review-diablo-ii-resurrected-reign-of-the-warlock-xbox-1

Review Diablo II: Resurrected – Reign of Warlock DLC (Xbox Series X) – Uma ode diabólica à nostalgia

Entre a nostalgia cortante de retornar a Santuário e o choque eletrizante de ver uma oitava silhueta inédita na tela de seleção, a expansão Reign of the Warlock para a versão Resurrected de Diablo II equilibra o peso de um legado de 25 anos com conveniências modernas que fazem o antigo “Tetris de inventário” parecer um pesadelo febril.

Desenvolvimento: Blizzard Entertainment
Distribuição: Blizzard Entertainment
Jogadores: 1 (local) e 1-8 (online)
Gênero: RPG
Classificação: 16 anos (violência extrema)
Português: Dublagem, legenda e interface
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 22 horas (campanha)/109 horas (100%)

O peso da nostalgia em 2026

Warlock é a 8ª classe adicionada em Diablo 2.

É difícil ignorar o elefante na sala: por que lançar novo conteúdo de um jogo de 2000 em pleno ano de 2026? A resposta é simples: perfeição mecânica. Enquanto Diablo IV se perdeu em sistemas de “itemização 2.0, 3.0 e 4.0”, Diablo II permaneceu sólido como uma rocha. A Blizzard percebeu que a comunidade nunca abandonaria o Santuário clássico, então decidiu expandi-lo.

A sensação ao baixar Reign of the Warlock é uma mistura de ansiedade e ceticismo. Ver o logotipo clássico com o subtítulo da expansão evoca aquela mesma magia de quando seguramos a caixa de Lord of Destruction pela primeira vez. É um conteúdo que respeita o passado, mas não tem medo de “sujar as mãos” na lama da modernidade para entregar o que o jogador de hoje exige.

A classe Bruxo não foi apenas jogada no jogo, pois ela foi costurada na lore de forma orgânica em uma narrativa que abrange versões diferentes em diferentes jogos da série. Diferente do Necromante, que lida com a preservação do equilíbrio, o Bruxo é um oportunista. Ele se alimenta do caos, um acadêmico das artes proibidas que utiliza pactos demoníacos.

O oitavo passageiro do Inferno

Use poderes sombrios para derrotar ou controlar os demônios que enfrenta.

O Bruxo conta com habilidades inéditas distribuídas entre três árvores diferentes: Caos, onde reside o dano puro do Bruxo, Sobrenatural, onde temos feitiços para melhorar seus ataques físicos e Demônios, que foca na invocação de criaturas infernais.

O diferencial tático da classe reside em habilidades únicas. Ao contrário das sombras do Assassino ou dos lobos do Druida, o demônio dominado pelo Bruxo retém as suas propriedades originais de monstro de elite. Em termos de sensação de combate, o Bruxo é a classe menos pesada visualmente. Graças à sua telecinesia, você pode carregar espadas de duas mãos ou machados usando apenas uma mão, flutuando envoltos de uma aura mística, enquanto a outra segura um Grimório.

Outro ponto é que durante décadas, o gerenciamento de espaço em Diablo II foi um minijogo de frustração. Em Reign of the Warlock, a Blizzard finalmente implementou o que modificações de fãs já faziam, os “itens empilháveis”. Agora, existe um espaço específico no baú que pode carregar todas as suas runas e gemas. Isso libera 70% do espaço que antes era desperdiçado. 

Por fim, até o endgame foi retrabalhado com as “Zonas do Terror”, áreas com alto nível de monstros, que agora mudam a cada 30 minutos ao invés de 1 hora e novos “Uber Chefes” sendo adicionados para jogadores que alcançaram o pico de suas builds se testarem.

Uma sinfonia de sangue

O Bruxo é um feiticeiro que usa os poderes infernais caóticos.

Visualmente, a expansão mantém o padrão de excelência da Vicarious Visions, atual Blizzard Albany. As novas magias do Bruxo, têm efeitos de iluminação que interagem lindamente com os cenários sombrios. As sombras projetadas pelas chamas de fogo mágico nos corredores ensanguentados são impressionantes.

Na parte sonora, a trilha continua sendo o ponto alto. As novas falas gravadas para a classe evocam aquele sentimento de urgência e pavor clássico com os efeitos sonoros dos novos itens, como o som de um grimório fechando, por exemplo, são satisfatórios e pesados.

A nostalgia como combustível?

Reign of the Warlock é um marco que prova que Diablo II não é apenas um museu, mas um organismo vivo. A nostalgia é o gancho, mas a jogabilidade sólida e as melhorias de qualidade de vida são o que mantém o jogador preso. A Blizzard arriscou ao mexer na “Bíblia” dos RPGs de ação, e embora tenha cometido erros no balanço das classes e na divisão da comunidade, pois quem opta por criar um personagem com as atualizações de Reign of the Warlock não pode jogar com quem não possui esse conteúdo, o saldo é extremamente positivo. Ver o Santuário respirar novos ares, mesmo que sejam ares carregados de enxofre e magia negra, é um alento para qualquer fã da série.

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Diablo II Resurrected - Reign of the Warlock

9

Nota Final

9.0/10

Prós

  • A Classe Bruxo é extremamente divertida e visualmente impactante
  • Filtro de saque e itens empilháveis salvam o jogo
  • Endgame desafiador

Contras

  • Divisão forçada da base de jogadores
  • Balanço de classes prejudicado pelo poder excessivo do Bruxo
  • Economia de novas runas inacessível para casuais