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Review Demoniaca: Everlasting Night (Switch) – Uma cilada demoníaca

Algumas lembranças surgem em minha mente ao lembrar da era de prata de Castlevania e o início dos Metroidvanias. E isso desde as aventuras de Alucard em Symphony of the Night até a famigerada trindade lançada para Game Boy Advance (Aria of Sorrow, Circle of the Moon e Harmony of Dissonance). Essas memórias trazem severas saudades, intensificando a falta que sinto de um Metroidvania que entregue uma vibe semelhante, fazendo com que agarre em qualquer título que diz se inspirar neles.

Com isso dito, lhes apresento Demoniaca: Everlasting Night: um Metroidvania gótico, sombrio e sexy que diz se inspirar nessa era de prata citada. Porém, tudo não passa de uma armadilha para agarrar fãs necessitados como eu.

Desenvolvimento: Eastasiasoft

Distribuição: Eastasiasoft

Jogadores: 1-2 (local)

Gênero: Ação, Plataforma, Luta, RPG

Classificação: 18 anos

Português: Não

Plataformas: PC, Switch, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S

Duração: 8 horas (campanha)/19 horas (100%)

Monumento histórico

Os demônios e sua pretensão em reconstruir a torre.

Demoniaca: Everlasting Night se passa em um ambiente mitológico muito conhecido: Torre de Babel. De acordo com a teólogos, esse monumento foi feito pelos babilônios para alcançar os deuses no céu. Entretanto, parece que eles não gostaram da ousadia mundana e destruíram o templo.

Em Demoniaca, como os deuses recusaram o presente, os demônios tomaram a torre para si. Eles pretendem reconstruí-la sabe-se lá pra que. Para isso, os endiabrados invadiram vilas e mataram vários humanos. Porém, uma garota sobrevive e seu sangue acaba se misturando com sangue demoníaco, dando poderes a ela. 

O mapa da Torre de Babel.

Vingança é o motivo principal pelo qual a Torre de Babel é virada do avesso e, por mais que pareça pouco original ou simples, o plot é interessante. Por outro lado, não é nem um pouco divertido explorar essa torre histórica, já que há um péssimo problema de level design. Isso se dá, unicamente, pela tentativa de fazer Demoniaca um platformer, quando os comandos são travados e confusos.

Ideias boas, já a execução…

A lista de combos totalmente bloqueada.

Ao jogar os primeiros 10 minutos de Demoniaca, já é perceptível que o game possui boas ideias, mas tudo custa um certo preço. Alguns comandos estão localizados em botões pouco usuais, como o pulo no ZR e o inventário no R. Saltar aqui deveria ser fortemente revisado, pois a personagem mal sai do chão, sendo necessário pular entre paredes – o que também não funciona bem.

No papel, a ideia de juntar beat ‘em up com Metroidvania pode ter parecido espetacular, e ela realmente é. O grande problema é que a execução não foi lá uma das melhores. Por mais que seja divertido fazer combos em Demoniaca, os comandos demoram para responder e passam uma sensação de lagging.

As animações de especiais são muito boas.

Fora isso, o game demoníaco não é nem um pouco fácil, pois há inimigos no nível inicial que podem te matar apenas com dois ataques. Para facilitar ainda mais as coisas, o botão de defesa não serve para quase nada. E, por fim, levando em consideração a má resposta dos controles, os demônios conseguem atacar bem mais rápido do que a personagem.

Para que não soe tão resmungão, os sprites da personagem são bem maneiros, principalmente em combos feitos com Pontos Especiais. Além disso, é possível invocar um pequeno demônio que te ajuda e, caso tenha algum amigo, ele pode controlar esse espírito auxiliar localmente.

Visual adulto e rock’n’roll

Quando se trata de visual e música, Demoniaca demonstra uma certa especialidade. A pixel art presente nos personagens e chefes realçam, às vezes, as belas curvas que eles possuem. Já do outro lado, os grandes corredores da Torre de Babel não possuem muita distinção, mas ainda conseguem passar uma vibe sombria e sanguinolenta.

A música e os efeitos sonoros foram as coisas que mais gostei em Demoniaca. O velho e maravilhoso rock’n’roll de fundo foi algo que me surpreendeu, e lembra um pouco a música do prólogo de Symphony of the Night.

It’s a trap

Demoniaca: Everlasting Night é uma tragédia com boas tentativas. A ideia da união de dois subgêneros muito amados é válida, mas toda a forma como eles funcionam mais atrapalham do que ajudam quem joga, tornando tudo desorganizado e complicado. Com um pulo mísero como o existente aqui, tentar sair do chão nesse game deveria ser um crime. Nem mesmo os diversos itens existentes ou os upgrades na personagem facilitam nossa vida. Portanto, Demoniaca se inspirou em Castlevania, mas apenas para te iludir e te enganar, lembrando um meme do Star Wars.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

Demoniaca: Everlasting Night

5

Nota final

5.0/10

Prós

  • Sprites dos personagens maneiros
  • Rock'n'roll do bom
  • Plot revigorante

Contras

  • Comandos confusos
  • Má resposta dos conroles
  • Level design incompatível com a proposta
  • Nada divertido de explorar