Arashi Gaiden é um jogo que mistura puzzle e estratégia, em um invólucro de hack ‘n’ slash. O game apresenta boas ideias de jogabilidade e generosa quantidade de fases, mas o level design tem alguns problemas que podem comprometer a diversão. Lançado inicialmente para o PC, o game chega agora também aos consoles.
Desenvolvimento: Statera Studio, Wired Dreams Studio
Distribuição: Nuntius Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Estratégia
Classificação: 12 anos (violência, linguagem imprópria)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS4, PS5, Switch, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 7 horas (campanha)
Expansão de um universo brasileiro

Arashi Gaiden é um jogo brasileiro, desenvolvido pela Wired Dreams Studio e pela Statera Studio, que é o estúdio responsável por Pocket Bravery. Inclusive, Arashi Gaiden é ambientado no mesmo universo do jogo de luta, expandindo esse mundo.
A jogabilidade consiste em dezenas de fases curtas de uma tela, onde o objetivo é simples: derrotar todos os inimigos. Arashi se desloca apenas em dashes, isto é, ao apertar uma das quatro direções, o personagem se move naquele sentido, até chegar a uma parede ou obstáculo. Ao passar por um inimigo, o mata, exceto um inimigo que tem dois pontos de vida e, é claro, os chefes. Após seu movimento, os inimigos podem se mexer uma casa e, se ficarem em um quadro adjacente a Arashi (exceto diagonais), irão atacá-lo.
Rasgue inimigos de forma bem pensada

Dessa forma, Arashi Gaiden é um jogo por turnos: cada movimento seu é um turno e, em seguida, é o turno dos inimigos. Mais de um adversário pode atacá-lo no mesmo turno, o que certamente é um desastre, mas você também pode organizar e dilacerar vários em um único movimento. Essa premissa é então complementada aos poucos com outros elementos: habilidades, inimigos com diferentes comportamentos, armadilhas. Ao longo das fases, espalhadas em sete mundos, vamos ganhando habilidades e alguns upgrades para a vida e a mana, além de conhecer novas mecânicas.
Habilidades expandem as possibilidades

As habilidades adquiridas e que gastam mana são quatro: uma shuriken que dá um golpe instantâneo, setas que mudam sua direção durante o dash, poder de congelar inimigos e teletransporte. A shuriken é bem simples: dá um golpe em um inimigo que está ao seu alcance, podendo matá-lo assim ao invés do dash, o que tem vários casos úteis. As setas são bastante interessantes, pois você pode perseguir caminhos que não seriam possíveis normalmente (ou, ao menos, não possíveis sem sofrer dano), além de poder plantar setas para usar no futuro, criando certo aspecto de estratégia em algumas fases.
A habilidade de congelar é interessante para dar um respiro, pois tranca os inimigos próximos por alguns turnos, permitindo que você os mate ou se posicione melhor, além de também congelar algumas armadilhas. Já o teletransporte achei de pouca utilidade, pois custa muita mana e geralmente achei as outras habilidades mais interessantes nas minhas abordagens. Em suma, a premissa e a jogabilidade trazem excelentes ideias, mas a execução poderia ser mais refinada.
Infelizmente, temos diversos pequenos problemas

No geral, Arashi Gaiden conta com sistemas divertidos e bem explorados, mas precisamos falar de alguns problemas que infelizmente comprometem a diversão. A dificuldade e o level design são um pouco decepcionantes: enquanto temos muitas fases triviais, com as habilidades possivelmente quebrando o desafio, há outras com picos de dificuldade até frustrantes. Incomoda um pouco o jogo não ter uma seleção de dificuldade, para se adaptar melhor a mais tipos de jogadores. Creio que seria melhor um menor número de fases, mas com um design mais elaborado.
Outro problema é que temos vários bugs. Momentos que fiquei travado no cenário, jogo fechando sozinho e outros bugs de maior ou menor intensidade aqui e ali. Em particular, no último chefe fiquei várias vezes travado no cenário quando acontece uma espécie de transição, me obrigando a reiniciar a partida, o que não é nada legal, ainda mais a essa altura da campanha.
Mas em termos da jogabilidade em si, o que me incomodou foi que diversas fases e chefes têm elementos em tempo real, em contraste com ser um jogo em turnos. Eu gosto de parar, pensar e calcular cada movimento, mas aqui isso era atrapalhado pela obrigação de agir rapidamente, de qualquer forma, para evitar ser atingido. Isso quebra a expectativa mas de um jeito que não me agradou, pois o apelo que jogos de estratégia por turnos tem, pra mim, é justamente a possibilidade de pensar calmamente no próximo movimento, enquanto isso não é possível em várias fases e chefes.
Apesar de tudo, vale a experiência
Arashi Gaiden é um jogo que tem uma premissa inovadora e uma boa jogabilidade. Ainda que tenha alguns problemas, é divertido e merece ser conferido, ainda mais pelo preço mais do que justo que se encontra nas lojas digitais.
Cópia de Switch cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




