Resonance: A Plague Tale Legacy é o mais novo capítulo da elogiadíssima franquia do Asobo Studio, feito em parceria com a Focus Entertainment. Esse título é uma prequel da série que mostra a história de origem de uma personagem específica, trazendo uma grande mudança na jogabilidade em relação aos outros dois games já lançados. As novidades agradam e resultam em uma experiência cativante, mas com algumas ressalvas.
Desenvolvimento: Asobo Studio
Distribuição: Focus Entertainment
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, RPG
Classificação: 16 anos (violência extrema, linguagem imprópria, medo)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 12 horas (campanha)/13 horas (100%)
Explorando uma ilha

Situado 15 anos antes dos eventos de A Plague Tale: Requiem, a sequência do primeiro jogo da franquia, Resonance troca de protagonista e põe os jogadores na pele de Sophia, uma saqueadora com a missão de desvendar segredos do seu passado em uma ilha do Mar Mediterrâneo repleta de desafios e adversários. É uma proposta interessante, ainda mais porque a trama se sustenta por conta própria, sem que seja preciso conhecer os outros dois títulos da série para compreender o que acontece no desenrolar da narrativa.
Resonance: A Plague Tale Legacy é uma aventura linear. O design de fases direciona, em boa parte do tempo, de forma clara e perceptível, para onde Sophia deve ir para seguir em frente na trama, dividida em 14 capítulos no total. Porém, o direcionamento do level design só é perceptível porque as interações com os cenários do game são limitadas — os mapas contam com muitas paredes invisíveis em praticamente tudo que não seja um caminho que dê continuidade à narrativa.

Fora isso, as fases são focadas na exploração desses caminhos e na resolução de quebra-cabeças nas provações (que são ótimas, apesar de se repetirem um pouco), enquanto a trama é desenvolvida com diálogos entre Sophia e mais alguém, já que ela sempre está na presença de algum companheiro durante a campanha, em um estilo semelhante aos jogos modernos da Naughty Dog, por exemplo.
Gameplay de ação

A grande diferença de Resonance em relação ao restante da saga é que dessa vez, em vez do game focar em uma jogabilidade furtiva, o foco é na ação total, num formato mais modernizado de hack ‘n’ slash que mistura ataques mais lentos com a exigência de se usar movimentos defensivos para atordoar os adversários, como o parry. No geral, é um combate cinemático e que combina com a proposta do título, sem exageros, chegando a lembrar um pouco os jogos recentes da franquia Assassin’s Creed.
A gameplay tem botões de ataque, chute, esquiva e defesa, e aos poucos, conforme Sophia ganha o equivalente aos pontos de experiência do jogo (encontrados na exploração e recompensados ao derrotar inimigos), ela tem a oportunidade de desbloquear novas habilidades para se tornar uma combatente melhor. O problema do título, no entanto, é sua mecânica de vida. Os pontos de vida da protagonista não são condicionados ao dano geral que ela toma, mas sim à quantidade de ataques propriamente ditos recebidos, com uma recuperação que depende diretamente da eliminação dos oponentes.

Por isso, é rápido morrer e ter que retornar a um ponto anterior, pois cada golpe tira uma barra inteira da vida de Sophia. Não é uma abordagem que funcionou, mas, pelo menos, é possível amenizar esse problema reduzindo a dificuldade do jogo — há modos desde o mais difícil até o dedicado para quem tem apenas interesse pela narrativa em si. Tanto que os puzzles podem até ser explicados pelos acompanhantes de Sophia, havendo um botão de ajuda para quem não quer ficar pensando muito ou passar um tempão travado num puzzle, que passa a solução exata do que deve ser feito.
Bons gráficos, mas versão de PC tem problemas

Resonance: A Plague Tale Legacy foi mais uma vez desenvolvido através do motor gráfico proprietário do Asobo Studio e tem uma apresentação que flerta com a excelência, mas fica infelizmente longe de chegar lá. Essa é uma aventura cinematográfica e dinâmica que foi bem executada, com cenas que possuem transições criativas e sem interrupções por telas de carregamento longas. Os mapas têm uma iluminação vibrante e os personagens são bem detalhados, combinando com os cenários deslumbrantes que surgem ao longo da campanha.
A versão de PC funciona bem, mas poderia ser melhor. Há alguns pequenos travamentos no decorrer das fases, provavelmente porque o game não compila, na primeira jogada, todos os seus shaders para otimizar totalmente o desempenho. Também faltou o suporte ao ray tracing, dado que há muitas áreas com água no mapa, então reflexos mais fiéis se enquadrariam bem no título, principalmente nas cutscenes. Entretanto, o jogo se supera no suporte ao ultrawide, com compatibilidade completa durante a jogabilidade e até mesmo nas cenas, que são exibidas sem barras pretas no formato expandido.

A distância de renderização dos cenários, mesmo nas configurações máximas, é excessivamente curta, e há momentos na exploração em que vários NPCs surgem absolutamente do nada, além de instantes do combate em que inimigos ficam presos em paredes e portas. Esse tipo de jogo cinematográfico clama por um padrão técnico elevado, e algumas dessas falhas são até normais para produções sem um orçamento na casa das centenas de milhões, mas elas infelizmente acabam atrapalhando a apresentação.
Uma boa prequel
A franquia A Plague Tale, no geral, não tem o mesmo reconhecimento de outras séries que utilizam esse formato extremamente cinematográfico de um jogo single player. Isso, claro, não significa que os jogos sejam ruins ou algo do tipo — pelo contrário. Mesmo de uma forma mais limitada em relação aos grandes AAA, o pessoal do Asobo Studio entregou um bom game, embora a jogabilidade sofra com algumas ideias questionáveis que, pelo menos, podem ser alteradas nas configurações. Resonance: A Plague Tale Legacy expande o cânone da saga e atrai novos jogadores graças à sua nova gameplay, sendo uma boa entrada tanto para quem jogou o título anterior e se interessou pela história de Sophia quanto para quem quer conhecer a série pela primeira vez.
Cópia de PC adquirida pelo Xbox Game Pass
Revisão: Jason Ming Hong




