Feito pelo estúdio independente sul-coreano Lizard Smoothie em parceria com a NEOWIZ, de Lies of P, Shape of Dreams é um roguelite que combina mecânicas dos MOBAs com as repetições e dificuldades típicas de seu gênero. É uma experiência bastante interessante e bem projetada, com um fator replay praticamente infinito.
Desenvolvimento: Lizard Smoothie
Distribuição: NEOWIZ
Jogadores: 1 (local) e 1-4 (online)
Gênero: Ação, RPG
Classificação: 14 anos (violência, conversa em jogo, interatividade online)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S, Switch 2
Duração: 8 horas (campanha)/57 horas (100%)
Sonhos e pesadelos

Sem um grande foco em contar uma narrativa, Shape of Dreams coloca os jogadores na pele de personagens chamados de Viajantes. Na proposta do jogo, eles são heróis que podem andar entre sonhos para derrotar os inimigos que habitam neles — há nove deles, cada um de uma classe distinta, com estilos de gameplay diferentes. Nem todos os Viajantes estão liberados de primeira, sendo necessário o desbloqueio deles ao cumprir objetivos e progredir nos mapas.
Quem já jogou algum roguelite não vai se sentir deslocado em Shape of Dreams. Em cada rodada, é necessário passar por fases aleatorizadas e selecionar o caminho para seguir adiante, tudo isso sem morrer — e caso seja derrotado, é preciso recomeçar, agora com um personagem levemente mais forte, e assim vai. Cada bioma é encerrado por um confronto contra algum chefe, em boss battles excelentes, que exigem que o jogador tenha, de fato, se preparado ao longo da exploração das etapas anteriores.
MOBA com roguelite

A grande diferença é que Shape of Dreams tem uma jogabilidade no estilo de MOBAs como League of Legends e RPGs de ação parecidos com Diablo, por exemplo, com foco em confrontos no esquema PvE e hack ‘n’ slash. Só que o fator roguelite entra nessa mistura, porque as habilidades são liberadas aleatoriamente ao longo de cada tentativa, colocando sempre um elemento surpresa no título que determina como o personagem irá lidar com seus rivais durante a rodada da vez.
Então, as habilidades pré-definidas de um campeão de LoL são trocadas por skills recompensadas ao obliterar monstros de fases específicas, e o tradicional sistema de níveis que sobe ao eliminar minions dá lugar às essências. É possível criar builds com vantagens encontradas no mapa de forma dinâmica, podendo associar essas essências às habilidades e até colocá-las em outras skills, manipulando uma espécie de inventário no decorrer da jogatina. Por isso, há um componente estratégico no jogo, principalmente em que skill coletar e que build montar, tudo isso enquanto é preciso lutar contra os adversários.

Shape of Dreams pode ser jogado em modo single player ou em cooperativo online, com até quatro pessoas. O ideal, claro, é jogar acompanhado, mas a experiência funciona perfeitamente no modo solo, sem nenhum problema de balanceamento, pelo contrário. O título tem suporte ao crossplay e está disponível em todos os principais consoles além do PC, com salas criadas pelos jogadores.
A conexão funciona bem, até em partidas com uma qualidade de rede média, longe do ideal. Não há um sistema de matchmaking, porém existe a possibilidade de entrar em qualquer sala desde que ela esteja aberta, e prosseguir junto independentemente do ponto da gameplay, com habilidades aleatórias concedidas conforme o progresso do restante do time, evitando um desbalanceamento entre personagens. É no multiplayer que o jogo fica frenético e caótico como se fosse mesmo um Diablo da vida, com muitos números na tela devido à quantidade absurda de inimigos abatidos simultaneamente.
Completamente moldável

Shape of Dreams, no geral, tem uma progressão lenta, sendo um jogo voltado ao grind — que chega a ser recompensador e que naturalmente combina com a proposta de um roguelite. A frustração é uma mecânica, e o game vai ficando mais fácil com o tempo porque dá para melhorar o personagem de forma global, em uma árvore de habilidades que pode ser acessada antes de entrar em uma nova partida.
A dificuldade é maleável, com diversas opções, e todas elas fazem trocadilhos relacionados aos sonhos pelos quais o Viajante passa. As alternativas, portanto, começam com um simples “cochilo”, em que os monstros são fracos, menos numerosos e com mais recuperação de vida para o jogador, indo ao “sonho sinistro”, com mais inimigos, e terminando no modo “pesadelo”, com chefes mais poderosos e oponentes mais ágeis.

Além disso, a versão para PC possui suporte nativo para mods, que podem ser baixados diretamente pela função de workshop da Steam. As adições e mudanças feitas pela própria comunidade do título estendem ainda mais o conceito do game, que é uma aventura rica em conteúdo e com uma jogabilidade profunda, que conta até com modos de rodadas infinitas de combate contra inimigos cada vez mais fortes.
O título também tem interfaces distintas dependendo de se está usando o mouse e o teclado ou o controle, sinalizando que o jogo foi bem adaptado pelos desenvolvedores para todas as plataformas — o MOBA, em geral, é um gênero que sempre funcionou melhor no PC, mas a compatibilidade com o controle está ótima. É possível utilizar o analógico esquerdo para movimentar o personagem e o direito para controlar o equivalente ao mouse e mirar para as ações de ataque, recorrendo aos gatilhos e aos botões da frente para disparar as habilidades. No teclado, Shape of Dreams é como um MOBA tradicional, sem tantas diferenças em relação aos titãs do gênero, mas com a possibilidade de usar as teclas WASD para mover o herói, servindo bem para quem não é tão adepto desse estilo.
Um bom jogo
Shape of Dreams não é um jogo totalmente inovador e se parece bastante com suas inspirações. No entanto, o título une mecânicas já conhecidas em um pacote com uma apresentação excelente e bem polido. Por isso, é uma opção legal, engajante e empolgante, até para quem não tem tanta afinidade com jogos no estilo MOBA e da franquia Diablo, valendo a pena especialmente fechar um time para adentrar os sonhos e pesadelos oferecidos por Shape of Dreams.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Ailton Bueno




