Tomodachi Life: Living the Dream capa

Review Tomadachi Life: Living the Dream (Switch) – O Tamagotchi da Nintendo

Tomodachi Life: Living the Dream

Tomodachi Life: Living the Dream é um simulador social em que você cria personagens inspirados em pessoas reais e acompanha suas vidas em uma ilha cheia de interações, relacionamentos, eventos e situações absurdamente aleatórias. Tudo gira em torno de observar o desenvolvimento desses personagens ao longo dos anos enquanto personalizamos a ilha, acompanhamos casamentos, criação de filhos e o crescimento completo de cada habitante.

Desenvolvimento: Nintendo
Distribuição: Nintendo
Jogadores: 1 (local e online)
Gênero: Simulação
Classificação: Livre
Português: Não
Plataformas: Switch
Duração: 32 horas (campanha)

Um simulador social extremamente carismático

Cena em que damos um presente ao Mii

O grande charme aqui está justamente em criar personagens inspirados em amigos, familiares ou pessoas conhecidas da vida real. Isso gera um sentimento muito curioso no cérebro porque você começa a enxergar aqueles Miis como representações reais das pessoas que conhece. Honestamente, poucas franquias conseguem criar esse tipo de conexão social tão naturalmente quanto Tomodachi Life.

O humor também possui uma personalidade muito própria. No começo, algumas situações parecem estranhas ou até sem sentido, mas com o tempo você se acostuma completamente com o estilo nonsense e japonês de ser do game.

Cena da loja de roupas

É justamente essa bizarrice leve que acaba tornando os eventos tão engraçados e memoráveis durante a rotina da ilha, o que rende milhares de fotos e vídeos salvos no console. Porém, fica o aviso: não é permitido compartilhar capturas de tela online.

Em termos de interação, no máximo podemos baixar Miis de outros usuários nas proximidades e enviar criações a eles. Nada muito complexo. Também não podemos visitar ilhas alheias, o que é uma oportunidade perdida.

Progressão e personalização tornam a experiência divertida

Cena de construção da ilha

Existe uma boa quantidade de personalização disponível. Você pode modificar roupas, edifícios, aparência dos personagens e vários aspectos da ilha em geral, além de poder fazer criações próprias de itens para colocar na ilha, comidas, mobília, etc.

Isso ajuda bastante no sentimento de evolução, constantemente desbloqueando novidades para expandir a experiência social dos habitantes. Porém, não espere que as coisas aqui funcionem como um Animal Crossing, em que a vida acontece e as pessoas se casam e fazem coisas diferentes enquanto você não está olhando.

O ciclo de vida dos personagens, em si, funciona muito bem. Ver relacionamentos evoluindo até casamento, acompanhar nascimento de bebês, educação das crianças e eventualmente vê-las deixando a ilha (ou não, estes também podem ficar) cria um sentimento de progresso extremamente forte.

Tomodachi Life consegue transformar situações simples em algo surpreendentemente envolvente emocionalmente. Porém, a vida aqui depende muito de sua interação como o mestre das coisas, sem falar que o tempo passa de acordo com o horário da vida real, o que causa a demora em evoluções mais rápidas.

Falta profundidade para sustentar as coisas a longo prazo

Cena de recompensas por subir de nível

Apesar de extremamente divertido no início, Tomodachi Life sofre bastante no longo prazo e na vida útil. Depois de algumas dezenas de horas, fica evidente que boa parte da experiência depende quase inteiramente das interações sociais entre os personagens, as quais são limitadas, além de seu estímulo para fazer isso acontecer.

Fora isso, sobra um construtor de ilha relativamente simples e limitado em profundidade, sem muitas mecânicas extras. Não é possível deixar as coisas acontecerem e observar de longe. O jogo também não é muito inteligente no fator “as pessoas vão se conhecer naturalmente,” pois você precisa forçar as relações pegando os Miis e os colocando juntos. Também não há conversas em grupo, o que é bem impressionante no sentido ruim da palavra.

Cena do minigame do amor para casamento

Por fim, os minigames também não ajudam muito a expandir a experiência. Eles são extremamente básicos, rápidos e pouco elaborados em termos de mecânicas, se resumindo a perguntas e respostas, imagens e poucas coisas únicas como o minigame de nave inspirado em Space Invaders que surge para pedir alguém em casamento.

Além disso, as ferramentas de construção da ilha e obtenção de novos objetos (bancos, árvores, fogueira, etc.) são divertidas, mas não possuem profundidade suficiente para sustentar um ciclo criativo realmente complexo ou duradouro, limitando as decorações apenas a pequenos itens com pouca interação. Também não existe um final propriamente dito, mas os créditos rolam quando você envia um personagem pra Lua no formato das viagens que já existem como um presente na ilha. Nada tão surpreendente assim.

Um Tamagotchi social muito carismático, mas limitado

Tomodachi Life: Living the Dream continua sendo uma experiência extremamente única justamente pela forma como transforma personagens inspirados em pessoas reais em sua parte central. O humor tosco, os relacionamentos, o ciclo de vida dos personagens e as opções de personalização criam uma experiência muito carismática e constantemente divertida nas primeiras dezenas de horas. Ao mesmo tempo, a falta de profundidade nas mecânicas, os minigames extremamente simples e a dependência quase total do fator social (que se apoia em sua manutenção diária) acabam limitando bastante a longevidade da experiência. Ainda assim, se você gosta de rir e criar seus amigos em jogos e cuidar deles como fazia na infância com seus bichinhos virtuais, essa é uma boa adição ao seu catálogo Nintendo.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Tomadachi Life: Living the Dream

7

Nota final

7.0/10

Prós

  • Senso de humor
  • Possibilidades nas criações
  • Personalização de Miis
  • Casamentos e crescimento familiar
  • Forte conexão emocional

Contras

  • Repetição em poucas horas
  • Falta de profundidade nos minigames
  • Mecânicas um pouco sem graça
  • Podia ter mais vida sem estarmos jogando
  • Sem interações em grupo de Miis