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Review Disciples: Domination (Xbox Series X) – Sangue, runas e hexágonos

Após o relativo sucesso de Disciples: Liberation em 2021, a Kalypso Media e a Artefacts Studio decidiram dobrar a aposta na fórmula de um RPG de estratégia. Anos após a ascensão de Avyanna, este novo capítulo é a dominação prometida ou apenas uma nota de rodapé em um império decadente?

Desenvolvimento: Artefacts Studio
Distribuição: Kalypso Media
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Estratégia, RPG
Classificação: 14 anos (violência, linguagem imprópria)
Português: Não
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: Sem registros

O trono de espinhos

A mecânica de decisões parece influenciar em algo, mas é só floreio.

Em Disciples: Domination, não somos mais a mercenária em busca de um lugar no mundo. Somos a Rainha Avyanna, sentada no trono de Yllian, tentando manter a paz em um continente que respira ódio. A história se passa uma década e meia após os eventos de Disciples: Liberation, e o tom mudou: a jornada de descoberta deu lugar à manutenção política e ao peso das escolhas.

O enredo foca na disseminação de uma “loucura” mágica que corrompe as mentes dos líderes de Nevendaar. Embora a premissa seja instigante, o roteiro sofre de uma certa irregularidade. Momentos de alta tensão política são frequentemente interrompidos por diálogos que parecem saídos de um RPG genérico de baixo orçamento. A tentativa de dar mais “maturidade” à trama resulta, por vezes, em um cinismo excessivo que desgasta o interesse pelos personagens secundários.

Xadrez de sangue

O combate em turnos é o forte da saga.

A jogabilidade de combate continua sendo o coração da experiência. Mantendo o sistema de grade hexagonal, Disciples: Domination introduz uma mecânica crucial: o sistema de Empurrar e Puxar. Agora, o posicionamento não serve apenas para cercar o inimigo, mas para manipulá-lo. Você pode empurrar um cavaleiro para uma zona de perigo (como fogo ou veneno) ou puxar um arqueiro frágil para perto dos seus brutamontes.

As sinergias entre unidades foram aprofundadas. Cada facção possui habilidades únicas que interagem de forma mais dinâmica. Fora dos combates, o jogo mantém a exploração em tempo real introduzida no antecessor. O mundo é visualmente rico, cheio de segredos, recursos e missões secundárias.

A grande novidade aqui é o Sistema de Trono. Em certos pontos da campanha, você deve governar de Yllian, tomando decisões que afetam a reputação com as facções e a moral das suas tropas. É um gerenciamento leve de construção de reino que adiciona uma camada de RPG, mas que, na prática, muitas vezes parece apenas um menu de diálogos com consequências numéricas.

Sinfonia de espadas

Percorra mapas enormes, completando missões e desvendando mistérios.

Visualmente, Disciples: Domination é o jogo mais bonito da série, mas isso vem com um custo, perdendo a identidade visual que os jogos antigos carregavam. Os modelos 3D são detalhados, as animações de magias são vibrantes e os cenários são pintados com uma paleta de cores que, embora sombria, é muito mais variada do que o cinza e o marrom dos jogos clássicos.

A trilha sonora é competente, mas infelizmente pouco memorável. Enquanto os jogos antigos tinham coros gregorianos e tambores que evocavam um terror sagrado, Disciples: Domination opta por uma trilha orquestral de fantasia épica padrão. É “música de fundo” de qualidade, mas não é algo que você ouvirá fora do jogo.

Por fim, em um gênero onde desenvolvedores parecem viciados em cobrir a tela com números, mini-mapas gigantescos, logs de combate intermináveis e ícones coloridos, a interface de Disciples: Domination é um sopro de minimalismo e elegância. Muitos RPGs de estratégia sofrem quando migram para os consoles ou vice-versa, o que resulta em interfaces que parecem “deslocadas”.

Uma coroa pesada demais?

Disciples: Domination é uma sequência sólida, mas segura demais. Ele refina o combate de Liberation e entrega uma das melhores implementações táticas de grade dos últimos anos, especialmente com a introdução das mecânicas de manipulação de posição. No entanto, a reutilização de recursos, as árvores, as pedras e até as animações de ataque de unidades básicas (como os soldados do Império) são idênticas às de Disciples: Liberation, de cinco anos atrás, e uma narrativa que, por vezes, tropeça em clichês que impedem que ele se torne um clássico.

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Disciples: Domination

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • O sistema de empurrar e puxar é um divisor de águas
  • Campanha gigantesca com muitos segredos e missões secundárias
  • Interface amigável sem a "poluição" visual comum no gênero

Contras

  • Excesso de "batalhas de enchimento" e falta de uma resolução automática
  • Muitas das decisões políticas acabam sendo apenas cosméticas
  • Trilha sonora esquecível