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Review Star Ocean: The Second Story R (Switch 2) — Uma viagem pra lá de espacial

A Square Enix é uma daquelas empresas que possuem um dos catálogos mais especiais do mundo dos jogos. Dentre todas as suas franquias, Star Ocean é uma daquelas que quase sempre passou meio despercebida pelos jogadores, relegada ao status de clássico cult. Felizmente, com Star Ocean: The Second Story R, a editora e a desenvolvedora Gemdrops entregam não apenas um port, mas um remake exemplar que compreende exatamente o que tornou o original de PS1 inesquecível, modernizando suas engrenagens mais profundas sem perder a identidade visual em 2.5D — unindo sprites pixelados a cenários tridimensionais estonteantes.

Desenvolvimento: Gemdrops

Distribuição: Square Enix

Jogadores: 1 (local)

Gênero: RPG, Ação

Classificação: 14 anos (violência, drogas lícitas, conteúdo sexual)

Português: Não

Plataformas: PS4, PS5, Switch, Switch 2, Xbox Series X|S, PC

Duração: 26 horas (campanha)/62 horas (100%)

Uma aventura espacial

Star Ocean: The Second Story R cidade do jogo
O gráfico 2D-HD é belíssimo

Nosso protagonista é Claude C. Kenny, filho do Almirante Ronyx J. Kenny, capitão de uma nave que tem como missão investigar uma fonte de energia desconhecida. Contudo, Claude acaba se descuidando e é teletransportado para o planeta Expel, que ainda está em desenvolvimento, com traços medievais e com um toque de magia. Lá, ele conhece Rena Lanford e, juntos, acabam partindo em uma jornada inesperada.

O grande diferencial narrativo começa logo na escolha inicial entre Claude ou Rena. Diferente de jogos que mudam apenas uma linha de diálogo, a aventura constrói duas metades de uma mesma moeda: cada escolha altera o ponto de vista da trama, dungeons exclusivas, eventos de enredo e quais parceiros podem ser recrutados. O desenvolvimento brilha ainda mais por meio das Private Actions, sequências opcionais nas vilas que humanizam o elenco, revelam inseguranças e expandem o lore galáctico, afetando diretamente o relacionamento entre eles e os múltiplos finais. Em resumo, temos uma história sólida, mas que ganha densidade real justamente por causa dessa estrutura de perspectivas cruzadas e da força de seu elenco.

Entre espadas e magia

combate do jogo
Os golpes especiais tomam a tela toda.

Quando se ouve o nome Star Ocean, o que vem à mente é um mundo de tecnologia, armas especiais e outros. Contudo, a aventura passa grande parte do tempo em Expel, que está em desenvolvimento, como dito acima. Então, temos ainda um mundo com reis, castelos, espadas, cavaleiros e coisas assim.

Cada personagem tem sua arma específica e uma jogabilidade totalmente diferente. Os golpes especiais são magníficos e espetaculosos, cheios de efeitos e brilhos. Em determinado momento, havia tanta coisa brilhando na tela que achei que o Switch 2 fosse perder quadros, mas isso jamais aconteceu. Conforme os personagens subiam de nível e novas magias surgiam, a coisa ficava ainda mais bonita.

As lutas acontecem em arenas circulares com até quatro personagens ativos, mas o combate evoluiu muito além do visual. Mecanismos como o Shield Breaking (quebrar a guarda do inimigo) e as Assault Actions — que permitem invocar heróis clássicos da franquia ou membros do banco em pleno combate — injetam uma camada tátil e estratégica viciante.

cena do combate do game
Alguns golpes causam efeitos especiais nos adversários

No hardware do Switch 2, o resultado é impecável: a fluidez é absoluta, mantendo taxas de quadros sólidas mesmo quando a tela se transforma em um festival caótico de magias, explosões e números de dano saltando freneticamente.

No entanto, o verdadeiro coração mecânico que separa o jogo de qualquer outro RPG de ação reside no seu famigerado e profundamente complexo sistema de Especialidades e Crafting. Mais do que “criar itens e cozinhar”, estamos diante de um sistema viciante de otimização, em que o jogador pode manipular parâmetros como a taxa de encontro com inimigos, a experiência ganha por batalha e a criação de armas lendárias logo no início da jornada. É um sistema que permite “quebrar” o jogo por mérito próprio, garantindo uma rejogabilidade absurda. A única mancha amarga continua sendo a ausência total de legendas em português, o que pesa consideravelmente para o público brasileiro.

Entre o espaço e a espada

A Square Enix e a Gemdrops acertaram em cheio com Star Ocean: The Second Story R. O jogo está lindíssimo e repleto de melhorias de qualidade de vida que respeitam o clássico enquanto lapidam suas arestas. A história ganha profundidade real com a escolha entre Claude e Rena, e o combate, aliado ao genial sistema de criação de itens, transforma a experiência em um dos pontos mais altos do RPG. Por fim, essa versão para o Switch 2 está excelente e recomendo muito essa edição.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Star Ocean: The Second Story R

9.5

Noa final

9.5/10

Prós

  • Combate divertido
  • Gráficos de alto nível
  • Melhorias que agrega a vida do jogo
  • Personagens cativantes
  • Escolha do protagonista importa

Contras

  • Falta de legendas em português