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Review RAD – Anos 80, mutantes e bastante repetição

Vivencie um período pós-apocalíptico, com predominância do estilo dos anos 80, muito neon, roupas de época e cabelo da juventude oitentista. RAD, desenvolvido pelo estúdio Double Fine e publicado pela Bandai Namco, trata de uma história onde a humanidade sobrevivou ao fim do mundo mais de uma vez, e agora busca restaurar a civilização através de “xóvens”, mutações e tacos de baseball.

Ano: 2019
Jogadores: 1
Gênero: Ação, Aventura, Roguelike
Classificação indicativa:
10 anos
Português: Não
Plataformas: PC, PS4, Xbox One e Switch
Duração: 10 horas (campanha)

Uma mistura incomum

Se você não gosta de roguelikes, já vou avisando pra ficar bem longe do que está por vir. Mesmo que o jogo tenha seus métodos para o tornar mais acessível, não é possível fugir muito dos alicerces do gênero. RAD tem fases geradas proceduralmente e pune o jogador o fazendo começar do zero caso morra.

Aqui você atua como um dos personagens possíveis de se escolher antes de iniciar sua aventura, o qual é enviado pelo Elder (velhote/ermitão?) daquele restante de cidade. Cada um tem seu próprio visual, mas essencialmente todos são a mesmíssima coisa e portam um bastão de baseball. Não existe diferença entre um e outro, tornando a escolha entre os personagens apenas um fator baseado em estética. Sua missão é explorar o deserto radioativo de Fallow, onde vários monstros mutantes habitam suas terras e podem contaminar o protagonista a qualquer momento – a qualquer mesmo, e quero dizer aleatoriamente.

Como falado no começo do texto, tudo acontece em meio a um clima baseado nos anos 80, com uso de muito neon e luzes brilhantes. Um verdadeiro fan-service para os amantes desta época.

Como funciona

As fases basicamente possuem uma mesma base: ative duas estátuas localizadas na primeira área do mapa para entrar em um local e derrotar o chefe de lá. É possível explorar também algumas outras áreas do mapa com um certo número de ramificações.

O mais divertido do jogo sem dúvida é o fator aleatoriedade nos poderes. Quando você elimina alguns inimigos, eles soltam uma radiação que faz com que seu personagem ganhe habilidades e sofra uma mutação em seu corpo. É possível combinar poderes diferentes através destes sistema e virar uma “máquina de guerra”.

Gostei do fato também do jogo permitir uso de perks, que nada mais são do que modificações no jogo para obter vantagens, como o ganho fácil de carnes durante uma run para sempre manter sua saúde em um bom nível. As runs são as jogatinas em si, e cada vez que você morre seu jogo é encerrado, você inicia do zero e seu tempo de sobrevivência naquela fase é mostrado na tela. Durante o jogo uma trilha sonora dos anos 80 com um estilo mais voltado ao pop – que particularmente gosto – te acompanha do início ao fim, e garanto para você que as músicas fazem um excelente trabalho no quesito entretenimento. As faixas são bem escolhidas e não deixam o ritmo cair.

Apesar de ser um roguelike, é completamente acessível devido ao fato de no próprio menu principal existir a opção de acessibilidade. Lá você consegue ativar opções como aumentar seu poder de ataque, não morrer em uma queda num penhasco e até mesmo elevar (e muito) sua quantidade de saúde. Essa é a forma que o jogo escolheu para defiinir a dificuldade ao jogador, e, na minha opinião, achei bastante eficaz quando se trata de deixar tudo menos punitivo.

Onde o jogo peca

E, mais uma vez, por ser um roguelike o jogo acaba ficando na mesmice quando se trata da jogabilidade. Não há muito a ser feito além do modo principal, que tem como base as runs e as divertidas mutações para combinar. Existe um modo com desafios diários, mas nada que dê uma sensação de um conteúdo diferenciado – é mais para manter o jogo infinito mesmo. Portanto, o maior defeito de RAD é se apoiar muito em apenas uma forma de jogar, a qual fica cansativa rapidamente.

Problemas na versão de Switch

Exclusivamente no console da Nintendo o jogo sofre vários problemas gráficos. O console sangra ao ser usado no modo portátil, e a resolução dinâmica de RAD começa a gritar e ficar muito aparente. Às vezes cheguei a ficar com a impressão de que estava vendo um vídeo via streaming e ele acabou ficando em 144p (sério) de tantos pixels que explodiram na minha tela. Existem as opções de escolher entre anti aliasing temporal e FXAA, mas nenhum dos dois ajuda quando o assunto é jogar usando a portabilidade do Switch e o jogo continua uma coisa visualmente difícil de explanar – apensar sentir. Já no modo dock os gráficos melhoram um pouco, mas fica claro a diferença de imagem se você colocar lado-a-lado da versão de Xbox One, por exemplo – e o jogo nem parece exigente graficamente.

O que dizer sobre RAD

Como falei acima, o jogo tem alguns pontos bem legais de se considerar, mas se isso não for o suficiente como fator de compra para você pode esquecer. RAD em suma é sobre descer o sarrafo em todo mundo com uma dose mínima de estratégia. Apesar de contar com recursos interessantes e que tornam o jogo mais acessível, a Double Fine infelizmente não conseguiu criar algo de muita longevidade por se apoiar em pouquíssimas mecânicas.

Prós

  • Estética anos 80
  • Trilha sonora contagiante
  • Mutações
  • Estilo visual dos personagens

Contras

  • Problemas gráficos bem nítidos
  • Performance

Este review foi feito usando uma cópia para Switch cedida pela Double Fine