Marathon capa

Review Marathon (Xbox Series X) – Extraia tudo e mais um pouco

Antes de Halo e Destiny, Marathon, de 1994, foi pioneiro ao introduzir a narrativa ambiental nos jogos de tiro em primeira pessoa. O título demonstrou que cenários e estruturas podiam contar histórias por si só. Agora, em 2026, a franquia retorna, trazendo de volta um universo clássico em que cada espaço carrega segredos prontos para serem explorados.

Desenvolvimento: Bungie

Distribuição: Bungie 

Jogadores: 2-18 (online)

Gênero: Tiro, Ação, Aventura

Classificação: 14 anos (violência, linguagem imprópria)

Português: Dublagem, legendas e interface 

Plataforma: Xbox Series X|S, PS5, PC

Duração: 12 horas (campanha)

Acorde sem saber o que aconteceu

Visão em primeira pessoa, onde vemos uma pequena floresta com uma possível fabrica ao fundo.
Explore uma região desconhecida

Ambientado no ano de 2893, em Tau Ceti IV, Marathon apresenta um cenário de colônia em ruínas. O jogo se posiciona como um shooter de extração PvPvE (jogadores contra jogadores contra o ambiente), incorporando elementos leves de RPG e mecânicas de loot. Cada partida exige planejamento estratégico, seleção de itens, gerenciamento de equipamentos e exploração cuidadosa, reforçando a proposta de imersão e desafio.

Em Marathon, cada partida tem duração aproximada de 25 minutos. O jogador seleciona uma armação e equipamentos antes de ingressar em grupos de três, com exceção da armação da Torre, que oferece uma experiência solo. As missões envolvem completar contratos, escanear pontos de interesse, coletar saques e localizar terminais de extração. O êxito permite manter os itens obtidos, enquanto a derrota implica na perda definitiva de todo o progresso da sessão. Ao explorar Tau Ceti IV, a sensação é de caminhar por um mundo abandonado. Estruturas industriais, complexos destruídos e sistemas esquecidos revelam, sem palavras, a queda da colônia. Embora algumas áreas transmitam certa repetição estética, o ambiente sustenta um clima de mistério que instiga o jogador a buscar respostas sobre o destino do planeta.

Visão em primeira pessoa de uma colina, e  logo adiante uma estrutura metálica que parece um guindaste.
Fique sempre atento ao cenário

A exploração de Tau Ceti IV se divide em zonas únicas, escolhidas antes de cada partida. O “Perímetro” apresenta o primeiro contato com as forças da UESC, em meio a ruínas industriais e fragmentos da natureza. “Pântano Lúgubre”, por sua vez, oferece uma experiência sobrenatural, onde a própria paisagem se transforma diante dos olhos do jogador, “Posto Avançado” é o território dos confrontos mais intensos, onde a disputa por loot se torna inevitável. De acordo com a Bungie, o clímax de Marathon ocorre fora de Tau Ceti IV. A estação orbital UESC, onde recebe o Crioarquivo, que é considerado o desafio final do jogo. Nesse modo, os jogadores enfrentam condições extremas em busca das maiores recompensas. A novidade é acompanhada pela introdução do modo ranqueado, que adiciona competitividade às partidas e intensifica os encontros entre Runners.

Confiança é um grande risco

Visão em primeira pessoa de uma partida com outro jogador.
Jogar com um amigo deixa as coisas mais divertidas

Inspirando-se na abordagem de Destiny, a Bungie traz para Marathon um cenário mais cínico, mas com o mesmo tiroteio refinado que conquistou seu público. A Armação escolhida não é apenas uma armadura: é um personagem com habilidades e traços táticos fundamentais. O ritmo da batalha remete aos Guardiões, colocando o tempo das forças no centro da experiência. Com sete opções de Armações já disponíveis, cada uma oferece variações distintas. Seja ao optar por Reconhecimento, para controlar informações e localizar inimigos, ou por Triagem, para proteger sua equipe, o jogador sente o peso do poder em suas mãos.

