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Review Warhammer 40,000: Mechanicus II (Xbox Series X) – Metal contra o metal

Quase oito anos após o original ter redefinido o que esperávamos de adaptações táticas no universo grimdark da Games Workshop, a Bulwark Studios e a Kasedo Games finalmente nos entregam a tão aguardada sequência. Lançado em 21 de maio de 2026, Warhammer 40,000: Mechanicus II promete não apenas expandir a escala do conflito, mas também virar o tabuleiro de cabeça para baixo, permitindo que os jogadores assumam o controle de ambos os lados da guerra. 

Desenvolvimento: Bulwark Studios
Distribuição: Kasedo Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Estratégia, Ação, Aventura
Classificação: 12 anos (violência)
Português: Não
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 11 horas (campanha)

O cântico do metal e o despertar das tumbas 

O combate é o melhor momento de Mechanicus II

O grande trunfo narrativo de Mechanicus II é, sem dúvida, a introdução de duas campanhas completas e interconectadas. Se no primeiro jogo o Magos Dominus Faustinius era o nosso único prisma para enxergar o conflito em Silva Tenebris, agora a perspectiva é dupla. O Adeptus Mechanicus retorna com a missão de assegurar tecnologias antigas, agindo muitas vezes como uma força de choque de elite cirúrgica. Do outro lado do espectro, assumimos o controle de Vargard Nefershah, liderando o despertar da dinastia Sankhotep para expurgar os “vermes” invasores.

Essa dualidade não é apenas um truque de roteiro, ela permeia cada engrenagem da experiência. Jogar com os Necrons oferece um olhar fascinante sobre uma facção que, historicamente, serviu apenas como antagonista sem rosto. A narrativa entrelaça os eventos de forma inteligente, pois uma instalação destruída pelos Mechanicus em uma campanha pode ser o cenário de uma missão de resgate desesperadora na visão dos Necrons. É uma narrativa de guerra fria e ódio metálico, onde a carne é fraca, mas o silício guarda muito rancor.

Xadrez sanguinário 

O mapa mundi parece um tabuleiro de WAR, mas serve somente para selecionar missões pré-definidas.

Se a narrativa impressiona pela dualidade, o campo de batalha é onde Mechanicus II realmente brilha em termos táticos. O jogo abandona o sistema de “Pontos de Ação” padrão do gênero em favor de um sistema de movimentação e ataque incrivelmente fluido. As unidades podem se mover, utilizar habilidades especiais, engajar em combate e se reposicionar de maneira orgânica, tornando os confrontos mais rápidos e letais.

A assimetria entre as facções é o coração da gameplay. O Adeptus Mechanicus mantém o seu icônico sistema de Cognition Points (pontos necessários para usar habilidades especiais). A economia de ações gira em torno de gerar CP com o abate de inimigos, permitindo encadear movimentos devastadores. A tática aqui exige o uso inteligente de coberturas, o posicionamento de Servitors como bucha de canhão e o reposicionamento ágil de Rangers e Sicarians.

Os Necrons, por sua vez, operam sob o Dominion System. Eles desprezam o conceito de cobertura e avançam como uma maré de metal implacável. O recurso de Dominion é acumulado passivamente e por meio de ações em batalha, liberando buffs em níveis mais altos. O jogador é constantemente desafiado a decidir se deve gastar o Dominion acumulado para ativar uma habilidade devastadora agora ou guardá-lo para manter melhorias passivas ativas. Além disso, a mecânica de ressurreição muda completamente o cálculo de risco: ver um guerreiro Necron cair não é o fim, desde que seu protocolo de reanimação seja concluído antes do fim do combate. 

Ferrugem nas engrenagens 

O mapa serve apenas como floreio, ao contrário do primeiro jogo, seu caminho aqui é linear.

Apesar dos avanços no campo de batalha, Mechanicus II toma algumas decisões estruturais profundamente questionáveis para os fãs da progressão de RPG do primeiro jogo. A principal delas é a eliminação da customização livre dos Tech-Priests.

No jogo de 2018, você começava com sacerdotes em branco e os moldava através de árvores de habilidades mistas, acoplando mechadendrites, scanners e armas como um mecânico montando um carro de corrida. Era um sistema que recompensava a criatividade. Em Mechanicus II, esse sistema brilhante foi jogado fora e substituído por cinco personagens pré-fabricados de cada facção. Eles têm personalidades fixas e habilidades engessadas. A sensação de propriedade sobre o seu esquadrão desaparece, e o recrutamento se resume a preencher os espaços restantes com unidades genéricas.

Pior ainda, esses líderes pré-fabricados sofrem da “Síndrome da Missão de Escolta”. Como são vitais para a história, se um líder cair em combate, a missão falha instantaneamente. Isso destrói a dinâmica de “risco versus recompensa”. Você acaba usando suas tropas genéricas apenas como escudos de carne (ou metal) para proteger o líder, eliminando jogadas ousadas e sacrifícios táticos que tornavam o jogo anterior tão recompensador.

Além disso, o mapa de campanha do jogo beira o ilusório. Ele é desenhado para se parecer com um mapa de conquista global estilo Risk ou Total War, dando a falsa impressão de que você gerenciará territórios e estruturas. Na prática, é apenas um menu de seleção de missões. A agência do jogador ao explorar tumbas, escolher salas e desviar de armadilhas no primeiro jogo foi substituída por um caminho linear e fortemente roteirizado, onde as coisas simplesmente acontecem com você fazendo pequenas escolhas que minam a tensão da exploração.

O veredito do Omnissiah 

Warhammer 40,000: Mechanicus II é uma continuação que dá dois passos à frente no dinamismo de combate e na escala narrativa, mas tropeça feio em suas mecânicas de progressão e agência do jogador. A adição dos Necrons como facção jogável, a mecânica de Dominion e a fluidez dos controles no console tornam as batalhas genuinamente viciantes e visualmente impressionantes. Para os amantes de estratégia e fãs do universo de Warhammer, o combate assimétrico carrega o título nas costas e justifica a jogatina. No entanto, a regressão na customização de esquadrões, o mapa de campanha linear e a irritante restrição de sobrevivência dos líderes impedem que a sequência supere a genialidade contida do primeiro jogo. O Omnissiah pode até ter abençoado o motor de combate, mas esqueceu de lubrificar as engrenagens da liberdade do jogador.

Cópia de Xbox cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Warhammer 40,000: Mechanicus II

6

Nota Final

6.0/10

Prós

  • Combate tático fluido
  • Assimetria brilhante entre facções
  • Controles e performance otimizados

Contras

  • Mapa global ilusório
  • Poda drástica na customização
  • Exploração linear e sem risco