Kusan: City of Wolves capa

Review Kusan: City of Wolves (Switch) – Frenético, mas repetitivo na fórmula

Kusan: City of Wolves é um shooter de visão superior extremamente frenético, ambientado em uma cidade cyberpunk tomada pela violência e pela corrupção. Você controla Jin, um ex-soldado que precisa proteger uma garota ligada a uma conspiração capaz de colocar toda a cidade em risco, enquanto atravessa arenas cheias de inimigos, tiros e combates que exigem reflexos rápidos.

Desenvolvimento: CIRCLEfromDOT
Distribuição: PQube
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Tiro
Classificação: 16 anos (violência extrema, linguagem imprópria)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PS5, Xbox Series X|S, Switch, PC
Duração: 5 horas (campanha)

Neon, tiros e quadrinhos

Cena de jogabilidade com câmera top down

A primeira coisa que chama atenção é o visual, que lembra bastante Hotline Miami, mas existe uma identidade própria aqui, principalmente na combinação entre a estética neon, a narrativa em estilo de história em quadrinhos e a trilha sonora.

Visualmente, Kusan: City of Wolves acerta em cheio. O estilo me lembra muito Hotline Miami, algo que não chega a ser surpresa considerando as inspirações do jogo, mas Kusan consegue trabalhar essa referência dentro de uma cidade cyberpunk própria, com bastante neon, violência e personagens estilizados. O resultado é bonito e combina perfeitamente com a velocidade dos combates, fazendo com que cada sala pareça uma pequena arena de ação.

Tela de seleção de upgrades

A trilha sonora também ajuda bastante a construir essa identidade. O indie aposta em um som eletrônico com bastante influência de techno e hip-hop, com batidas que acompanham muito bem a intensidade dos confrontos. Isso não está ali apenas para preencher o silêncio, mas a música mostra que foi feita para estabelecer o ritmo da experiência e combinar muito bem com a estética urbana e futurista de Kusan.

Uma história que segura o caos

Cena de cutscene do jogo, história contada em quadrinhos

Apesar de o foco estar claramente na ação, a história conseguiu me prender. A trama é convincente, tem bons momentos de tensão e é apresentada de uma maneira que combina muito bem com o estilo visual do jogo. As sequências em formato de história em quadrinhos ajudam a contar o que está acontecendo sem interromper completamente o ritmo, além de reforçarem aquela sensação de estar acompanhando uma graphic novel cyberpunk.

As melhorias também são importantes para evitar que tudo fique apenas em atirar, desviar e repetir. Conforme você avança, novos upgrades adicionam possibilidades ao combate e ajudam a mudar um pouco a forma como você encara determinadas situações. Não é um sistema extremamente complexo, mas funciona justamente porque dá uma pequena sensação de evolução dentro de uma estrutura que, por natureza, é bastante repetitiva.

Morrer, voltar e morrer de novo

Cena de morte do personagem principal

O problema é que essa estrutura acaba sendo também a maior limitação de Kusan. O loop de gameplay é repetitivo e extremamente impiedoso, e boa parte da duração acaba vindo justamente da quantidade de vezes que você morre tentando passar pelas mesmas áreas. A dificuldade em si combina com a proposta, mas existe uma diferença entre desafiar você a dominar uma fase e simplesmente obrigá-lo a repetir praticamente tudo depois de um erro.

O que mais me incomodou foi a ausência de checkpoints que você possa controlar ou escolher. Não existe uma opção para facilitar a experiência caso você queira apenas aproveitar a história, e morrer na última sala de uma fase significa voltar para o começo dela. Em alguns momentos, eu só queria continuar acompanhando a narrativa sem precisar refazer todo o caminho, e é justamente aí que a estrutura de Kusan começa a trabalhar contra o ritmo.

Entre estilo e repetição

Kusan: City of Wolves tem uma apresentação muito forte e uma combinação de visual, música e narrativa que funciona muito bem. O estilo inspirado em Hotline Miami é evidente, mas o jogo consegue construir sua própria identidade cyberpunk, enquanto os upgrades dão um pouco mais de variedade ao combate. Por outro lado, a dificuldade sem misericórdia e a falta de checkpoints transformam a repetição em uma parte muito maior da experiência do que eu gostaria. Kusan funciona melhor quando você entra no ritmo de aprender com cada morte, mas para quem quer simplesmente curtir a história e avançar, ter que voltar ao começo da fase depois de morrer perto do final é uma decisão difícil de engolir.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Kusan: City of Wolves

7

Nota final

7.0/10

Prós

  • Gráficos muito bem feitos
  • Excelente identidade visual
  • Trilha sonora
  • Narrativa em estilo HQ
  • Upgrades adicionam variedade

Contras

  • Se baseia em tentativa e erro
  • Dificuldade impiedosa
  • Sem opção de checkpoints
  • Sem opção de desligar sangue