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Review Monster Boy and the Cursed Kingdom – Demora, mas fica bom

Primeiramente preciso dizer que não sou um conhecedor e nunca tive contato com a franquia Wonder Boy em seus primórdios, por isso jogar Monster Boy foi uma experiência com uma visão completamente crua sobre a franquia. Monster Boy and the Cursed Kingdom é um jogo desenvolvido pela Game Atelier e publicado pela FDG Entertainment, lançado no finalzinho de 2018 para PS4, Xbox One e Nintendo Switch, e em 2019 para PC.

Ano: 2018/2019
Jogadores: 1
Gênero: Ação, Aventura, Plataforma, RPG
Classificação indicativa:
10 anos
Português: Apenas legendas
Plataformas: PC, PS4, Xbox One, Switch
Duração: 18 horas (campanha)/ 24 horas (100%)

Tiozão vacilão

Jin, o garoto de várias transformações

Não tem como jogar Monster Boy e não ficar admirado com os belíssimos gráficos desenhados à mão que o jogo possui. É um cenário mais lindo do que o outro, com uma direção de arte extremamente coesa e um aspecto anime que deixa melhor ainda os visuais do jogo, e tudo casa muito bem com a trilha sonora que utilizam aspectos do jogo original. A história que temos aqui é sobre Jin, um garoto de cabelo azul cujo tio acabou transformando todas as pessoas do reino em animais, e sua missão é exatamente solucionar esta confusão e retomar o estado original de todos. Durante sua jornada, você encontrará várias runas que te dão o poder de se transformar em monstros e animais.

O leão anda sobre as águas e agiliza sua movimentação no jogo

O jogo é basicamente um plataforma e usa fórmulas do famoso gênero “Metroidvania”, o qual costuma ter pontos do cenário onde você inicialmente é incapaz de alcançar ou ter acesso e, posteriormente, adquire habilidades que tornam possível sua progressão nestes locais fazendo um backtracking (voltando onde já havia estado). Como as mecânicas giram em torno de você passar várias vezes por alguns mesmos lugares, nem todas as pessoas são fãs desse tipo de prática e acabam se afastando por causa de um certo grau de repetitividade.

Esse porco te fará passar por poucas e boas

Um início lento

Sabe quando alguém te diz que “tal jogo fica bom depois de umas 10 horas, insiste que você vai gostar”? Bom, Monster Boy and the Cursed Kingdom não chega neste absurdo, mas confesso que no começo do jogo eu já estava estressado com a jogabilidade travada e sensação de vulnerabilidade total que seu personagem transmite. Talvez seja porque logo de cara você inicia a história controlando Jin em seu estado humano com boa movimentação, ataque e possibilidade de equipar itens. Após alguns minutos você é obrigado a controlar sua transformação (causada pelo tio) em forma de porco. E, sério, em termos de movimentação, ataque e pulo o porco é de longe a pior forma de todas.

Foi exatamente esta cara que fiz enquanto jogava com este cara

É extremamente frustrante você tentar acertar um inimigo e as patas ridiculamente curtas do porco não serem capazes de um mínimo de eficácia. Grande parte do tempo perdi morrendo para os mais imbecis monstros possíveis, e tudo porque o hibox dos ataques do porco (área de colisão) é muito pequeno, fazendo com que você precise se aproximar ao máximo de quem você quiser acertar.

O sapinho que salvou minha jogatina

Calma que tudo melhora

O maior problema dessa fase inicial é que ela dura bastante tempo, o que custaram cerca de 3 horas de paciência. Em seguida, a segunda forma que você consegue é a de cobra, a qual também tem uma jogabilidade ruim – apesar de não tão ruim quanto a do porco -, mas acredito que o mais chato mesmo são os quebra-cabeças que temos que resolver com o bicho, e todos são parecidos e envolvem acender cristais de luz ou escalar paredes. Um amigo havia me dito para continuar jogando e dar mais uma chance, e foi o que acabei fazendo.

Venha, leão, seus poderes serão meus

Realmente, depois de conseguir a forma de sapo o jogo fica totalmente diferente. Porque esta transformação é a qual já se aproxima do seu personagem no formato humano, portando uma espada acompanhada de um escudo, porém tendo habilidades diversas usando sua língua. O ataque da espada é MUITO mais eficaz do que os murros do porco ou os ataques da cobra, sem falar em sua agilidade nas águas, pois o sapo nada muito rápido e não exige barra de ar para respiração. Além disso, você pode novamente equipar itens diversos, e alguns destes te dão vantagens durante a jogatina. Em seguida temos a transformação de leão e dragão, que são duas formas que também possuem aspectos iguais ao do sapo, mas também com habilidades únicas que deixam a experiência mais divertida e dão a liberdade de você escolher como quer passar certos pontos do jogo.

Adoro esse esquema de equipamentos com atributos

Um jogo divertido para fãs do gênero

A maioria dos jogos deste estilo te dão a “punição” inicial de começar poderoso de uma certa forma, mas depois tiram de você todas as habilidades e itens para te recompensar mais pra frente na história. Monster Boy é um jogo bem divertido e gostoso de se jogar caso você tenha a paciência suficiente para não desistir do jogo nas primeiras horas, porque o porco é um personagem difícil de aturar e parece até mesmo que sofreu de problemas de game design.

Mas relaxa, o jogo fica muito bom com o tempo. Depois de algumas você está se vendo trocando o tempo todo entre suas formas e recebendo uma jogabilidade bem variada. Apesar de eu considerar que algumas soluções de quebra cabeças foram frutos de uma decisão preguiçosa de design,como “matar todos os inimigos da tela para uma pedra aleatória subir e liberar uma passagem”, é necessário considerar que jogos de plataforma inspirados em jogos clássicos geralmente possuem elementos absurdos e sem contexto nenhum nos cenários, como plataformas flutuantes que estão ali porque sim – se tivessem colocado uma parede invisível eu ficaria realmente decepcionado. Ah, e boa sorte no puzzle da floresta com os rostos dos cogumelos, porque aquilo lá é extremamente subjetivo na minha opinião.

Prós

  • Todas as transformações, menos o porco
  • Habilidades únicas
  • Equipamentos úteis
  • Desafio na medida certa
  • Visuais lindos desenhados à mão
  • Trilha sonora envolvente

Contras

  • Início lento
  • Alguns puzzles sem sentido
  • Jogabilidade repetitiva em alguns pontos
  • O porco

Este review foi feito usando uma cópia para Xbox One cedida com carinho pela FDG Entertainment