Running Fable: Petite Party capa

Review Running Fable: Petite Party (Switch) – Um clone ruim de Mario Party

Running Fable: Petite Party tenta ocupar o espaço dos party games ao estilo de Mario Party, apostando em tabuleiros, minigames rápidos e uma proposta acessível a qualquer tipo de público. A ideia é simples: reunir amigos no sofá, avançar casas em um tabuleiro e competir em desafios curtos ao longo da partida. Na prática, porém, o resultado é um jogo que até funciona em seus fundamentos básicos, mas carece de identidade, polimento e ambição para se destacar dentro do gênero.

Desenvolvimento: Seashell Studio
Distribuição: DAE Games
Jogadores: 1–4 (local)
Gênero: Party, Multiplayer
Classificação: Livre
Português: Legendas e interface
Plataformas: Switch, Xbox One, Xbox Series X|S, PS4, PS5, PC
Duração: Variável (partidas curtas)

Uma base acessível, mas sem personalidade

Minigames são muitos, mas todos são fracos

O maior mérito de Running Fable: Petite Party está na facilidade de acesso. Tudo é extremamente simples de entender, desde os controles até as regras dos minigames. Em poucos minutos, qualquer pessoa já consegue jogar sem a necessidade de tutoriais longos ou explicações complexas. A quantidade de minigames também é razoável, o que, em teoria, deveria ajudar a manter as partidas variadas.

Infelizmente, essa acessibilidade não vem acompanhada de carisma. Visualmente, o jogo é genérico ao extremo, com cenários e personagens que parecem provisórios, como se estivessem ali apenas para cumprir tabela. Falta identidade visual e direção artística, algo essencial em party games, onde charme e exagero costumam ser parte fundamental da diversão.

Minigames numerosos, mas pouco inspirados

Controles são ruins e imprecisos
Controles são ruins e imprecisos

Apesar da boa quantidade de minigames disponíveis, a maioria deles sofre com ideias rasas e execução fraca. Os desafios são excessivamente simples, quase sempre baseados em uma única mecânica sem variação ou surpresa. Isso faz com que o fator diversão se desgaste rapidamente, mesmo em sessões curtas.

O problema é agravado pelo trabalho sonoro praticamente inexistente. Muitos minigames parecem “mudos”, sem efeitos sonoros marcantes ou qualquer tipo de dublagem. A sonoplastia é tão fraca que, em vários momentos, dá a sensação de que algo está faltando, como se o jogo ainda estivesse em um estágio inicial de desenvolvimento.

Tabuleiros sem emoção e decisões pouco relevantes

Modo tabuleiro é ok, mas falta mais complexidade e vida
Modo tabuleiro é ok, mas falta mais complexidade e vida

Os modos de tabuleiro são, sem dúvida, a parte mais fraca do pacote. A dinâmica consiste em rolar o dado, mover a peça e repetir o processo até chegar ao final. Existem, sim, algumas armadilhas no caminho tal qual um Jogo da Vida ou Banco Imobiliário, mas nada que vá mudar sua vida.

Não há eventos marcantes, escolhas estratégicas ou momentos de tensão que tornem a progressão interessante. Quando a partida acaba, tudo se encerra de forma extremamente anticlimática, sem grandes anúncios, celebrações ou um placar final que valorize o desempenho dos participantes. É tudo bem cru e sem vida.

Outro ponto difícil de engolir é a ausência total de bots—ao menos na versão para Switch, talvez por conta do hardware e da falta de conhecimento em otimização, visto que Mario Party tem bots. Não é possível preencher vagas com personagens controlados pela IA, o que limita bastante as possibilidades. Mesmo em partidas multiplayer, se não houver pessoas suficientes, o tabuleiro simplesmente fica vazio, algo impensável para um gênero que tradicionalmente se apoia muito em oponentes controlados pelo sistema.

Falta de polimento em todos os aspectos

Jogar sozinho é literalmente isso: Sozinho, sem mesmo poder adicionar bots
Jogar sozinho é literalmente isso: Sozinho, sem mesmo poder adicionar bots

Somando visuais genéricos, trilha sonora esquecível e mecânicas pouco refinadas, fica difícil não ter a sensação de que Running Fable: Petite Party parece um jogo em estado de acesso antecipado. Falta acabamento, feedback audiovisual e cuidado na apresentação geral. Há uma boa ideia de base, mas ela nunca é desenvolvida de forma satisfatória.

O resultado é um party game que funciona tecnicamente, mas não entrega diversão memorável nem momentos que deem vontade de voltar para mais uma rodada.

Um party game que precisava de mais tempo no forno

Running Fable: Petite Party até cumpre o papel de ser fácil de jogar, mas falha em praticamente todo o resto. A ausência de bots, os minigames pouco inspirados e a apresentação sem charme tornam a experiência rasa e rapidamente esquecível. É um título que precisava de muito mais polimento e criatividade para competir em um gênero tão concorrido.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Running Fable: Petite Party

3.5

Nota final

3.5/10

Prós

  • Boa quantidade de minigames
  • Fácil de aprender e jogar

Contras

  • Visual e apresentação pobres
  • Ausência total de bots
  • Minigames rasos e frarcos
  • Trabalho sonoro fraco
  • Tabuleiros tediosos