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Review A Plague Tale: Innocence – Uma obra-prima

Desenvolvido pela Asobo Estudio e publicado pela Focus Home Interactive, A Plague Tale foi até mesmo indicado ao The Game Awards de 2019 como melhor do ano, mas garanto que a maior parte do público não fazia ideia de que jogo era esse – assim como eu. Infelizmente o título não teve o destaque merecido e passou batido por muita gente, não sendo noticiado como devido na mídia jornalística. Mas sobre o que é A Plague Tale? Eu digo: é sobre como fazer algo bem feito mesmo com aspectos lineares.

Ano: 2019
Jogadores: 1
Gênero: Ação, Aventura
Classificação indicativa:
18 anos
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, Xbox One, PS4
Duração: 10 horas (campanha)/ 15 horas (100%)

A Peste Bubônica e a Inquisição

A história se passa na época medieval – século XIV – numa região da França. Logo no início você toma controle de Amicia de Rune, de família nobre, que está junto ao pai caminhando com seu cão na floresta, e de repente surge um javali. Tudo parece calmo, até que o cachorro vai atrás da presa em meio às arvores e acaba sumindo. Imediatamente você controle Amicia, que precisa ir atrás do cão num local que cada vez parece ficar mais escuro e tenebroso.

Ao ser obrigada à assistir uma cena terrível envolvendo o animal, em clima de luto Amicia volta para casa e sua família começa a ser perseguida pela Inquisição por motivos desconhecidos. Tendo seus pais morto no massacre, a garota fica a cargo de fugir com seu irmão mais novo, Hugo, que possui uma doença misteriosa. Um pouco mais adiante, a história revela que Hugo, na verdade, é o verdadeiro alvo da Inquisição desde o ataque na casa de Amicia. Sua missão então passa a ser fugir de toda e qualquer ameaça que tem como objetivo a captura de seu irmão.

Durante todo o jogo é possível sentir o clima de tensão existente entre Amicia e seu irmão em conjunto com a dor da perda. Realmente o ponto mais forte de A Plague Tale é sua narrativa, que consegue envolver o jogador em todo o tempo e fazer com que ele aproveite cada diálogo dos personagens. Também é importante lembrar que Hugo, apesar de irmão de Amicia, viveu distante dela em todo seu tempo de existência por causa de sua doença. Os dois começam a história como dois completos estranhos um para o outro, mas os eventos ocorridos vão criando laços familiares entre ambos e transforma Amicia numa verdadeira protetora do garoto. Destaque para a dublagem do jogo (em inglês britânico, não existe português), que foi feita com bastante empenho de modo que me convenceu completamente.

Ratos para todo lado

O jogo não possui muitas mecânicas variadas, mas faz muito bem o uso de tudo que existe dentro da jogabilidade. Você precisa o tempo todo evitar contato com o ratos, os quais aparecem aos montes destruindo paredes, saindo do chão e de todos os lugares escuros possíveis. Sua maior arma contra eles aqui é a luz, na maioria das vezes fazendo uso do fogo através de tochas e objetos inflamáveis. Além disso, também é necessário passar furtivamente por qualquer cavaleiro durante o jogo, senão Amicia é morta e seu irmão é capturado. Felizmente a jogabilidade não se restringe à fugas, existindo vários momentos onde você usa uma atiradeira para matar inimigos com pedradas em suas cabeças ou resolver quebra-cabeças. Você também pode usar esta mesma arma para derrubar carnes e corpos pendurados e atrair ratos, fazer barulho em objetos próximos e distrair inimigos, além de vasos de porcelana para serem quebrados e chamar a atenção dos seus perseguidores e grama alta para passar abaixada.

Se tratando de história e jogabilidade, A Plague Tale é bem linear, permitindo no máximo que você faça uso das próprias mecânicas para tentar coisas diferentes. Isso dá uma boa liberdade ao jogador de cometer erros e se sentir no controle – ao menos não precisamos nos deparar com paredes invisíveis.

Defenda-se com todas as forças

Avançando mais na trama, o jogo te dá a possibilidade de criar munições diferentes através de alquimia, assim você pode destruir amontoados de ratos, atraí-los para longe, tirar capacete de cavaleiros com ação do calor, entre várias outras coisas interessantes que se baseiam sempre na mecânica que o jogo oferece. Cada vez que ia adquirindo novas possibilidades de evitar ratos e inimigos, fui me sentindo mais liberdade – apesar da solução para os obstáculos ser sempre uma só. Aliás, ser devorada pelos os ratos é uma coisa extremamente grotesca, então faça uso de todas as suas munições para evitar isso.

Como se não bastasse, ainda existem mesas de oficinas ao longo dos cenários, as quais são usadas para fazer aprimoramentos em seu equipamento, capacidade de armazenamento de recursos, munições, etc. Isso serve de incentivo a sempre ficar de olho em lugares onde possam existir pano, enxofre, e outros itens úteis para melhoria do que você está carregando consigo.

Onde o jogo peca

É inegável que a direção de arte e os modelos dos personagens são mais do que incríveis. Se você aproximar as imagens ficará impressionado com a quantidade de detalhes, mas as animações e expressões faciais deixam muito a desejar.

Talvez seja uma crítica um pouco dura para um jogo de orçamento médio, porém é nítido a falta de emoção dos personagens em várias cenas. Se você girar a câmera – ou usar o modo foto – para visualizar o rosto de quem está gritando, com medo ou desesperado nestes momentos, verá que a expressão não é compatível. As movimentações dos personagens na maioria vezes não parece natural, o que passou a impressão de que não foi usado nem um sistema de captura de movimentos. Bom, o jogo é bem recente, então não sei se minha mente consegue aceitar algo tão robótico feito nos dias de hoje. Algo que ocorreu somente em um momento foi um bug, onde, em uma cena de fuga, Hugo acabou ficando para fora de uma casa e Amicia fechou a porta. Os cavaleiros acabaram pegando o irmão fora do local, ele começou a entrar em pânico e apareceu a mensagem de que ele estava em perigo, mas poucos segundos depois Hugo começou a conversar com Amicia dentro da casa como se estivesse ali ao lado dela – porém, invisível -, o alerta de perigo sumiu e o jogo prosseguiu normalmente com Hugo surgindo do nada literalmente.

Um jogo que precisa de destaque

Como disse acima, o jogo erra em pouquíssimos pontos que não comprometem ele como um todo, tendo destaque gigante para tudo aquilo que faz bem feito mesmo numa fórmula linear. Se está em busca de uma história envolvente, diálogos convincentes, mecânicas bem pensadas e um jogo de extrema qualidade, não deixe de jogar A Plague Tale: Innocence. Valeu cada minuto investido do meu tempo, e sinto falta de jogos de tamanha qualidade assim hoje em dia principalmente em meio aos AAA da vida.

Prós

  • História envolvente
  • Dublagem de qualidade
  • Diálogos convincentes
  • Mecânicas de furtividade
  • Possibilidade de se defender
  • Munições variadas
  • Aprimoramento de equipamento
  • Capacidade de trabalhar a linearidade

Contras

  • Animações dos personagens
  • Expressões faciais

Este review foi feito usando uma cópia para Xbox One cedida com carinho pela Focus Home Interactive