Rematch

Review Rematch (PC) – Futebol arcade

Os criadores de Sifu estão de volta de um jeito bastante inesperado: Rematch é, essencialmente, um Rocket League com jogadores de futebol em vez de carros. Com uma gameplay no estilo arcade focada em partidas online e boas mecânicas, o título oferece uma experiência que revigora um gênero dominado por alternativas bem mais sisudas que essa – embora cometa alguns erros crassos para um jogo multiplayer.

Desenvolvimento: Slocap
Distribuição: Sloclap, Kepler Interactive
Jogadores: 1-10 (online)
Gênero: Esportes
Classificação: Livre (usuários interagem, compras no jogo)
Português: Interface, dublagem e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 6 minutos (partida)

Uma visão diferente pros gramados virtuais

Replay de gol em Rematch

Com uma jogabilidade em terceira pessoa, é preciso assumir o papel de um jogador de futebol e… jogar futebol: fazer gols e vencer, bola na rede, desarmar ataques, dar carrinhos, defender, marcar adversários. Só que Rematch se diferencia de EA FC e dos outros principais jogos do tipo ao não imitar uma transmissão de TV e sim ao fugir totalmente da simulação e proximidade com a realidade.

A experiência é dinâmica: as partidas duram seis minutos, podem ter entre três e cinco jogadores de cada lado (no estilo do futsal), e uma vantagem de quatro gols é suficiente para encerrar um confronto. A vitória, claro, depende sempre da coordenação da equipe e da habilidade individual de cada jogador – no mínimo, é necessário ter dois atletas na linha enquanto um fica no gol. Quanto mais jogadores, mais caótico Rematch fica, então o ideal é entrar em campo já com um time formado e com uma organização tática definida. É possível trocar de posição livremente no decorrer das partidas, permitindo que a equipe se adapte com tranquilidade às mais diversas situações de jogo.

Partida de Rematch

A jogabilidade não é nada de outro mundo, possuindo, por exemplo, uma estrutura parecida com a de Rocket League – que também é um jogo de futebol, mas com carros. Mas há uma pequena curva de aprendizado, ensinada por dois tipos distintos de tutoriais: um prólogo que apresenta as mecânicas junto com cinemáticas, e outro que vai mais a fundo, explicando os controles em adição às opções táticas e defensivas do jogo. Rematch é mecanicamente simples, mas difícil de dominar – e isso se reflete nos modos disponíveis, que incluem partidas casuais e ranqueadas, além da possibilidade de criar salas com parâmetros personalizados.

Online sem crossplay

Jogando no gol em Rematch

Apesar dos desenvolvedores terem acertado na gameplay, algumas funcionalidades importantes ficaram de fora. Não há partidas offline, contra atletas controlados pela inteligência artificial, e, por conta disso, o game só realmente existe em seu modo online, dependendo do funcionamento de servidores próprios para continuar existindo – além dos tutoriais, há só um outro modo livre para praticar movimentos nos gramados. Também não há bots para substituir jogadores que se desconectam: o jogo prefere preencher a vaga com outro jogador real, algo que nem sempre acontece com a rapidez necessária para não prejudicar o andamento de uma partida.

Algumas outras funções serão adicionadas no futuro, mas ficaram somente na promessa na versão de lançamento. É o caso do mapeamento customizável de controles, disponível apenas para mouse e teclado e não para os joysticks, e do crossplay.

Chutando em Rematch

O suporte para partidas entre todas as plataformas ficou inexplicavelmente de fora do game, sendo uma falha difícil de justificar justamente pela necessidade que um jogo multiplayer com foco exclusivo no online tem de contar com uma base de jogadores ativa e interligada para se sustentar a longo prazo. Para piorar, nem mesmo os usuários de PC podem jogar entre si se estiverem em lojas diferentes: quem acessa o jogo através do catálogo do Game Pass, pelo aplicativo do Xbox, não pode enfrentar os jogadores da Steam, que também jogam nos computadores. É uma falha grave.

Personalizando atletas

Time de Rematch

Apesar de Rematch ser vendido por R$ 89 na loja da Steam, a monetização está mais do que presente no título, num estilo semelhante ao de jogos que adotam modelos gratuitos. Há DLCs pagas, com skins de jogadores reais: o foco da temporada de estreia é o Ronaldinho Gaúcho, que pode ser transformado em um personagem controlável no jogo – que tem boas opções de personalização, ainda que também afetadas por essa monetização desnecessária.

É possível criar o próprio atleta, escolhendo livremente o gênero, a aparência e o cabelo do jogador, sem qualquer limitação na jogabilidade – partidas mistas, com futebolistas femininos e masculinos na mesma equipe, são completamente viáveis. No entanto, boa parte das opções precisam ser desbloqueadas, seja com moedas adquiridas separadamente ou por uma outra moeda, obtida por meio de um passe de batalha. Os passes são sazonais (durando três meses), contam com versões pagas e gratuitas, e distribuem recompensas conforme o nível do jogador, que sobe de acordo com as ações realizadas nas partidas.

Personalização em Rematch

Uma ausência notável é a de um sistema de criação de times: não é possível formar equipes fixas com outros jogadores, como se fosse um sistema de clãs. Fora isso, Rematch apresenta excelentes gráficos estilizados e ótimas animações, tudo envolto em uma estrutura online relativamente inconsistente. As partidas funcionam bem na maior parte do tempo, mas, ocasionalmente, dá para notar a bola teleportando de um ponto a outro ou jogadores sofrendo problemas de sincronização. Ainda assim, o game não deixa de ser divertido, mesmo que a monetização agressiva e a falta de crossplay acabem prejudicando o potencial da experiência proposta pelos franceses da Slocap.

É até legal

Rematch é uma alternativa sensacional para os fãs de jogos de futebol que buscam algo que fuja dos padrões tradicionais do gênero. A jogabilidade é acessível, mas com profundidade suficiente para quem deseja dominar as mecânicas e se dedicar até se tornar um grande craque virtual. Porém, o jogo poderia ter chegado ao mercado com um polimento maior e com mais funcionalidades, porque a sensação atual é a de um time que termina um campeonato no meio da tabela, sem classificar para nada, mas sem ser rebaixado.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Rematch

8.5

Nota FInal

8.5/10

Prós

  • Boa jogabilidade
  • Otimizado no PC
  • Excelentes gráficos

Contras

  • Microtransações
  • Sem crossplay
  • Sem partidas offline