Concebido como uma continuação espiritual de Returnal, Saros, jogo desenvolvido pela Housemarque e publicado exclusivamente para o PS5 é um jogo roguelike de tiro em 3ª pessoa que encanta pela escolha artística e quão fluído roda em um PS5 base, mas esbarra no seu próprio nicho – apesar de sutis facilidades.
Desenvolvimento: Housemarque
Distribuição: Sony Interactive Entertainment
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Tiro, Aventura
Classificação: 14 anos (linguagem imprópria, violência)
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataformas: PS5
Duração: 16 horas (campanha) 21 horas (100%)
Era para ser apenas um resgate

Saros começa sem entregar muito sobre o que realmente está acontecendo. Controlamos Arjun Devraj, um soldado enviado para procurar três naves com tripulantes desaparecidos no planeta Carcosa. Entretanto, o local é habitado por criaturas inspiradas em diversos filmes de ficção científica, e todas elas querem te matar o mais rápido possível usando uma chuva incessante de projéteis.
Após um combate (independentemente se você sobreviver ou morrer) o jogo te teletransporta para outro local, onde sua tripulação comenta que você ficou desaparecido por dias, sendo que, na gameplay, passaram apenas alguns minutos. Assim, Saros já deixa claro desde cedo que o tempo funciona de maneira diferente naquele planeta. Além disso, quando acontece um eclipse, Carcosa muda completamente, deixando tudo ainda mais sombrio e infernal.
Podia ser um Returnal 2

Saros não esconde em nenhum momento sua inspiração em Returnal, e isso fica evidente logo nos primeiros minutos graças a sua gameplay frenética, dinâmica e extremamente viciante, misturando tiroteios em larga escala com exploração e plataforma.
Para quem não está familiarizado com esse estilo de jogo, a estrutura funciona basicamente assim: você avança pelo cenário principal e secundário, mas, caso morra, precisa recomeçar praticamente todo o percurso. O verdadeiro checkpoint aparece após derrotar um chefe. Portanto, se morrer antes disso, será necessário refazer boa parte da jornada, ainda que alguns elementos mudem durante a nova tentativa.

Contudo, Saros implementa algumas facilidades importantes: a principal delas está na árvore de upgrades permanente, que não é perdida após a morte. Isso reduz bastante a frustração típica do gênero e, sinceramente, foi um fator crucial que me ajudou na experiência.
Lindo, rápido e adaptável

Na gameplay, podemos pular, dar um dash para desviar (e você vai usar isso à exaustão) , usar um escudo que vai te proteger de alguns golpes, soco, e, claro, usar armas principais e secundárias para o combate contra os alienígenas. No começo, o número de inimigos na tela estarão em um número controlado, mas não demora muito para você se ver num verdadeiro caos de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.
Mesmo em meio a tanta informação, Saros possui algumas mecânicas interessantes que demoram um pouco para serem compreendidas. Ativar o eclipse no hub antes de começar uma área, por exemplo, deixa os cenários ainda mais bonitos graças ao efeito do sol sobre o planeta e também aumenta as recompensas recebidas. Em contrapartida, o número de inimigos cresce consideravelmente.

Outra situação que me incomodou inicialmente foi a punição exagerada ao cair das plataformas, já que o jogo remove quase metade da barra de vida. Felizmente, isso pode ser ajustado nas opções de jogabilidade. No meu caso, deixei a configuração no mais fácil, fazendo com que a queda retirasse apenas uma pequena parte da energia.
Com todas essas dinâmicas envolvendo armas futuristas, hordas de inimigos e um planeta completamente inóspito, Saros cria um ritmo quase musical durante os combates. Em vários momentos, a sensação lembra uma mistura de DOOM com bullet hell, só que de forma mais estratégica.
Misterioso demais

Saros possui uma campanha que exige bastante atenção do jogador. Você precisará ler documentos espalhados pelo cenário e prestar atenção nos diálogos entre Arjun e sua tripulação. Ainda assim, boa parte da narrativa acaba soando desinteressante, principalmente porque os personagens secundários possuem o carisma de uma porta.
Além disso, o jogo tenta transformar absolutamente tudo em mistério, até mesmo elementos extremamente óbvios, como a identidade da voz feminina que o protagonista escuta constantemente. Deixa eu adivinhar… Seria a mulher dele?
Uma boa experiência até pra quem não tem familiaridade com o gênero
Claramente não sou o público-alvo desse tipo de jogo. Ainda assim, isso não significa que eu não tenha me divertido no meio do caos de tiros contra alienígenas, explorando os belíssimos biomas de Carcosa e sentindo as excelentes respostas táteis do DualSense. Memorável? Não. Divertido? Sim.
Cópia de PS5 cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