A Armação da Torre desperta um interesse especial. Sua habilidade de se manter invisível contra os robôs da UESC transforma a exploração em uma jornada solitária, marcada por furtividade e silêncio. Nessas rotas, Tau Ceti IV revela uma atmosfera quase de terror, como um jogo de esconde-esconde temporário. O design sonoro reforça essa imersão, com detalhes que vão de passos e disparos até trilhas ambientes, embora a direção de alguns sons possa soar confusa. Além disso, o chat de proximidade permite que os jogadores se comuniquem de forma natural dentro do jogo. A jogabilidade mantém o ritmo rápido e constante. O tempo para matar baixo transforma cada combate em uma experiência de alta tensão, onde cada segundo importa. Um passo em falso ou uma distração pode custar não apenas a partida, mas também todos os itens coletados. A sensação é de estar sempre à beira do perigo, com cada decisão carregando o peso da sobrevivência.

Configurando um equipamento.
Usa equipamentos ao seu favor

Ao contrário de ARC Raiders, que enfatiza a colaboração em prol da humanidade, Marathon adota uma abordagem centrada em corporações. Os jogadores assumem papéis de Freelancers e Caçadores de Recompensas, caracterizados como mercenários descartáveis. A mecânica das Armações elimina o peso da morte, permitindo que a consciência do jogador seja transferida para novos corpos. Esse sistema fomenta uma cultura agressiva, baseada na lógica de atacar primeiro sem hesitação. O jogo introduz o sistema de Contratos como parte central da experiência mercenária. As corporações oferecem não apenas recompensas financeiras, mas também especializações. NuCaloric, por exemplo, fornece recursos voltados para estamina e defesa, enquanto Mida favorece estratégias furtivas. O jogo diferencia contratos “hardcore”, que devem ser concluídos em uma única partida, de contratos persistentes, que permitem progresso acumulado ao longo de várias sessões. Essa mecânica reduz a frustração da derrota e incentiva a continuidade do jogo.

Em Marathon, o verdadeiro desafio pode estar fora das batalhas. A interface, marcada por excesso de design e falta de praticidade, transforma ações simples em tarefas cansativas. Menus confusos e confirmações repetitivas tornam a navegação exaustiva. Nos consoles, a experiência se agrava, pois usar o ponteiro com o analógico é lento e frustrante, criando uma barreira entre o jogador e o jogo. A falta de clareza permeia a experiência do jogo. Os marcadores de objetivo frequentemente se confundem com os sinais dos demais jogadores, tornando a leitura do campo de batalha menos intuitiva. O sistema de loot reforça essa dificuldade, com ícones uniformes fazendo com que os itens pareçam indistintos. Em algumas situações, o mapeamento dos controles leva a erros frustrantes, deixando o saque no chão em vez de armazená-lo no inventário. Essa sensação de desorganização adiciona uma camada extra de tensão ao jogo.

Visão em primeira pessoa de uma região com rochedos e uma estrutura metálica ao fundo.
Praticamente todos os edifícios podem ser explorados

A falta de clareza de Marathon se estende além dos menus. O jogo raramente explica seus sistemas de forma acessível, tornando conceitos como implantes, núcleos e gerenciamento de estoques confusos para quem está começando. A sensação é de que o título espera que o jogador descubra suas regras sozinho, por meio de erros e experimentação, em vez de oferecer uma introdução gradual e acolhedora. A estética minimalista dos ícones em Marathon cria um desafio adicional. Recursos, implantes e núcleos se parecem demais entre si, e na pressão dos combates é difícil diferenciar um item raro de um comum com apenas um olhar. Essa uniformidade visual intensifica a tensão, já que o jogador precisa de atenção redobrada para não perder oportunidades valiosas em meio ao caos.

O equilíbrio entre erros e acertos

Neste momento, Marathon demonstra uma fundação firme, sustentada por um sistema de tiroteio completo e refinado. A sensação das armas é cuidadosamente trabalhada, transmitindo peso e impacto a cada disparo. Mas apesar de apresentar um sistema de tiroteio robusto, Marathon sofre com uma estrutura que parece mais uma casca mal-ajustada. A interface e a navegação tornam-se obstáculos que cansam o jogador. Há, no entanto, potencial: se a Bungie conseguir refinar essa estrutura e oferecer conteúdo novo e relevante, o jogo poderá atingir todo o seu potencial. No momento, porém, Marathon é como um Corredor aprisionado em uma concha que ainda não permite sua verdadeira evolução.

Cópia de Xbox cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Marathon

8

Nota Final

8.0/10

Prós

  • Combate
  • Multiplayer

Contras

  • Historia da campanha principal
  • Variedade de armas
  • Servidor