review-escape-from-ever-after-switch-1

Review Escape From Ever After (Switch) – Salve mundos mágicos do corporativismo desenfreado

Escape From Ever After é um RPG que não disfarça ser uma homenagem à série Paper Mario, apresentando uma ótima aventura com seus próprios méritos e personalidade. Mas, ao invés do reino do cogumelo, exploramos histórias de contos de fadas que estão sendo explorados e dominados por uma empresa que busca apenas lucrar tudo que podem naqueles mundos.

Desenvolvimento: Sleepy Castle Studio, Wing-It! Creative
Distribuição: HypeTrain Digital
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: Livre
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 22.5 horas (campanha)/26 horas (100%)

Espadas e computadores

No escritório encontramos várias missões secundárias
Flynt encontra todo tipo de criatura nos escritórios da Para Sempre S. A.

Escape From Ever After começa com o típico herói medieval Flynt adentrando o castelo da malvada Tinder, dragão que ameaça todo o reino de seu conto de fadas. Para sua surpresa, porém, ele encontra na verdade um escritório burocrático moderno, com cubículos e funcionários engravatados em computadores, ainda que eles sejam bastante peculiares. Então descobrimos que estamos na empresa Para Sempre S. A. (Ever After), um conglomerado que descobriu como invadir livros de histórias e extrair recursos e mão de obra barata.

Portanto, o livro de Flynt é apenas a mais nova empreitada do grupo. O herói tenta se rebelar mas é oprimido, acaba cedendo e é contratado pela empresa, mas no fundo trabalha para a sua derrubada. Assim, logo nos unimos a Tinder (que foi sequestrada pela empresa) e partimos em uma jornada onde adentramos o mundo de outros livros, como Os Três Porquinhos e Sherlock Holmes, a fim de destruir a Para Sempre S. A. A história de Escape From Ever After é bastante divertida e empolgante, contando com bom humor e diversos personagens carismáticos, além de uma boa dose de crítica social.

Só batendo o olho pode confundir o jogo

O Lobo Mau é bom e membro da sua equipe
Aqui, os Três Porquinhos são os vilões

Como comentei, a inspiração em Paper Mario (principalmente The Thousand-Year Door) é latente e declarada pelo time de desenvolvimento. O estilo gráfico é semelhante (ainda que os personagens não sejam de papel) e a jogabilidade também. E tudo bem – certos clássicos merecem mesmo ser homenageados, ainda mais levando em conta a decaída que a série da Nintendo teve ao longo do tempo, que só teve uma melhoria recentemente com The Origami King. É um RPG relativamente simples, com poucos sistemas e andamento tranquilo, mas bastante bem feito. Artisticamente, o jogo também não decepciona, com gráficos muito bonitos, tanto em cenários quanto nos personagens, e trilha sonora de qualidade.

Andamos em cenários bonitos e coloridos, onde exploramos, conversamos com personagens, compramos e coletamos itens. Além da missão principal, também há objetivos secundários. Os escritórios da Para Sempre S. A. servem como o lobby principal, e a partir de lá adentramos outros livros, que são os mundos que exploramos, na jornada para sabotar a firma. E no meio disso, é claro, temos as batalhas por turno, também bastante inspiradas na série da Nintendo.

Lutas com aparência simples mas que precisam estratégia

A janela de input das defesas é bastante generosa
Todo ataque tem algum tipo de interação para gerar mais dano ou mesmo funcionar

As batalhas são aparentemente simples, mas abrem espaço para bastante estratégia, sendo fácil morrer se você não prestar atenção. Usamos dois personagens por vez, podendo trocá-los durante a luta. E isso é bastante comum, pois os ataques dos personagens possuem diferentes propriedades que são necessárias para explorar os diferentes tipos de inimigos. Podemos usar nosso ataque normal ou especiais que usam pontos de magia (compartilhados entre o grupo), além de golpes em grupo, que usam pontos de sinergia. Há também outras ações básicas como defender, fugir ou escanear os adversários.

O que torna o sistema mais envolvente é que todo ataque, seja do jogador ou do inimigo, permite alguma interação, para aumentar o seu efeito ou defender. Além disso, nem todo ataque funciona contra qualquer inimigo. Por exemplo, alguns personagens ficam com uma espada apontada para a frente, só podendo serem atacados por cima ou à distância. Já outros inimigos podem possuir chifres ou um capacete, tornando golpes de pulo inúteis.

Assim, cada golpe precisa ser pensado e a troca de personagens é fundamental para se dar bem. É um sistema divertido, mas me incomodou um pouco a escassez de recursos (o MP acaba muito rápido) e o fato de você precisar utilizar o pouco dinheiro que tem até mesmo para recuperar seus pontos de vida e magia – mas é algo que faz sentido com o que o enredo está propondo. Em suma, é uma boa versão do sistema de batalha de Paper Mario e te manterá entretido durante a campanha.

Use as habilidades também para explorar

Infelizmente, a tradução brasileira tem vários problemas
Enredo é repleto de plot twists

Outra parte legal é que todos os personagens do seu time possuem habilidades fora das batalhas e que podem ser utilizadas para interagir com o cenário e personagens, a fim de alcançar novos lugares, encontrar segredos ou avançar a história. Por exemplo, Flynt atira seu escudo, Tinder pode cuspir fogo e o lobo violonista Wolfgang pode realizar diversos efeitos com suas músicas. Portanto, a exploração também é divertida e chegar em um novo lugar é sempre um convite a ver o que podemos encontrar com nossas habilidades.

Bom, curto e eficaz

Escape From Ever After é um RPG que não é apenas uma abordagem de Paper Mario com outra roupagem, trazendo uma aventura divertida e com ótima história, personagens, exploração e sistema de batalha. Ademais, é sempre bom ver um jogo do gênero que é mais curto, em um momento em que tantos desenvolvedores de RPGs parecem achar que todo jogo precisa durar várias dezenas de horas para valer a pena.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Escape From Ever After

8.5

Nota final

8.5/10

Prós

  • História divertida e cativante
  • Sistema de batalha com premissa simples mas exige estratégia
  • Exploração interativa
  • Bonitos gráficos

Contras

  • Limitação de recursos de batalha causa certa ansiedade
  • Tradução brasileira tem vários problemas