Back to the Dawn é um RPG não tão típico. Sem foco no combate, o destaque são os personagens, sua relação com eles e pequenas ações do dia a dia. Você tem 21 dias para escapar da prisão, mas há momentos em que apenas sobreviver já é uma vitória.
Desenvolvimento: Metal Head Games
Distribuição: Spiral Up Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 14 anos (conteúdo sexual, drogas ilícitas, violência)
Português: Não
Plataformas: PC, Switch, Switch 2, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 12.5 horas (campanha)/80 horas (100%)
Três semanas para resolver sua vida

Em Back to the Dawn, escolhemos entre o jornalista Thomas (uma raposa) e o policial Bob (uma pantera negra). Independentemente de quem escolhermos, acabamos na prisão – Thomas é culpado injustamente e Bob vai lá propositalmente, a fim de desvendar mistérios por dentro do sistema. A partir daqui, temos 21 dias para escapar, e a jogabilidade consiste em gastar nosso tempo para atingir essa meta dentro do prazo.
Dentro da cadeia, podemos interagir com mais de 40 personagens, entre outros prisioneiros e funcionários. Há também três gangues no recinto, com as quais você pode se aproximar para ter vantagens diversas. Mas, claro, se aproximar de uma pode implicar em se indispor com outra, exigindo estratégia para acabar não sobrando para você. Todos os habitantes desse mundo são todos animais e, para além da decisão de design, achei interessante a escolha por personagens antropomórficos. É muito mais fácil identificar cada um simplesmente por ser um bicho diferente, ao invés de decorar dezenas de nomes de pessoas comuns.
Interações de várias formas

As interações são diversas. Além de conversar, podemos fazer negócios, dar presentes, roubar e até decidir sair na porrada – onde entra o simples sistema de batalha do game, que você pode escolher ver o mínimo possível. Alguns personagens específicos possuem outras possibilidades, como delegar missões, conseguir trabalho, itens específicos ou fazer pontes que te ajudam no seu objetivo. Cada personagem possui sua própria personalidade e podemos descobrir mais de cada um ao nos aproximarmos deles ao longo das gameplays.
Os 21 dias podem parecer pouco, mas é possível fazer bastante coisa em cada espaço de tempo, sendo até comum você encerrar o dia por faltar o que fazer. Começando com contatos simples com os detentos mais modestos, você vai escalar até chegar aos líderes de gangues e mesmo policiais. Como num RPG no seu estado mais natural, muita coisa é decidida rolando dados. Mas aqui você pode recarregar seu save e rodar os dados até ter sucesso (não que eu recomende ou tenha feito isso…).
Vários elementos de RPG, mas não tanto as batalhas

Seus personagens possuem diversos parâmetros, como saúde física e mental, saciedade, dinheiro, higiene, reputação e foco, além de atributos de RPG, como ataque, defesa e agilidade. Portanto, são vários fatores para serem gerenciados, o que é feito por meio de suas ações (tomar banho, comer, exercitar, ler, trabalhar) e interação com personagens. Os recursos também costumam estar conectados: para comer bem, você precisa de dinheiro. Para se exercitar e melhorar sua saúde, também vai precisar de dinheiro para pagar a academia, além de estar com um mínimo de saúde física.
Como você tem um tempo limitado por dia e para concluir a história no geral, acaba sendo uma tarefa constante atingir o equilíbrio entre seus atributos e recursos, e não é difícil você se ver falido, com fome e à beira do surto. Para facilitar isso, o jogo disponibiliza não só um modo de dificuldade mais fácil, como também a opção de, a qualquer momento, simplesmente recuperar todos esses recursos ao apertar um botão. Talvez isso possa ser visto como algo que quebra o jogo, mas é ideal para quem queira se recuperar da falência sem reiniciar o save ou quer apenas aproveitar a história. É opcional e fica ao critério de cada jogador, o que costumo achar válido.
Demora para acostumar, mas vale a pena

Em suma, é uma gameplay um tanto complexa e que leva um tempo razoável para você realmente pegar no tranco e saber o que está fazendo. No entanto, uma vez passada essa fase, é um jogo certamente recompensador. É empolgante ir se infiltrando nas entranhas do sistema e daquela pequena sociedade. O game é relativamente curto e há dois personagens principais para se escolher, o que indica que claramente é planejado para ser jogado mais de uma vez. Suas decisões podem levar cada partida em rumos bastante diferentes, sempre em busca do mesmo objetivo.
Artisticamente, Back to the Dawn entrega uma excelente pixel art e músicas também muito boas. É uma pena que o game não esteja disponível em português, pois a enorme quantidade de texto de qualidade é um outro fator positivo do jogo, que certamente seria melhor aproveitado em nosso idioma.
Para ler e jogar
Back to the Dawn é uma experiência imersiva que, apesar de levar um tempo para empolgar, certamente vale o investimento. Na jornada para escapar da prisão, temos um ótimo RPG com um texto envolvente e muitas possibilidades de gameplay.
Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




