Depois de dez anos, finalmente a série Star Fox recebe um novo título (desconsiderando Star Fox 2), com um jogo com o mesmo nome do original de 1993. O jogo reconta, pela quinta vez, a história do primeiro game, mas com uma qualidade impressionante, em termos de jogabilidade, gráficos, músicas e narrativa. Enquanto pode ainda não ser um novo capítulo da série como esperamos, Star Fox de 2026 estabelece bases sólidas para o futuro da franquia.
Desenvolvimento: Velan Studios
Distribuição: Nintendo
Jogadores: 1-2 (local), 1-8 (online)
Gênero: Tiro
Classificação: 10 anos (violência, interação de usuários)
Português: Dublagem, legendas e interface
Plataformas: Switch 2
Duração: 2 horas (campanha)/17.5 horas (100%)
Está difícil contabilizar quantas vezes vimos as mesmas coisas

Star Fox de 2026 conta novamente a história de Star Fox 64 (1997) que, por sua vez, já era um reboot do primeiro jogo, do Super Nintendo. Além disso, tivemos um remake no 3DS com Star Fox 64 3D (2011) e uma “reimaginação” com Star Fox Zero (2016), no Wii U. Certamente é uma decisão controversa contar novamente a mesma história, mas ao menos um cuidado extra foi dado para essa narrativa.
Agora tudo é cinemático e mais bem contado, com diversas cenas entre as missões e interações entre os personagens, dando a cada um deles mais personalidade. E tudo isso ainda é totalmente localizado para o português, incluindo a dublagem, num trabalho excelente de adaptação para nosso idioma. Caso esteja curioso, “do a barrell roll” virou “faça um tunô barril”.
Jogabilidade também é familiar

A jogabilidade é essencialmente a mesma de sempre – inclusive, é possível jogar com o controle do Nintendo 64 para o Switch. O game é um shooter on rails, onde sua nave se move automaticamente e você deve destruir naves inimigas e outros obstáculos no caminho, além de esquivar e enfrentar chefes. Controlamos a Arwing de Fox McLoud, geralmente acompanhados por seus companheiros Falcon, Peppy e Slippy que, juntos, formam o time Star Fox. Em algumas outras fases, também controlamos um veículo submarino ou terrestre, com jogabilidade semelhante, mas com algumas diferenças que trazem uma variedade legal a essas missões.
A nave pode atirar laser, dar um tiro carregado e também soltar bombas, que são limitadas e você deve coletar no caminho. As opções de movimento são variadas, sendo possível virar a nave para cada lado, fazer o tunô barril para desviar de ataques e obstáculos e fazer um looping também para desviar, que além disso permite coletar itens que estejam um em cima do outro. Há também fases abertas, chamadas de modo amplo, em que as naves se movem livremente em um área, onde temos uma luta de todos contra todos e geralmente também um chefe.
Campanha curta, com incentivo ao replay

A campanha em si é relativamente curta, com apenas sete fases para ver o final, no planeta Venom. Se você for rápido ou já experiente, é possível chegar ao final da campanha em menos de uma hora. O diferencial é que, dependendo das suas ações em cada missão, você pode pegar um caminho alternativo e seguir por outro trajeto na galáxia até chegar em Venom. Cada fase é passada em um planeta diferente, com um visual incrível e reimaginado pelo time do Star Fox de 2026. No meio da campanha encontramos os rivais do time Star Wolf e, ao final, enfrentamos o chefe Andross em Venom.
Ou seja, é um game curto, como comum em 1993, mas com elementos para incentivar o replay, como em na versão de 1997. Por exemplo, o próprio desvio da rota padrão, para chegar no final por planetas alternativos, é alcançado atingindo alguns objetivos que requerem alguma habilidade do jogador. Esses requisitos podem ser vistos no próprio jogo, após passar a missão pela primeira vez. Há também o modo desafio, onde podemos escolher diretamente uma fase (ao invés de andar planeta a planeta pela campanha) e tentar cumprir os objetivos propostos. Há três níveis de dificuldade e as fases podem ser jogadas também em modo multiplayer, com um jogador movimentando a nave e outro atacando.
Modo batalha mediano, visual incrível

Também há o modo batalha, onde travamos combates 4 contra 4 (times Star Fox e Star Wolf). É possível jogar contra o computador ou online. Os jogadores ficam em um campo aberto e devem destruir as naves do time adversário, coletar itens e cumprir objetivos para juntar pontos, saindo vencedor o time que fizer mais pontos ao final da partida de 5 minutos. É um modo até que divertido, mas creio que tende a enjoar rápido, já que não há nenhum tipo de personalização ou evolução das naves.
Visualmente, Star Fox é incrível. Os personagens, naves e cenários são todos excelentes, gerando um novo brilho no olhar a cada fase que você entra. O novo estilo artístico também combinou bastante com a série. É possível usar o mouse do Joy-Con para controlar o jogo, que automaticamente fica em primeira pessoa. É um jeito melhor para mirar, mas achei ruim de me localizar na fase. Senti falta de controle por movimentos para a mira, que acho que combinaria bem. Por fim, o jogo também tem suporte ao GameShare, seja nas missões tradicionais ou no modo batalha.
Bom, mas não pode parar por aqui
Star Fox de 2026 é um ótimo jogo, ainda que ouse pouco dentro da sua proposta de refazer Star Fox 64. Mesmo assim, o que foi entregue é feito com esmero e, ao meu ver, o que mais empolga é o futuro da série, que certamente tem bastante potencial se expandir a partir desse caminho.
Cópia de Switch 2 adquirida pelo autor
Revisão: Julio Pinheiro




