Junto com Trails from Zero, The Legend of Heroes: Trails to Azure recebe agora versões nativas para PS5 e Switch 2. O jogo é muito semelhante ao anterior, sendo uma ótima aventura e que vem com poucas novidades, mas é sempre bem-vindo em qualquer plataforma que seja lançado. Trata-se de um RPG tradicional com grande foco na história, contando também com uma jogabilidade divertida e uma excelente trilha sonora.
Desenvolvimento: Nihon Falcom
Distribuição: NIS America
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 14 anos (violência, conteúdo sexual, drogas lícitas)
Português: Não
Plataformas: PC, PSP, PS Vita, PS4, PS5, Switch, Switch 2
Duração: 43 horas (campanha)/100 horas (100%)
Mais do mesmo

Trails to Azure tem um caminho bastante semelhante ao de Trails from Zero. Lançado um ano depois, em 2011, originalmente para o PSP, recebeu alguns relançamentos ao longo do tempo, mas só teve lançamentos oficiais em inglês a partir de 2023 (novamente, baseado em uma tradução de fãs, lançada em 2021). Mais do que uma tradução, essas versões modernas dos jogos os atualizam de diversas formas, incluindo melhorias gráficas, novas funcionalidades e elementos de qualidade de vida, como descrito pelos próprios desenvolvedores de forma bem aberta. Inclusive, até novidades de Azure foram transportadas para o seu antecessor, tornando a duologia de RPGs bastante uniforme.
Azure é uma sequência direta, sendo ambientado apenas alguns meses após o fim de Trails from Zero. Os oficiais e protagonistas Lloyd, Elie, Tio e Randy são acompanhados de novos recrutas. Agora, os membros da SSS (Special Support Section) começam o enredo investigando a Red Constellation, um grupo de mercenários que se estabelece em Crossbell. É um pouco delicado contar detalhes da história, afinal é fácil revelar acontecimentos do final do jogo anterior, até mesmo vendo os membros da equipe inicial.
História boa e grande, mas precisa paciência

Como sempre, temos uma ótima história, contada por uma quantidade colossal de texto – há jogos da série que tem mais palavras que a trilogia Senhor dos Aneis. Personagens são bem escritos e aprofundados, NPCs mudam de diálogo de tempos em tempos depois de certos acontecimentos. Se há algum revés, é que é muito recomendado ter jogado os quatro jogos anteriores (Zero e a trilogia Trails in the Sky) para captar todas as referências e conceitos.
Basicamente, tudo que foi falado aqui mesmo na análise de Trails from Zero vale para esse título. A própria estrutura do jogo é a mesma: nossa base é a cidade de Crossbell, onde a partir da sede da corporação policial, devemos cumprir missões principais da história e também as missões paralelas, ajudando os cidadãos e colhendo diversas recompensas. É até difícil distinguir os jogos apenas olhando sem conhecer os detalhes mais específicos, podendo ser um pouco pesado jogar um logo após o outro, a menos que você realmente se empolgue na história. Os gráficos são os mesmos, inclusive os menus e efeitos de batalha.
Há novidades, se olhar bem

Temos algumas novidades, porém, principalmente no já ótimo sistema de batalha. Há o burst, um sistema que fornece diversos benefícios ao completar uma barra. Há os master quartz, que são quartz especiais que possuem seu próprio nível, aumentado os atributos do personagem que o equipa. Ao aprimorar um master quartz ao máximo, ganhamos acesso à master art, um golpe especial que pode ser evocado continuamente para aplicar efeitos na party. São pequenas, mas boas novidades, que adicionam novas camadas aos combates.
Fora das batalhas, também há elementos novos. É possível quebrar objetos no mapa, que podem conter itens. E a SSS agora possui um carro, não dependendo mais apenas do ônibus. Pode-se personalizar o visual de nossa viatura. Carregar um save completo de Trails from Zero altera algumas cenas e você herda os atributos de seus personagens – mais um incentivo para embarcar nessa aventura após completar o antecessor. No geral, não são grandes novidades, ficando realmente um gosto de que poderia haver mais diferença entre os dois títulos. Mas dado que são dois jogos de grande escopo lançados originalmente com um ano de diferença, é realmente compreensível que seja assim. A trilha sonora traz diversas das ótimas músicas de Zero, também adicionando novas.
Muito bem jogável no estado atual

Recentemente, comentando os planos para o futuro, o presidente da Falcom disse que o time também planeja refazer a duologia Zero e Azure, na linha dos extremamente bem recebidos remakes de Trails in the Sky 1 e 2. Dito isso, ainda são ótimos jogos e que possuem um cuidado poucas vezes visto ao adaptar jogos para as gerações atuais, sendo bem recomendados mesmo nos dias de hoje, não precisando esperar um remake – que devem sair daqui vários anos e seriam oportunidades para revisitar esse mundo.
Podia ser mais acessível, pelo menos
The Legend of Heroes: Trails to Azure encerra a duologia Crossbell e está agora disponível em mais plataformas. Os dois são bons RPGs tradicionais, sendo ainda bem recomendados. Se eu reclamar de algo, seria do preço de venda no Switch 2 e PS5 nas lojas brasileiras, que é de mais de 200 reais cada, um tanto salgado para jogos que já tem mais de 15 anos de estrada.
Revisão: Julio Pinheiro
Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores




