Styx: Blades of Greed é um jogo focado em stealth, colocando o jogador no papel de um goblin especializado em infiltração, sabotagem e assassinatos silenciosos. A proposta gira em torno de evitar confronto direto, utilizando habilidades, itens e o ambiente para avançar. Porém, digo de imediato que a impressão é que a proposta tomou um novo rumo nessa terceira empreitada da franquia.
Desenvolvimento: Cyanide Studio
Distribuição: Nacon
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação
Classificação: 16 anos (Violência, Conteúdo Sexual, Drogas)
Português: Sim
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 15 horas (campanha)/30 horas (100%)
Uma narrativa que prende do início ao fim

Blades of Greed aposta em liberdade de abordagem, oferecendo múltiplas formas de lidar com inimigos e obstáculos, tudo isso evitando os confrontos diretos. A proposta é construída com base na ideia de planejamento e execução cuidadosos. A história é um dos pontos fortes, e ela consegue manter você interessado, com eventos que criam curiosidade constante sobre o que vem a seguir nesse mundo obscuro e cinza do goblin que anda nas sombras.
O universo presente aqui também ajuda nisso tudo. Há um contexto bem construído que dá peso às missões e reforça a identidade gananciosa do personagem. Porém, creio que os desenvolvedores decidiram tomar um caminho diferente, indo na contramão dos outros dois títulos no que tange à jogabilidade.
Stealth cheio de possibilidades

A gameplay stealth funciona até que bem. Blades of Greed oferece diversas ferramentas para evitar inimigos, distrair guardas e encontrar caminhos alternativos. Podemos apagar velas, luzes, lançar objetos contra inimigos e cegá-los momentaneamente enquanto agarramos em escadas e bordas avulsas.
Existe liberdade real na abordagem. Cada situação pode ser resolvida de formas diferentes, o que torna a experiência dinâmica e menos previsível. Isso coloca a cautela nas mãos do jogador e permite que tudo seja resolvido de maneira lenta ou chamando a atenção.
Progressão consistente e recompensadora

O sistema de progressão é bem estruturado. Novos itens, habilidades e possibilidades são desbloqueados conforme você avança. Isso mantém o interesse alto e a experimentação em dia. A sensação de evolução é constante e impacta diretamente a forma como você joga.
O crafting é um elemento importante. Criar itens para distração, infiltração e até cura adiciona uma camada estratégica relevante. Esses recursos ampliam bastante as opções presentes, pois planejar o uso de cada item se torna parte essencial do sucesso.
Controles que atrapalham mais do que ajudam

Apesar de tanta qualidade no geral, os controles são o maior problema. Eles são imprecisos e muitas vezes não respondem como esperado, o que gera erros frequentes. Além disso, a inteligência artificial parece falhar diversas vezes, fazendo com que inimigos te vejam através da parede em várias ocasiões.
Isso tudo quebra o fluxo. Em um stealth que exige precisão, falhas de controle se tornam extremamente frustrantes. E parecer que você é estúpido e não consegue se esconder corretamente também é bem chato.
O mapeamento de ações também é inconsistente. Funções similares são atribuídas a botões diferentes, o que exige adaptação constante. Além disso, problemas de tradução aparecem em vários momentos. Termos simples são mal apresentados, o que impacta a clareza da interface. Por fim, a performance no Series S é de 30 fps, sem opção de um “modo performance”. A imagem também não é das melhores e a resolução é baixa, quase arenosa.
Um stealth prejudicado pela execução
Styx: Blades of Greed entrega um stealth competente, com boas ideias, variedade de abordagens e progressão bem construída. A narrativa ajuda a sustentar o interesse ao longo da campanha. No entanto, controles imprecisos, inteligência artificial trapaceira e decisões confusas de interface comprometem a experiência. O terceiro game da franquia acerta no conceito, mas falha na execução em pontos críticos e acaba sendo inferior aos outros dois anteriores.
Cópia de Xbox Series X|S cedida pelos produtores




