Após mais de 20 anos, a série Legacy of Kain recebe um título inédito, desconsiderando remasterizações. Anunciado e lançado sem alarde, Legacy of Kain: Ascendance é um game de ação em plataforma 2D muito fraco, ao ponto de ser desejável que a série continuasse no limbo.
Desenvolvimento: Bit Bot Media
Distribuição: Crystal Dynamics
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação
Classificação: 16 anos (violência)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Switch, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 4 horas (campanha)
Do 3D para o 2D

Legacy of Kain: Ascendance foge do que a série apresentou até então. Ao invés de uma aventura 3D, trata-se um game de ação 2D em plataforma, onde nosso personagem deve chegar no final de cada fase, enfrentando inimigos e seções de plataforma durante o trajeto. Controlamos alguns personagens nessa tarefa, à medida que o enredo avança. A história conta principalmente eventos anteriores aos principais games da franquia, por meio de diálogos, dublados por vários responsáveis pelas vozes dos jogos antigos, além de algumas cenas animadas. Vamos ao primeiro problema: em pleno 2026, o jogo chega ao mercado sem ser possível pular as cenas.
Parece empolgante, mas só parece

Ao ver os trailers ou durante os primeiros minutos do jogo, parece que teremos algo empolgante ao nosso alcance. A arte é ótima, a ação parece rápida e os personagens tem um arsenal de movimentos ao seu dispor. Infelizmente, tudo isso é apenas impressão. O jogo é extremamente limitado, com um combate tedioso, uma exploração praticamente nula e um level design que vai te fazer apenas querer que tudo acabe logo.
Os personagens do jogo tem algumas diferenças entre si, mas a gameplay essencial é a mesma. Nosso personagem pode pular, atacar com sua arma, pular, fazer um dash e, às vezes, também flutuar ou voar um pouco, usando uma barra de stamina. Perdemos vida continuamente enquanto jogamos e, para contornar isso, precisamos sugar sangue de todo inimigo que é derrotado, para recuperar a vida. E é essencialmente isso, repetido pelas poucas horas de jogo, com alguns chefes e algumas seções de plataforma durante o caminho, igualmente ruins. Também há coletáveis, entre alguns upgrades para suas parcas habilidades e atributos, além de documentos que aprofundam a história.
Ande, mate, sugue, repita

O que fazemos então é andar da esquerda para a direita, enfrentando os mesmos inimigos de novo e novo, até chegar ao final da fase ou daquela parte. Ah, há um monte de tochas no caminho que te causam dano também. Tudo parece meio aleatório e genérico. Na maior parte do jogo, os inimigos estão ali em linha reta, e você apenas dando espadadas neles e depois sugando seu sangue. Algumas partes apresentam seções um pouco mais elaboradas de plataforma, com alguma, porém pífia, exploração.
Você possivelmente vai mais se estressar do que ficar pulando e feliz explorando. Há algumas partes bem frustrantes em que você deve usar seus dashs e voos mal implementados para avançar. A notícia boa é que há uma ampla distribuição de checkpoints e é possível alterar o nível de dificuldade, caso esteja com problemas, o que possivelmente só ocorrerá em um chefe ou outro.
Difícil achar pontos positivos

A aventura é dividida em capítulos e no menu inicial é possível escolher algum específico para jogar, à medida que você vai avançando na história. Também há um bom registro de atividades, mostrando os itens existentes em cada área e quais foram coletados, além de mostrar a maior dificuldade que você terminou aquele capítulo em particular. Eu só não entendo por que não é possível acompanhar esse registro e reler os documentos no menu de pausa durante o jogo, apenas na tela inicial.
E é essencialmente isso. É até difícil encontrar mais o que dizer sobre o game. Fica a impressão que foi anunciado sem muita pompa justamente porque sabiam que não tinham algo muito grande em mãos. Certamente o retorno de uma série que marcou tantas pessoas há duas décadas teria potencial para um grande anúncio, mas por algum motivo desenvolveram um jogo tão simples e incompleto. Assim, resta apenas torcer para que esse lançamento não coloque a série num armário por mais 20 anos, e que em breve tenhamos algo à altura do peso dos jogos originais em seu tempo.
Confira apenas se for muitíssimo fã
Legacy of Kain: Ascendance é uma grande decepção para o retorno de uma série com tantos fãs. Por mais que a ideia de um jogo de ação em plataforma tenha um alto potencial, ainda mais com os ótimos visuais apresentados, praticamente nada ficou bom na jogabilidade e em outros quesitos. Para aqueles que são realmente entusiastas da franquia, possivelmente existe o que aproveitar na história e nos diálogos apresentados, mas há pouca coisa boa além disso.
Cópia de Switch cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




