Man: Miles Morales já é um salto técnico interessante em relação ao seu antecessor, e isso para o PC foi brilhantemente portado. Tecidos e texturais estão melhores, criando modelos mais realistas e roupas com movimentos naturais. Felizmente, também não encontrei bugs na minha jogatina de 10 horas, tampouco problemas de sincronização labial ou NPCs falando em inglês igual o outro título.
As opções gráficas são diversas mostrando 3 opções de upscalling: AMD FRS, XESS e IGTI, sendo todas personalizáveis para o jogador achar o melhor equilíbrio. Podemos também mudar a intensidade dos pedestres e trânsito, além de escolher a qualidade dos cabelos dos personagens. Com fps desbloqueados e – se sua máquina tiver tecnologia – Ray Tracing, o céu é o limite.

Pode parecer que Miles roda com fps máximo um pouco abaixo que o game original, mas aqui ao menos temos uma média de quadros constantes, então nada daquelas aberrações de quedas abruptas ou congelamentos incomodando a jogatina. Os carregamentos, se você tiver um SSD, duram pouquíssimos segundos. Contudo, nem tudo são flores para nós brasileiros, devido à mudança de dublador do JJ Jamesson, o que causa um estranhamento e, por um bom tempo, imaginei que era outro personagem falando.
Vale muito a pena
Para um jogo que em sua campanha principal não deva ultrapassar as 8 horas de gameplay, talvez Spider-Man: Miles Morales não pareça tão atraente para adquirir a preço cheio, mas já ocorre de sites que vendem chaves digitais proporcionarem descontos para o título antes mesmo do lançamento. Trata-se de um jogo curto, mas competente e que, seguramente, só a série Arkhan do Batman se iguala. E muitas horas de gameplays nunca garantiram qualidade, mas muito pelo contrário. No fim fica aquele gostinho de “quero mais”, que fará você terminar as outras missões para extrair o máximo de conteúdo dessa pequena obra-prima dos games de super-heróis.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong